Relações infectadas

Publicação: 2021-02-23 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Em doze meses de pandemia, os efeitos têm sido devastadores, não apenas nas perdas de vidas, mas também em diversos aspectos do cotidiano, destruindo negócios, provocando desemprego, levando pânico às pessoas e espalhando incertezas nas autoridades sobre que caminhos tomar para contê-la. Mesmo agora, com as vacinas, o combate ao vírus não nos faz vislumbrar tranquilidade, pelo menos a curto prazo. 

As variantes da doença acrescentam novas preocupações, principalmente quando já ocorrem óbitos em pessoas já vacinadas. Ontem mesmo aqui em Natal circulou no Whatsapp um comentário de que uma servidora da saúde teria sentido sintomas do coronavírus, dias após ter tomado a segunda dose da vacina chinesa. Por coincidência, ontem pela primeira vez a governadora Fátima e o prefeito Álvaro falaram o mesmo idioma das restrições comerciais.

Mas entre tantos prejuízos entre os fevereiros de 2020 e de 2021, uma importante instituição foi bastante afetada pela pandemia. Por mais argumentos pró-quarentena, um efeito negativo atingiu em cheio o ambiente das famílias.

Falhou aquele discurso sobre a oportunidade de uma convivência mais assídua entre os parentes, e uma outra realidade se impôs ano passado e prossegue.

A pandemia está levando também à falência o casamento, atingindo em cheio a unidade familiar. Estudos comprovando que o número de divórcios disparou nos países mais afetados pela Covid-19, destacando entre todos o Brasil.

A quarentena se transformou numa centelha ardendo dentro de um paiol sem portas ou janelas. Só no segundo semestre de 2020, segundo dados dos cartórios brasileiros, os divórcios extrajudiciais atingiram quase 45 mil casais.

O número representa um percentual de 15% superior aos números de 2019. E segundo o IBGE, há um padrão de que em cada três casamentos um termina em divórcio, mas isto aumentou muito depois do regime do “fique em casa”. 

O fenômeno acionou psicólogos, que avaliam o estrago como efeito do enclausuramento, uma experiência nova atrelada a uma situação de crise angustiante e estressante, tudo contribuindo para o conflito intrafamiliar. 

Profissionais da sociologia e do próprio Judiciário em suas varas de famílias analisam que a quarentena aumentou o grau de importância de muitos aspectos na convivência doméstica, como finanças e o trato com os filhos.

Também os assuntos mais íntimos dos casais acabam ficando de lado, e aí eles viram colegas de apartamento. Há indícios efetivos de 70% dos pedidos de divórcio são iniciados pelas mulheres, as mais atingidas pela tripla jornada.

Elas são atingidas também pelas relações machistas, que afloram bem mais durante o confinamento. A convivência forçada sobrecarrega os casais aqui e no mundo. As divergências naturais das relações se infectam de antagonismos.

O Google divulgou que as buscas por termos relacionados a divórcio aumentaram 5 mil por cento no ano passado e frases tipo “como dar entrada no divórcio” aumentaram em 3 mil e 500 por cento entre maio e dezembro/2020.

Há casos violentos e hilários na crise do amor, como um no último final de semana, numa cidadezinha perto de Londres, onde um homem saiu de casa e foi a uma delegacia pedir encarecidamente para os policiais o prenderem.

Ele preferia a cadeia a ter que ficar em casa com os parentes. Como era um foragido, teve seu desejo atendido. As separações se multiplicam, com jovens esposas voltando a morar com os pais e maridos retomando a vida de solteiro.

A dura realidade aponta que o enclausuramento matou o acasalamento.

Créditos: Divulgação

Mercado
No começo dos anos 1970, levaram Caetano Veloso à Feira do Alecrim na hora do almoço e o baiano declarou “o Alecrim é um poema barroco”. Ele viu o horário da xepa, quando os preços caem pra vender mais. Como nas bolsas.

Desmascarou
O jovem Caio Coppola expôs na CNN a crua e tóxica mentira da esquerda e da imprensa sobre o atual mimimi com a Petrobras. Lideranças como Haddad e Manuela defenderam ardorosamente a intervenção no preço do combustível.

Surreal
Militontos juntando gente humilde nas cidades próximas das rodovias para bloquear o tráfego em protesto contra combustíveis. Só aqui temos gente sem carro tocando fogo em pneus por causa dos preços do diesel e da gasolina.

Bem assim
Do jornalista J.R. Guzzo: “A gasolina no Brasil é cara porque o consumidor tem de pagar 45% de imposto a cada litro que põe no tanque. Mas nisso ninguém nem sonha em mexer. Preferem falsificar os números para segurar o custo”.

Sem vacina
Do UOL: “A crise sanitária revelou um declínio terrível da França na área da pesquisa científica. Os franceses têm encarado como uma humilhação não dispor de uma vacina contra a Covid-19 desenvolvida em laboratórios do país”.

Cinismo
O Brasil é o país onde um deputado federal que colocou um vídeo na Internet continua preso, enquanto um senador que colocou dinheiro de propina na cueca está solto, voltou a "atuar" no Senado, e passa fim de semana em casa.

Nas redes 
De Patrícia Tressoldi, da revista Topview: “Influenciadores que têm entre 10 mil e 100 mil seguidores – normalmente têm taxas de engajamento maiores do que as dos megainfluenciadores. Isso porque influenciar está cada vez mais difícil”.











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