Reitor do IFRN autoriza retorno às aulas um dia após protesto

Publicação: 2020-08-13 00:00:00
A+ A-
O reitor pro tempore do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Josué Moreira, autorizou em caráter excepcional, o uso do Ensino Remoto Emergencial em todos os cursos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, enquanto durar o período de distanciamento social em virtude da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus. A medida está publicada na Resolução 39/2020 - CONSUP/IFRN publicada pelo Ministério da Educação nesta quarta-feira, 12.

Créditos: Alex RegisEstudantes e servidores cobram nomeação do reitor eleito em votação realizada no início do anoEstudantes e servidores cobram nomeação do reitor eleito em votação realizada no início do ano

A decisão do IFRN foi anunciada um dia após protesto realizado por estudantes contra a intervenção na instituição, que dura mais de 100 dias. Na ocasião, policiais militares chegaram à reitoria e usaram spray de pimenta para dispersar o grupo. Um vídeo mostrou a ação dos policiais. Conforme a publicação, o ensino remoto corresponde às atividades desenvolvidas e acompanhadas pelos docentes, mediadas ou não por tecnologias de informação e comunicação, com a participação de estudantes, considerando o distanciamento social em função da covid-19. 

A Portaria detalha, ainda, que as diretrizes pedagógicas para retorno às aulas serão elaboradas pela Comissão instituída pela Portaria nº 1186/2020-RE/IFRN de 7 de agosto de 2020, e atualizada pela Portaria nº 1207-RE/IFRN, de 7 de agosto de 2020, de modo a regulamentar o Ensino Remoto Emergencial no âmbito do IFRN, o seu planejamento e a sua execução. O documento detalha que a autorização em tela não se aplica ao Campus Natal da Zona Leste, “tendo em vista que as atividades acadêmicas do Campus, realizadas a distância, não foram suspensas”. 

A decisão do reitor pro tempor “aprova a retomada do Calendário Acadêmico do ano letivo 2020 e das atividades de ensino, pesquisa e extensão, no âmbito do Instituto Federal do Rio Grande do Norte”. Foi estabelecido prazo de 15 dias para a conclusão dos trabalhos das Comissões citadas, com posterior submissão ao Conselho Superior do IFRN. 

Crítica  
O afastamento do policial militar que comandou a ação que aconteceu na tarde da última terça-feira, 11, na Reitoria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) contra estudantes que protestavam no local foi criticado pela Associação de Cabos e Soldados do RN. Para a entidade, que representa os praças da PM, o afastamento foi decidido “sem análise detalhada dos fatos e sem ouvir todos os lados envolvidos". O afastamento foi anunciado pela Governadora Fátima Bezerra ainda na noite de terça-feira, por meio das redes sociais.

O presidente da Associação, Roberto Campos, afirmou que a atitude da governadora representaria “um pré-julgamento que acaba tendo conotação política". De acordo com o presidente, a presença dos policiais militares no local não tinha irregularidades, e eles estavam atuando enquanto representantes do próprio Estado.

Em vídeos que circularam nas redes sociais na tarde da terça-feira, é possível ver os policiais entrando na instituição atrás de um estudante para pegar seu celular, mesmo com os demais presentes gritando que ele era estudante e não deveria ter o celular tomado. Alunos que estavam no local também relataram ter sido vítimas de truculência por parte da polícia, que não teria buscado dialogar sobre a natureza da manifestação.

Em sua conta oficial do Twitter, a governadora declarou que, uma vez tendo tomado conhecimento dos fatos que aconteceram no Instituto, entrou em contato com o secretário de Segurança do Rio Grande do Norte, Francisco Araújo, e pediu o afastamento do PM que comandou a operação contra os alunos do IFRN das atividades operacionais “até que a investigação seja concluída".

Para o presidente da Associação de Cabos e Soldados, o afastamento prévio funcionou como uma “pré-punição" ao agente de segurança. “O que nos causa estranheza é a rapidez como foi decidido o afastamento, uma espécie de pré-punição, quando não há mesma celeridade para ações que beneficiam os policiais.", afirmou Roberto Campos. Para os estudantes agredidos, a ação dos policiais militares foi o “ápice” de uma série de atitudes que vem sendo implantadas na instituição desde a nomeação do atual reitor, Josué Moreira.

Plenária
Nesta quarta, 12, estudantes, professores e servidores do Instituto Federal fizeram uma plenária para discutir o desfecho do ato do dia 11 e das ações que os grupos vão tomar a partir de então. Desde a nomeação, estudantes, professores e servidores se organizam em vigília em frente à Reitoria para denunciar o fato de que não reconhecem a legitimidade da nomeação do atual reitor, feita à revelia.