Reinaldo

Publicação: 2020-05-17 00:00:00
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Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Aconteceu tudo no tempo incapaz de ser cronometrado. O baixinho mágico recebe a bola, o que jamais deveria ser permitido. O seu algoz, gigante negro, parte para a missão suicida de pará-lo. É o zagueiro Argeu do América de Natal.

O baixinho de camisa em preto e branco aplica-lhe  um drible de costas, entrado na área, ameaçado o corte no loiro goleiro Valdir Appel e tocado por cima, balançando as redes macias do Estádio Mineirão naquele fevereiro de 1978.

O relógio marcava 41 minutos do segundo tempo e o menino de 21 anos, sacramentava a goleada do Atlético(MG) sobre o América de Natal por 6x0,  baile de bola. Gol que valeu placa no estádio, derrubado, reconstruído e inaugurado para a Copa de 2014. O América tinha bom time, o adversário é que jogava como triturador.

O Atlético(MG) arrancava livre para conquistar o Campeonato Brasileiro de 1977 que avançaria ao ano seguinte e o Galo perderia nos pênaltis para o regular time do São Paulo. Estava sem Reinaldo, suspenso por conta de  expulsão ocorrida um ano antes.

Tiraram o processo da gaveta, julgaram e o craque ficou fora do campeonato. Ainda assim, artilheiro com 28 gols, recorde que só seria quebrado por Edmundo, do Vasco em 1997.  Reinaldo sempre foi a pedra precisa do futebol, apagada na hora do brilho decisivo.

Na final contra o São Paulo, o Atlético(MG) não poderia mesmo vencer pois no lugar de Reinaldo havia de centroavante Joãozinho Paulista, de notória competência em times do futebol nordestino. Foi um dos perdedores de pênaltis diante do goleiro Valdir Peres.

O Atlético de Reinaldo mandava em Minas e ganhava todos os títulos estaduais, ele jogando como o Tostão de camisa trocada. Uma elegância genial em fintas de corpo, toques por baixo das pernas dos marcadores, gols suaves. Reinaldo jamais deu uma porrada para fazer um gol.

Jogou mal a Copa de 1978.  Estava machucado e importaram uma máquina de ginástica, a Náutilus, monstrengo de ferro para fortalecer a musculatura de suas pernas. Fez gol na estreia e sumiu. Campos esburacados e o esquema tático medroso de Cláudio Coutinho prejudicaram o Rei.

Ele  foi enchendo o seu coração do fel da revolta, o que só lhe faz mal. Envolveu-se com drogas, meteu-se com movimentos alternativos, frustrou-se na carreira política e nos últimos tempos, é uma foto amarelada do menino dourado que foi.

Rosto sempre inchado, se envolveu em duas brigas com um vizinho. Seus cães de guarda teriam mordido os filhos do cidadão, que prestou queixa à polícia. Rompeu definitivamente com o Atlético(MG), a quem acusou de ter "Somente explorado sua vida e a sua imagem".

Nem tanto,  Rei. A torcida do Galo e até mesmo seus cartolas sempre perseguiram uma solução para o impossível. A cura dos males que já ultrapassavam a condição física para atingir a alma do homem ferido.

Reinaldo se renova a  cada reprise apresentada nas redes sociais. Tecendo gols de beleza. Genialidade  que perde para o sofrimento de um homem invadido  pela amargura dos  destronados.

Acesse a página José Reinaldo de Lima no Facebook e veja, perplexo, uma série de dribles e gols marcados apenas contra o Flamengo.
Reinaldo aplica dois lençóis seguidos em Júnior, humilha o zagueiro Marinho, até o pacífico Adílio bate nele após uma jogada sobrenatural. Veja Reinaldo de novo. E saiba que, com ele, havia o futebol puro  do sabor de queijo.  De Minas Gerais.

CPI A CPI da Arena das Dunas, aprovada pela Assembleia Legislativa, poderá ter seu conteúdo final encaminhado ao Ministério Público. Nitroglicerina.

Pesos e medidas
O Santos reduziu em 70% os salários dos seus jogadores e não se viu na mídia um pio do representante classista dos atletas,  com mira infalível quando o assunto é ABC.

Diá
Diá ficar no ABC é a medida mais sensata. Do clube e do próprio treinador.

Assessor
As rádios precisam olhar mais de perto a cobertura de jovens repórteres em clubes de futebol. Eles não divulgam notícia aos ouvintes. Prestam assessoria de imprensa aos cartolas.

América
Não fosse a pandemia de Coronavírus, o volante Felipe Guedes, ex-ABC, já estaria integrado ao América.

Conhece
O advogado Marcos Motta é  sócio-fundador de um escritório que atende cerca de 80 profissionais do futebol,entre eles o chato Neymar,  23 clubes, associações e federações. Conhece do riscado e fez uma análise dos efeitos da pandemia de Coronavírus.

Prazos
Sobre prazos,afirmou  Marcos Motta: “Estes prazos que foram estipulados lá atrás não fazem mais sentido, o que torna a situação bastante difícil em termos de contratos e contratações. Ou seja, houve uma ruptura em todo o mercado do esporte e principalmente no entretenimento. “

Ranking
O advogado citou um macabro ranking: “Sempre lembrando que esporte e entretenimento estão em segundo lugar no ranking de impacto sofrido pela covid-19, só atrás de hospitalidade e turismo, que têm uma conjugação direta com esporte e entretenimento.