Remodelagem na Rampa

Publicação: 2013-12-31 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
repórter

As obras de restauração do edifício onde funcionou a Rampa de hidroaviões da PanAir (EUA), às margens do rio Potengi, estão a todo vapor no bairro das Rocas. O serviço faz parte do projeto de criação do Centro Cultural da Rampa, e nesta segunda-feira (30) um antigo galpão foi demolido no local – fato que trouxe certa apreensão quanto a preservação do patrimônio histórico. A reportagem do VIVER visitou o canteiro de obras na tarde de ontem, e verificou que a intervenção estava prevista: o galpão demolido tinha cerca de 50 metros quadrados e estava prestes a desabar. Construído após o término da 2ª Guerra Mundial, o galpão servia como elo entre os dois prédios originais, o primeiro erguido no início da década de 1920 para atender os aviadores que pousavam em Natal, e o outro durante a Guerra nos anos 1940.
Alex RégisPrédio passa por recuperação e ganhará telhas coloniaisPrédio passa por recuperação e ganhará telhas coloniais

“O galpão não era original, estava condenado, mas vamos reconstruir exatamente do mesmo jeito que era”, disse o mestre de obras Jandaíra, 44, encarregado do canteiro. As obras estão sendo executadas pela Construtora Ramalho Moreira, o projeto executivo é da empresa pernambucana Cunha Lanfermann Engenharia e Urbanismo e o projeto arquitetônico assinado pelo arquiteto potiguar Carlos Ribeira Dantas. O projeto está orçado em R$ 7,6 milhões e foi viabilizado com recursos do Prodetur/NE.

A meta da Secretaria de Turismo, órgão responsável pelo Centro Cultural da Rampa, é inaugurar o equipamento até maio de 2014. Vale lembrar que a posição estratégica da capital potiguar serviu como base norte-americana durante a Guerra, e que a Rampa havia sido utilizada por hidroaviões da filial da PanAm no Brasil, por isso o esforço dobrado para aprontar o Museu da Rampa antes da Copa do Mundo – afinal a seleção dos Estados Unidos enfrenta Gana pelo campeonato mundial de futebol dia 16 de junho no Arena das Dunas.

“O píer e o deck antigo também foram demolidos, vamos fazer tudo novo”, disse Jandaíra. O mestre de obras garantiu que os prédios originais serão restaurados, inclusive as telhas coloniais. “A construtora está executando o projeto conforme o previsto”, acrescentou.

O superintendente do Iphan-RN, Onésimo Santos, informou que o prédio da Rampa não é tombado pelo patrimônio. “Apesar da Rampa estar fora do polígono tombado pelo Iphan-RN, confio na capacidade da empresa (Cunha Lanfermann, de PE) quanto a preservação. Foram eles que elaboraram o projeto de restauração do Forte dos Reis Magos e também trabalham na recuperação do Centro Histórico pelo PAC Cidades Históricas”, concluiu Onésimo.

Módulos

O arquiteto potiguar Carlos Ribeiro Dantas, responsável pela concepção do museu/memorial, informou que o Centro Cultural da Rampa é composto por 28 projetos independentes: desde paisagismo, concepção visual e acústica, até questões de patrimônio histórico, museologia e restauração. “A obra tem três etapas distintas: concepção, elaboração de projeto executivo e a execução propriamente dita”, disse Dantas. A área total do sítio arqueológico da Rampa tem 24 mil m², e os equipamentos ocupam 11,4 mil m².

Evelyn Schor, arquiteta da empresa Cunha Lanfermann Engenharia e Urbanismo (PE), reforça que o projeto executivo limita-se à recuperação do edifício sede da Rampa, construção equipamentos do Centro Cultural como o Memorial e adequação urbana dentro dos limites do terreno. Detalhe que levanta a necessidade da Prefeitura de Natal se envolver no tocante a urbanização do entorno para por exemplo, melhorar os acessos viários e ampliar o atendimento do transporte público que cobre a área.

O QUE

A Rampa para hidroaviões no rio Potengi foi ponto obrigatório para aviadores que atravessavam o Atlântico Sul, entre 1920 e 40, período de expansão da aviação civil. Por ser o ponto das Américas mais próximo à África, Natal sediou filiais das principais companhias aéreas mundo, como Alemanha, França, Itália e Estados Unidos. A posição estratégica da cidade também serviu como referência durante a Segunda Guerra Mundial

CRONOLOGIA

2000 e 2005 Sob a guarda da Aeronáutica, o lugar chegou a funcionar como museu, organizado pela Fundação Rampa;

2007 Criação do museu tramitava na esfera municipal. Na época, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) chegou a sinalizar a liberação de 750 mil dólares para viabilizar a obra;

2008 O escritório do arquiteto potiguar Carlos Ribeiro Dantas assume a responsabilidade de conceber o projeto do museu e a restauração da antiga Rampa;

2009
A empresa pernambucana Cunha Lanfermann Engenharia e Urbanismo ganha licitação para elaborar o projeto executivo;

2011
Projeto é apresentado ao público pela Secretaria de Turismo no Teatro de Cultura Popular/FJA;

2012
Governo do RN formaliza convênio de R$ 8 milhões garantindo recursos do Prodetur/NE;

2013 Secretaria de Infraestrutura (SIN) abre edital para receber propostas de empresas interessadas em assumir as obras; início das obras de restauração.

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