Religiosidade pelo mundo

Publicação: 2013-05-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva - repórter

O Brasil continua na moda. Há pelo menos duas décadas, o mundo ‘descobriu’ que o país verde-amarelo é muito mais que futebol, Carnaval, praia, caipirinha e mulatas – uma visão limitada e generalista cada vez menos em voga. Como reflexo desse maior interesse, pipocam homenagens e eventos que tem como mote a diversidade cultural tupiniquim – antes vista apenas como algo exótico e tropical. Prova da assertiva é a edição 2013 da Feira Internacional de Fotografia de Bièvres, na França, uma das mais tradicionais da Europa com 50 anos de existência, em que o Brasil figura como tema principal das atividades programadas para os dias 1 e 2 de junho.
Marcelo BuainainO fotógrafo Marcelo Buainain é o único representante do país na Feira Internacional de Fotografia de BièvresO fotógrafo Marcelo Buainain é o único representante do país na Feira Internacional de Fotografia de Bièvres

As três exposições principais em cartaz durante os dois dias da Feira reúnem trabalhos do francês Gilles Favier, que aborda a rota escrava entre Benin (África) e o Brasil; do belga Georgi Lazarevski sobre o jeitinho brasileiro; e do sul-mato-grossense radicado em Natal há pouco mais de uma década Marcelo Buainain, único brasileiro a participar do evento este ano.

Na lista dos dez fotógrafos mais influentes do país, destacado pela revista Veja em março passado, e colecionador de prêmios internacionais importantes como os recentes União Latina Martin Chambi em 2012 e o Latino Americano de Fotografia Documental, conferido no início de maio na Colômbia, Buainain embarca este domingo para a França levando na bagagem uma série com 20 imagens da exposição “Omame”, onde revela os contrastes étnicos, religiosos, culturais e sociais do Brasil. “É importante sair do lugar comum e mostrar aspectos pouco conhecidos do nosso país no exterior. Optei por não fazer concessões ao estereótipo”, ressaltou o fotógrafo. Marcelo, inclusive, preferiu ser responsável pela seleção das imagens ao invés de deixar a escolha a cargo da curadoria local.

Marcelo Buainain figura entre os dez fotógrafos mais influentes do país, segundo a revista VejaEle destaca a presença de visitantes de todos os continentes, principalmente japoneses e norte-americanos que participam em peso da Feira em Bièvres.

Yanomami

A relevância de seu trabalho como fotógrafo, reconhecida pela renomada Agence VU, instituição francesa que no ano passado abriu sua galeria para a exposição “Retratos de Família” e entregou o Prêmio Martín Chambi, foi o passaporte para o evento francês.  ressaltou.

Para contextualizar sua intenção de apresentar um outro olhar sobre a brasilidade, o título da exposição – Omame – foi extraído de um texto de origem Yanomami presente em um trabalho do poeta, compositor e artista visual Bené Fonteles: “Omame também é artista / Omame é artista do mundo / Omame é o criador de tudo que existe. / Ele primeiro criou a Si mesmo, depois inventou / as florestas, os céus, as águas, as cores / e com as cores pintou a Natureza. / Omame é o espírito grande que mora / em tudo na Natureza. / Com sua lança, Ele quebrou uma pedra dura / e do fundo da rocha apareceram as águas, / os rios, os peixes, as sereias. / Foi Omame quem descobriu a primeira mulher, / a sereia Thaweyomaa, filha da cobra grande / que mora no mar. / Com a sereia, Ele criou todos os índios / e os brancos do mundo. / E depois criou todas as coisas boas / Para o povo da Terra… / A semente da banana, do cará / Pupunha, cana, macaxeira… / Os brancos esqueceram Omame. / Os brancos criaram seu Deus, / O diabo e o pecado. / Os brancos precisam lembrar de Omame. / E porque Omame também é artista, / Porque Ele criou a dança, a música, a pintura. / Vocês (artistas) devem ajudar o branco a lembrar de Omame, / Usando seu nome e explicando como Ele se manifesta”.

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