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Natal
Registro de vacinação será ampliado no Rio Grande do Norte
Publicado: 00:00:00 - 07/04/2021 Atualizado: 21:35:43 - 06/04/2021
Bruno Vital
Repórter

A falta de atualização no sistema oficial de vacinação no Rio Grande do Norte coloca Natal entre as três capitais do Nordeste com o maior atraso na campanha de imunização contra a covid-19. De acordo com dados do RN + Vacina, plataforma da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap), até esta terça-feira (6), 88.883 pessoas receberam pelo menos uma dose do imunizante contra o coronavírus na capital, o que equivale a 9,98% da população, que é de 890.480 pessoas, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Magnus Nascimento
Bases de dados da SMS Natal, Sesap/RN e Ministério da Saúde não comungam os mesmos dados. SMS Natal diz que número de doses aplicadas é maior que o lançado

Bases de dados da SMS Natal, Sesap/RN e Ministério da Saúde não comungam os mesmos dados. SMS Natal diz que número de doses aplicadas é maior que o lançado


O município aparece em terceiro lugar no ranking percentual de pessoas imunizadas com, pelo menos, uma dose, entre as capitais nordestinas: Salvador/BA (14,24%); Recife/PE (13,79%); Maceió/AL (12,05%);  Fortaleza/CE (11,12%); Aracaju/SE (11,21%); João Pessoa/PB (10,89%); Natal/RN (9,98%); Teresina/PI (8,73%); e São Luís (7,17%). Todos os dados foram extraídos dos portais de monitoramento da pandemia das Secretarias de Estado da Saúde Pública dos entes federados citados. Os dados também divergem entre as Secretarias Estaduais e o Ministério da Saúde.

Segundo o RN + Vacina, Natal aplicou 111.151 doses das vacinas CoronaVac/Butantan e da Oxford/AstraZeneca, ambas administrados em duas doses, em 88.883 pessoas até as 12h43 desta terça-feira (6). O número é menor do que o apresentado pelo Vacinômetro da Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS Natal), que é de 147.060 doses aplicadas. No entanto, a SMS Natal não soube informar a quantidade exata de pessoas vacinadas, a distribuição das doses (quantas pessoas receberam uma ou duas), o percentual de imunizados por grupo prioritário nem o percentual em relação ao total da população do município.

Por meio da assessoria de imprensa, a pasta argumentou que não tem capacidade para detalhar os dados porque não consegue abastecer a plataforma RN + Vacina em tempo real. Conforme a SMS Natal, o descompasso ocorre por falta de equipamentos eletrônicos, como computadores e tablets nos pontos de vacinação e por constantes travamentos na plataforma virtual enfrentados pela equipe de digitadores responsável pela atualização das planilhas. A Sesap não se posicionou sobre as reclamações da SMS Natal.

Reforço
O secretário-adjunto de Logística em Saúde, Administração e Finanças da SMS/Natal, Vinícius Capuxú, reconhece a importância da atualização dos dados e a dificuldade para lançar as informações em tempo real no RN + Vacina, mas garante que a equipe responsável será reforçada nos próximos dias. 

“O lançamento não é feito na hora da vacinação. Ele é cadastrado e enviado em papel para a equipe central da Secretaria, que atualmente é de 10 pessoas para fazer essa função. Na segunda eu recebi a informação que a gente estava 50 mil doses atrás do cadastrado no sistema. O ritmo de vacinação está maior do que o ritmo de lançamento no sistema. Até a sexta-feira, a gente vai dobrar o número de cadastradores: vamos receber mais 10 computadores e contratar mais 10 funcionários para acelerar esse processo”, garantiu Capuxú.

Pela insuficiência de informações sobre a campanha de imunização contra a covid-19 em Natal, a base de dados utilizada nesta reportagem foi consultada no sistema do Governo do Estado.

Entre os grupos prioritários, a maior parcela de vacinados é de indígenas aldeados, idosos com 80 anos ou mais e idosos acamados com idades entre 75 e 79 anos.

Nova faixa
Nesta quarta-feira (7), a SMS Natal inicia a vacinação dos idosos de 64 anos e mais. Para receber o imunizante é necessário apresentar o comprovante de residência de Natal, documento com foto e cartão de vacinação.

Para esse público, a pasta está disponibilizando sete drive-thrus de vacinação (Palácio dos Esportes, Arena das Dunas, Shopping Via Direta, UNP Roberto Freire, OAB, Ginásio Nélio Dias e SESI), esses quatro últimos com pontos de vacinação de pedestre funcionando das 8h às 16h. A população, se preferir, pode procurar também uma das 35 Unidades Básicas de Saúde que estão realizando a vacinação.

Segunda Dose
A Secretaria de Saúde de Natal alerta que os idosos que foram vacinados com a Coronavac devem ficar atentos para o prazo da segunda dose, que deve ser entre o décimo quarto ao vigésimo oitavo dia, a contar da data da primeira dose que consta no cartão de vacinação.

Não há previsão para atingir imunidade coletiva
Natal também não tem previsão de quando irá atingir a imunidade de rebanho contra a covid-19 por meio da vacinação, segundo informou a própria Secretaria Municipal de Saúde (SMS Natal). Com apenas 9,98% dos habitantes vacinados, o cenário ainda está bem distante do que os especialistas apontam como meta de imunização coletiva para controlar a doença, que hoje é de pelo menos 70% da população total.

Durante o primeiro pico da pandemia, que no Rio Grande do Norte foi registrado entre os meses de junho e julho do ano passado, epidemiologistas, pesquisadores e infectologistas projetavam que a imunidade de rebanho só seria atingida quando 70% da população desenvolvesse defesas contra a covid-19, mas o surgimento de variantes do vírus com maior poder de contágio acabou modificando esse cálculo. É o que destaca o médico epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Ion de Andrade.

“O percentual tem que ser maior. Em Manaus havia uma imunidade de rebanho para a primeira cepa da ordem de 70%. Portanto, eles se confiaram muito nisso. Depois, a cepa ampliou sua capacidade de contágio e desequilibrou a imunidade de rebanho para mais. Essa é uma das razões para aquela explosão de casos recentemente durante a segunda onda. Hoje, com muita cepa circulando, é difícil de estabelecer qual seria o percentual suficiente para conter a pandemia, mas certamente é superior aos 70% calculados lá no início. Seria arriscado estimar um percentual, mas a lógica foi ampliada”, explicou.

O pesquisador reforçou que a imunidade de rebanho por meio da vacina é o único meio disponível para controle do contágio e, consequentemente, o restabelecimento da normalidade.

“As pessoas vacinadas do grupo prioritário ficam protegidas de desenvolver a forma grave da doença. É o caso dos profissionais da saúde e dos idosos que já desenvolveram imunidade. Isso tem uma importância muito grande porque a gente vai ter uma redução dos internamentos e de óbitos daqui a dois ou três meses, mas isso não é imunidade de rebanho. E a imunidade de rebanho é a nossa única forma de voltarmos ao cenário que tínhamos antes. O vírus não vai deixar de existir, mas a gente vai ter de volta tudo isso que temos perdido, como a liberdade de locomoção”, frisou.














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