Reordenamento provoca insatisfação

Publicação: 2017-03-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Enquanto banhistas  reclamam da falta de cadeiras e guarda-sóis para aproveitar a praia nas proximidades do Morro do Careca, a faixa de areia sobre o calçadão de Ponta Negra ainda está cheia deles, sem contar os artesãos que permanecem expondo seus produtos em pontos fixos. Esse é o resultado do plano de reordenamento da praia de Ponta Negra realizado pela Prefeitura de Natal por força de uma decisão judicial.
Guarda-sóis foram retirados nas proximidades do Morro do Careca, o que deixou alguns banhistas insatisfeitos
Inicialmente, o plano previa que todo espaço no calçadão deveria ficar livre. Isso inclui a faixa de areia sobre ele. Portanto, nem donos de quiosques, nem locadores de mesas e cadeiras poderiam ocupar esses espaços. Não foi que a nossa equipe de reportagem constatou na manhã deste sábado. Os guarda-sóis, cadeiras e mesas só poderiam ser montados na orla da praia numa quantidade limitada: 15 conjuntos por cada locador  ou 10 conjuntos para cada hotel. Além disso, alguns artesãos expunham seu trabalho em alguns pontos do calçadão. Também não encontramos fiscais do município de Natal.

As distorções sobre o que pode e o que não pode em cada área revoltam banhistas e comerciantes. Próximo ao Morro do Careca, os conjuntos de cadeiras, mesas e guarda-sois foram completamente proibidos. O argumento jurídico é que o trabalho prejudica o conjunto paisagístico.

O problema paisagístico pode até ter sido resolvido, mas o social  permanece. Os locadores de mesa da área agora ficam no sol e receberam a orientação para circular com frequência. “Até o clientes reclamam. Antes a gente fazia uns R$ 300 por dia, agora é R$ 50 quando muito", disse Cristian Anderson da Silva de 22 anos. Ele trabalha junto com o pai vendendo coco, refrigerante, cervejas e alugava jogos de mesas, cadeiras e guarda-sóis.
Reordenamento facilitou a circulação na praia de Ponta Negra
O que mais revolta os comerciantes é o tratamento desigual entre os profissionais que vivem da praia. Eles destacam que os carrinhos que vendem bebidas e comidas terão dois meses para se adequar às novas regras, “mas para a gente, eles não deram nem uma hora", disse Antônio Laureano, pai Cristian e comerciante. Os vendedores dessa área chegaram a pedir para ocupar outros espaços, mas não foram atendidos.

Se quiseram, os banhistas agora tem que levar suas cadeiras e guarda-sol. Boa parte dos frequentadores também não concordam com a mudança. “Todos que trabalham aqui cuidam do morro. Eles impedem de as pessoas subirem. Essa proibição está afastando os turistas dessa parte da praia. Essas pessoas aqui fazem um serviço de utilidade pública”, opinou Chaim Frydland, médico e frequentador da praia. Na próxima terça-feira,  haverá uma audiência de conciliação entre o município de Natal e Ministério Público, autor da ação que resultou no plano de reordenamento. Tentamos entrar em contato com o Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), mas não conseguimos.


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