Reitores têm dúvidas sobre futuro das instituições

Publicação: 2019-07-18 00:00:00
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O reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Wyllys Abel Farkatt Tabosa, disse que tem duas preocupações com relação ao documento Future-se, do Ministério da Educação. A gestão das instituições de ensino federal por meio de uma organização social e a criação do fundo nacional de natureza privada para financiamento das universidades e institutos federais.

Créditos: Alex RegisWyllys Abel Farkatt, reitor do IFRN, disse que plano apresenta preocupaçõesWyllys Abel Farkatt, reitor do IFRN, disse que plano apresenta preocupações
Wyllys Abel Farkatt, reitor do IFRN, disse que plano apresenta preocupações

De acordo com o reitor, o documento não especifica que organização social estará habilitada a firmar contrato com as universidades e institutos federais. Não especifica se é uma fundação, uma empresa administradora de escola. “Não estamos falando de processo produtivo, estamos falando de processo de construção de  conhecimento e formação de sujeitos que têm capacidade de pensar e tenham formação profissional que não é meramente técnica”.

Não se sabe como a instituição vai adotar esse modelo, comentou o reitor que também acha estranho que conste no documento que a organização social terá autonomia sobre o patrimônio das instituições.

Para o reitor, o documento tem incoerências e uma delas é o contrato com a organização social. Supondo que a instituição vá adotar esse modelo que ninguém sabe como vai ser, será mais um contrato quando a instituição tem que pagar água, luz, internet, enfim, o custeio.

O Fundo, no texto, diz que vai ser gerenciado pelo Ministério da Educação e tem uma série de itens que diz como serão captados recursos. “Se os recursos vão ser captados têm que ficar na instituição e não no Ministério da Educação”, vaticinou o reitor. Segundo o reitor isso é um viés empresarial.  Também criticou o fato de não ter sido feito um diagnóstico da situação de todas as instituições para se elaborar o documento.

Wyllys Abel Farkatt Tabosa disse que os institutos têm uma lei própria que trata da constituição da rede federal de educação profissional e tecnológica, a 11.892 de 29 de dezembro de 2008. Essa lei tem uma série de atribuições. “Nós somos uma autarquia federal que goza de autonomia financeira, didática e pedagógica”, explicou o reitor.

Wyllys Abel Farkatt Tabosa destacou que o investimento que é feito na rede dos Institutos Federais para a dimensão do trabalho desenvolvido, só no Rio Grande do Norte são 21 campi  (Jucurutu ainda está em processo de construção), mostra que não é custo mas um investimento importante diante dos resultados comparativos com os  exames internacionais como o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes).

Mas, em termos comparativos, as ofertas de cursos técnicos são de 70% das vagas. Por detalhes como este, o reitor explicou que  os objetivos são distintos das universidades. O Instituto tem, no RN, 45 mil estudantes, são quase 30 mil estudantes de nível técnico. Muitos deles em situação de vulnerabilidade social marcante, complementou Wyllys Abel Farkatt Tabosa.

O reitor disse que não foi à reunião no Ministério da Educação porque o convite foi feito de forma extemporânea.   “Não foi um convite do próprio secretário nem do próprio ministro”, comentou. Por um e-mail encaminhado e o IFRN segue as normas de compra de passagens do próprio Ministério da Educação.

Para o reitor, o documento parece ser uma  compilação de todas as diretrizes e determinações do Tribunal de Contas da União. O IF, contou, tem a auditoria interna, ouvidoria, sistema de informação ao  cidadão, portal de dados abertos na página, o relatório de gestão é publicizado. “O documento não apresenta nada de novo do ponto de vista de uma gestão que se queira dizer moderna”.

Na questão da inovação,  o gestor explicou que o IFRN tem incubadoras tecnológicas com certificação Cerne 2, classificada top para o setor.  Também tem núcleos de estudos, extensão e prática profissional que desenvolvem projetos para comunidades .

UFERSA
A Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) vai propor a formação de uma comissão mista para estudar o documento Future-se, do MEC. O reitor da Ufersa, José de Arimatéia de Matos participou da reunião com o ministro da Educação em Brasília, na terça-feira, na apresentação do programa mas disse ontem à TRIBUNA DO NORTE que não tinha como analisar o programa. “Foram poucos slides e nos encheram de dúvidas”, resumiu por telefone.

Em discussão com o vice-reitor da Ufersa, José Domingues Fontelene Neto, os dois chegaram à conclusão que melhor seria formar uma comissão para analisar o documento dizer se a instituição vai ou não aderir ao programa.

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte disse, através de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto porque o reitor, José Daniel Diniz Melo, aguarda detalhamento do documento do MEC com relação ao programa.





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