Resíduos de petróleo foram registrados no mar dos parrachos de Maracajaú

Publicação: 2019-10-10 00:00:00 | Comentários: 0
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As manchas de óleo que vêm aparecendo desde o início de setembro no litoral nordestino atingiram, também, os parrachos de Maracajaú, um dos principais conjuntos de corais do Rio Grande do Norte e destino de passeios turísticos. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação de Maxaranguape, município onde os parrachos estão localizados, e reiterada pelo secretário de Meio Ambiente local, Flávio Farias.

Litoral reúne muitas qualidades turísticas e a praia de Maracajaú é o destaque do município, com um cenário de lagoas para esportes, mergulhos e gastronomia
Um dos conjuntos de corais do estado, os parrachos de Maracajaú não estão prejudicados devido a substância não afundar

De acordo com o secretário, a constatação do aparecimento das manchas foi feita pela Fundação Para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Potiguar (Fundep), que monitora a região. Ainda de acordo com o titular da pasta, o aparecimento do óleo nos parrachos, localizados a 7 quilômetros da Praia de Maracajaú, não atrapalharam os passeios turísticos. De acordo com nota do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Meio Ambiente – Idema, a vida marinha do local não foi atingida. “Vale destacar que este resíduo é um composto com abundancia em hidrocarbonetos e sendo assim não afunda, não tendo contato com os corais”, afirma a nota assinada por Keliton Gomes Ferreira, Coordenador de Projeto de Pesquisa e Monitoramento Ambiental e Turístico da APA dos Recifes de Corais. E o secretário de Meio Ambiente do Município ressalta que a atividade turística permanece normal”.

Também no município, porém nas praias, a prefeitura de Maxaranguape está realizando ações de limpezas contínuas. No entanto, o secretário prefere não determinar um prazo para que todos os resíduos tenham sido recolhidos corretamente. "Disponibilizamos servidores para realizar a coleta do óleo, o qual estamos armazenando. No entanto, não dá pra transferir toda a equipe de limpeza do município para essa atividade. Com os resíduos vem de alto mar, eles voltam a se acumular, então não há como aprazar nada", explica.

Riscos
O petróleo que atinge o litoral do Nordeste, com registro em 24 pontos do Rio Grande do Norte desde setembro, ameaça ecossistemas sensíveis da região, como manguezais, recifes e costões rochosos. A avaliação é da bióloga Maria Christina Araújo, professora de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. De acordo com a especialista, remover o petróleo nessas áreas é “impossível” e pode afetar diversas espécies de plantas e animais de maneira irreversível.

A presença do material é considerado um crime ambiental sem precedentes no Brasil e as consequências para o meio ambiente ainda são desconhecidas.  Em um mês, 17 animais (entre tartarugas marinhas e aves) foram encontrados contaminados pelo petróleo e ao menos 11 morreram. O projeto Tamar, que atua na preservação de tartarugas marinhas, foi obrigado a suspender algumas das atividades devido à presença das manchas.

Apesar de não haver registros oficiais de petróleo nesses biomas, Maria Christima ressaltou que as observações estão concentradas nas regiões mais povoadas e nas praias com interesse turístico. “Já pode ter atingido ecossistemas mais sensíveis e não termos essa informação porque existem áreas do nordeste quase desertas”, diz. “A probabilidade que já tenha atingido é muito alta porque só aqui em Natal, por exemplo, tem o estuário do Rio Potengi que é muito próximo da Praia do Forte”.

A especialista também afirmou que a remoção nessas áreas é mais complexa e considerou impossível  que sejam feitas totalmente. Para ela, o esforço está concentrado em praias por ser mais fácil e por ter motivações econômicas. “O foco de atuação para a retirada está nas praias arenosas, especialmente porque estamos em uma época de verão. Isso vai afetar a atividade do turismo com certeza”, disse.

Nenhuma ação no Rio Grande do Norte foi iniciada com o objetivo de evitar que o petróleo atinja estuários mais sensíveis. Em Sergipe, onde as manchas chegaram em maior volume, a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) instalou bóias absorventes para conter o avanço do material na foz do rio Vaza-Barris, uma região de Aracajú e que faz conexão com outros rios.

Segundo o boletim do Ibama, o Rio Grande do Norte foi o Estado com mais áreas atingidas pelo material. Os primeiros ocorreram no dia 2 de setembro. A limpeza nas praias atingidas é, entretanto, limitada por falta de estrutura da maioria dos municípios. O volume de material retirado ainda não foi informado.

A bióloga Maria Christina de Araujo afirma que recolher esse material um mês depois dos primeiros registros é difícil mesmo nas praias. “O óleo vai ficando mais denso e se enterrando na areia. Isso já acontece e vai ser muito difícil de retirar o óleo na totalidade”, considerou.

Recomendações:
Evite contato com o resíduo;

Se ocorrer contato com a pele, higienize a área afetada com gelo e óleo de cozinha;

Em caso de ingestão ou reação alérgica, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima;

Entre em contato com a prefeitura para informar a localização da mancha;

Ao encontrar um animal contaminado:

Evite contato com o mesmo;

Proteja-o do sol;

Não devolva o animal contaminado para o mar;

Informe o paradeiro do animal ao Projeto Cetáceos Costa Branca (99943-0058, WhatsApp e 24h)

Localidades afetadas pelo petróleo no Rio Grande do Norte:
Baia Formosa

Barreira do Inferno

Búzios (Rio Doce)

Camurupim

Foz do Rio Catu

Foz do rio Pirangi/Pium

Jacumã

Jenipabu

Maracajaú

Muriú

Parrachos de Maracajaú

Perobas

Pirambu

Pirangi do Sul

Pirangi do Norte

Pirambúzios

Praia de Alagamar

Praia do Amor

Praia do Giz

Redinha

Rio do Fogo

Rio Punaú

Sagi

Santa Rita

Simbaúma/das Minas

Tabatinga/Tartarugas

Via Costeira

Zumbi

Número de áreas atingidas na região nordeste
Alagoas:   13

Ceará:   10

Maranhão:   11

Paraíba:   16

Pernambuco:   19

Piauí:  2

Rio Grande do Norte:  24

Sergipe: 10

Bahia:  2




Fonte: Ibama








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