Relatório aponta falhas estruturais

Publicação: 2019-06-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Na vistoria, foram constatadas uma série de irregularidades, de acordo com o relatório elaborado pelo CBRN. O relatório aponta falta de extintores não seguindo as conformidades de altura, sinalização, validade e pressurização, além de teto da rota de fuga ser de material sensível ao fogo.

Na tarde de ontem a energia elétrica do hospital foi fornecida por um gerador
Na tarde de ontem a energia elétrica do hospital foi fornecida por um gerador

O relatório de vistoria técnica realizado em 2014 pelo Corpo de Bombeiros,  constatou irregularidades estruturais no Hospital Dr. Ruy Pereira dos Santos.  O documento é assinado pelo major Marcos de Carvalho Fernandes, à época chefe de Serviço Técnico de Engenharia, tenente Eduardo Oliveira dos Santos, chefe da seção de vistoria e soldado Tiago Pimentel, vistoriador.

No relatório, o Corpo de Bombeiros alerta para a necessidade de se apresentar projetos arquitetônicos e de combate a incêndio de todo o complexo hospitalar, “para análise junto ao SERTEN/CBMRN, a fim de garantir a segurança contra incêndio e pânico edificado".

Na vistoria, foram constatadas uma série de irregularidades, de acordo com o relatório elaborado pelo CBRN. O relatório aponta falta de extintores não seguindo as conformidades de altura, sinalização, validade e pressurização.

Foi constatado que o padrão das escadas e rampas não atendem à norma NBR-9077, com falta de corrimão em ambos os lados, com as extremidades voltas para a parede, largura e formato anatômico. Verificou-se a ausência de sinalização devida para uso dos elevadores e falta de comunicação com a recepção.

Segundo o relatório do CBRN, não existe sinalização de rota de acesso a casa de bombas e nem escada fixa segura (com guarda-corpo), "colocando em risco ao funcionário ou bombeiro que não terá segurança alguma no acesso. Também foi constatado que nos pontos de hidrantes não existem os equipamentos (esguicho, mangueiras e chave de mangueira) e manutenção necessários para o combate a incêndio.

O relatório aponta para a ausência de sinalizadores de orientação de salvamento e luminária de emergência nos corredores de circulação. "Em alguns setores de rota de fuga o teto é composto por material que não apresenta resistência a fogo".

Em janeiro de 2015, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), concluiu que as condições de funcionamento do prédio do ITORN (onde atualmente funciona o Ruy Pereira), não sofreram modificações para enquadramento do hospital em normas de segurança, sanitárias e outras pertinentes ao funcionamento da unidade de saúde.

Curto-Circuito
Um curto-circuito causou pane na rede elétrica do Hospital Estadual Ruy Pereira, em Petrópolis, nesta segunda-feira, 10. O vice-diretor do hospital, Graciliano Sena, garantiu que nenhum serviço hospitalar foi comprometido e que a energia estava sendo mantida por um gerador interno. Atualmente, 75 pacientes estão internados no lugar.

Técnicos do hospital trabalham para fazer reparos na unidade, que teve a energia restabelecida no começo da noite. Segundo a direção da unidade, o gerador tem alta capacidade de duração, e pode funcionar por semanas consecutivas, se for preciso.

Relatório situacional
Um relatório situacional sobre o Hospital Ruy Pereira, de outubro de 2018 da Comissão de Execução e Gerenciamento de Contratos da Sesap, ressaltou a existência de três laudos do Corpo de Bombeiros desde 2014, e outros de 2015 e 2018, que levaram o Tribunal de Contas do Estado (TCE) a determinar providências quanto à regularização da situação do imóvel.

- Em 2014, o Corpo de Bombeiros alertou para a falta de projetos para atender os requisitos de segurança e prevenção contra incêndio, explosão e pânicos no processo nº 129306/2014-7 e notificação nº 58813/2014-6. Já em 2015 foi instaurado processo (nº 238646/2015-1) solicitando providências para melhorias das salas do serviço de psicologia, centro cirúrgico, unidade de terapia intensiva (UTI), enfermarias do térreo e rede hidrossanitária dos banheiros em áreas de internação do hospital. No ano passado, outra solicitação (processo nº 12356/2018-1) foi expedida para realização de serviços de reparos e manutenção da rede elétrica.

- O proprietário do prédio também foi notificado. Mas de lá para cá, nada ou pouco foi feito. “Ressalta-se que a postura adotada pelo proprietário (do imóvel) demonstra pouca importância quanto às demandas que lhe são direcionadas”, registrou o relatório situacional.

- “Em suma”, conclui o relatório, “o Hospital Ruy Pereira continua a funcionar sem atender às determinações do Corpo de Bombeiros. Além do descumprimento da cláusula que versa sobre as obrigações das partes, cabendo ao locador a cessão do imóvel 'livre e desembaraçado'.

- Um dos argumentos apresentados pela Sesap para justificar a desativação do Ruy Pereira, feito em nota distribuída pela assessoria de imprensa, é a falta de adequação estrutural do imóvel onde a unidade funciona.

- A falta de interesse da Sesap em renovar o contrato de locação onde funciona o hospital foi mencionada em documento assinado pela Coordenadoria de Operacionalização de Hospitais e Unidades de Referência (Cohur) em consultas feitas pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) no mês de maio passado.

- Outro documento também assinado pela coordenadora da Cohur e enviado à PGE dá conta de que os pacientes serão remanejados para o hospital Central Coronel Pedro Germano, o hospital da Polícia Militar.

Sociedade de Angiologia alerta para riscos
A presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, a cirurgiã Liana Berúcia, explicou que de 10% da população do Rio Grande do Norte tem diabetes, e em torno de 50% não sabe que tem diabetes. Esses dados são da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Uma das consequências da doença é o “pé diabético”, que pode acarretar gravidade para a saúde do paciente. O tempo de tratamento é um dos fatores determinantes na recuperação.

O pé diabético é uma série de alterações que podem ocorrer nos pés de pessoas com diabetes não controlada. Infecções ou problemas na circulação dos membros inferiores estão entre as complicações mais comuns, provocando o surgimento de feridas que não cicatrizam e infecções nos pés. Se não for tratado, o pé diabético pode levar à amputação. “Se levar em conta que metade das pessoas sequer sabe que tem diabetes, o risco é extremamente alto, já que não são tratados”, afirma Liana Berúcia.

O quadro de saúde do paciente com diabetes precisa ser avaliado por um cirurgião vascular, que na rede pública está disponível somente no Hospital Ruy Pereira.

“Os pacientes tem dificuldade de chegar ao atendimento adequado com o cirurgião vascular. E fica rodando de hospital em hospital. A gente precisa de um serviço organizado na rede pública, e essa é uma das preocupações em relação ao Ruy Pereira”, alerta.








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