Cena Urbana - Vicente Serejo
Rescaldo
Publicado: 00:00:00 - 03/12/2021 Atualizado: 23:21:13 - 03/12/2021
Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Divulgação


A posição mais cômoda para se justificar o retorno de Lula tem sido jogar nos ombros do Supremo Tribunal toda a culpa por libertá-lo e deixá-lo voltar às ruas e microfones. A rigor, há mais culpas e mais ombros. Para ser isento, o desfecho contou com a contradição de uma Corte que mandou prender e só depois ‘descobriu’ que tudo foi ilegal, quando a culpa maior foi permitir que o processo transcorresse todo na base do jogo casuístico e nunca sob o império isento da lei. 

Começa quando o juiz Sergio Moro deixa as marcas da estratégia que seguiria, aquela que fora modelo na ‘Operação Mãos Limpas’, da Itália. O tripé de sustentação ficou bem exposto: 1) a cruzada contra a corrupção; 2) o papel heroico do Ministério Público a emparedar a Justiça e 3) o apoio da opinião pública, arregimentada pelos veículos formais e pulverizados pelas redes sociais, numa avalanche de denúncias catapultadas sem que nada se questionasse hora nenhuma.  

O extremismo venceu. Duvidar, de um lado, era ser lulista, portanto, comunista; do outro, era ser de direita e, portanto, bolsonarista. Enquanto a Justiça, levada pelo temor de decepcionar as multidões, ficou a reboque de tudo. Culminou com o Supremo mandando prender Lula, sem antes julgar se era constitucional nas circunstâncias de um espetáculo. Lula, velho lobo do mar da política, esperou ser preso na sede do sindicato para caracterizar a prisão como um ato ilegal.      

O imbróglio foi de tal ordem que fez vítimas de um lado e de outro. Mas, a vítima moral foi o então juiz Sergio Moro que, ainda com sua toga nos ombros, aceitou o convite do candidato a presidente, Jair Bolsonaro, para fazê-lo Ministro da Justiça. E o fez. Consagração tácita de que tudo estava articulado. Recentemente, veio a exoneração de Deltan Dallagnol, como se fosse natural um herói renunciar ao seu próprio heroísmo, como se temesse ser cobrado pelos erros.   

Tudo foi possível sob o nariz do Supremo, é verdade. Como a condução coercitiva de Lula a uma sala do aeroporto de Guarulhos, com revista policial de todos os cômodos e móveis da casa, sem que tenha sido convocado e negado a prestar depoimento. A desvairada devastação na vida de empresários e empresas, e a tentativa de destruição da classe política, tudo desmedido no trato de culpados e inocentes, com justiceiros raivosos substituindo juízes serenos e justos.      

Mas, por estranhas razões que só o tempo explicará, o desmonte de toda a farsa jurídica passou de certa forma pelo governo Jair Bolsonaro, resultado de um conflito surdo entre os dirigentes da ‘Operação Lava-Jato’ e a Procuradoria da República. O combinado, se é que existiu, não foi tão fácil manter por muito tempo, e os casuísmos começaram a ruir. Como se, antes, sem Lula, fosse fácil vencer. E foi. E, agora, contra o mesmo Lula, fosse o melhor para derrotar. Será? 

ROSADOS - Se o deputado federal e ministro Fábio Faria, aliado do prefeito Alysson Bezerra, assumir a sigla do Progressistas, como fica o deputado federal Beto Rosado que preside o partido? 

COMO? - Rosado é adversário de Alysson Bezerra e seu grupo político, daí ser pouco provável acomodá-los numa mesma sigla. A presidência do Progressistas, quem sabe, fica com Bezerra. 

ALIÁS - Também não é fácil a posição do ex-governador Robinson Faria. Seu partido, o PSD, pode ter Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, candidato a presidente contra Jair Bolsonaro. 

COMO? - É muito pouco provável que seja do agrado do presidente Jair Bolsonaro que o pai do ministro Fábio Faria apoie o senador Rodrigo Pacheco. A nova política virou um baião de dois. 

SONETOS - O humorista de tevê Gregório Duvivier é a novidade e bem recebida aquisição da literatura brasileira na poesia erótica com o novo livro lançado: ‘Sonetos de amor e sacanagem”. 

HORTO - Dia 10, 19h, na Academia de Letras, será lançada a edição do ‘Horto’, de Auta de Souza, baseada na edição original, de 1900. Introdução e notas de Carlos Castin e Fábio Fidelis.

TIMBU - Um leitor desta coluna manda lembrar: até hoje, que se saiba, o inofensivo Timbu só atacou as galinhas. Assim mesmo, quando estão presas no galinheiro e sem chance para escapar. 

NATAL - O Tirol deve ganhar nos próximos dois anos uma grande torre muito moderna com apartamentos um por andar, duplex e tríplex. A qualidade de vida de Tirol e Petrópolis é superior.    

BÚZIOS - Só uma cartomante, e com velha experiência na leitura dos búzios, sabe como vai ser o futuro do Partido Liberal com a entrada do presidente Jair Bolsonaro para arrumar o balaio de gatos em que se transformou o PL, presidido aqui no Estado, pelo deputado federal João Maia. 

COMO? - Ninguém sabe qual será a posição da bancada estadual do PL formada pelos deputados Kleber Rodrigues, Ubaldo Fernandes e George Soares. Este foi o líder da governadora Fátima Bezerra nos dois primeiros anos do governo e continua na conta dos apoiadores na Assembleia. 

DETALHE - É preciso não perder de vista a possibilidade real do deputado federal Eliéser Girão assumir a sigla do PL, seguindo, até por coerência, a liderança do presidente Jair Bolsonaro. Só que Girão é dos mais ferozes críticos da governadora Fátima Bezerra. E não mudará de opinião. 

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