Resenhas eleitorais

Publicação: 2018-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Valério Mesquita
Escritor                
mesquita.valerio@gmail.com


01) Cenário desta história, contada por uma testemunha ocular, é Santo Antônio do Salto da Onça. Corria o ano eleitoral de 1997 para a renovação das cadeiras legislativas. Luiz Antônio Vidal, ex-deputado e líder absoluto da região agreste se encontrava na fazenda do seu pai, o saudoso ex-prefeito Lindolfo Vidal. Era início de noite. Nas ruas, preparativos para um grande comício. Álvaro Coutinho da Mota, então candidato a deputado federal, credenciava-se a receber o apoio de Luiz Antônio. De repente, chega o também candidato Grimaldi Ribeiro. Bem ao seu estilo, pragmático e demolidor, Grimaldi chama Luiz Antônio a um canto e propõe as “cláusulas” do apoio munido de persuasivo talão de cheques. Grimaldi pede a Luiz trinta minutos para fazer logo o comício de apoiamento. Este refuta o prazo: “Uma hora!!”. Imediatamente, Luiz manda o assessor buscar no automóvel de Grimaldi todo o seu material de propaganda. Embaraçado, o assessor interroga Luiz: “E os retratos de Álvaro Mota que já pregamos nas ruas dá tempo de rasgar?”. Resposta pronta, política, à maneira vidaliana: “Não dá tempo. Prega por cima”.

02) Comício de Ronaldo Soares em Açu. Povo doidão na praça. O locutor vibrante anuncia a palavra de Chico Galego, candidato a vereador, líder da Lagoa do Piató. Ao receber o microfone sem fio, assustou-se com o equipamento e tratou de reclamar: “Cadê a correia dele Lourinaldo, cadê a correia, esse bicho não vai falar de jeito nenhum!!!”. Aí a galera vibrou.

03) Caicó, mais uma vez em cena. Era o ano de 1976, quando a campanha municipal corria frouxa mas furibunda para não dizer perigosa. Pelo lado do PDS Irami Araújo era o candidato sofrido, marcado pela agressividade dos seus adversários. A coisa chegou a tal ponto que o vereador Antônio Bernardino ligou diretamente para o senador Dinarte Mariz a fim de mandar reforços para o policiamento da cidade. Dia seguinte. chegou uma tropa de choque da PM que foi logo mandando brasa e dissolvendo reuniões políticas tanto de gregos quanto de troianos. O próprio vereador Bernardino, quando apartava uma briga, levou uma traulitada “tão democrática” e segura nos testículos que foi se queixar ao staff político: “Irami, que erro cometemos por ter chamado essa tropa de choque! Levei agora um chute no meu baixo ventre que acho até que atingiu a potência!!”.

04) O ex-deputado Aloísio Campos, do PMDB da Paraíba, disputava uma eleição para o Senado. Encarregou Osvaldo Trigueiro, seu coordenador de campanha da organização de mais um comício numa cidade do interior paraibano. Quando o candidato chegou já estava preparado o palanque, a iluminação, o foguetório e as bandeirolas. Mas, de cima do palanque só divisou em frente, numa calçada, um casal de velhos em duas cadeiras de balanço. “E a charanga, onde está?”. Perguntou, aflito, o candidato. “Naquele bar, bebendo”, respondeu o diligente coordenador. “Mas, o povo, Osvaldo, onde está o povo?”, “Ah! Doutor... Se tivesse povo, o candidato seria eu!”, encerra o diálogo o competente marqueteiro.

05) Nos comícios do interior, notadamente na área rural, tudo é festa. Antigamente, o povo em pé, escutava, sofria, levava chuva, mas permanecia. Todos eram trazidos ao comício por caminhões de diferentes lugarejos e esperavam até terminar. Num povoado de Ielmo Marinho, pela madrugada, chegou atrasadíssimo o deputado Henrique Eduardo Alves. Antes dele, o locutor anunciara a palavra do prolixo deputado Lara Ribeiro. Preocupado com o povo, desde às dezenove horas presente na praça, o deputado Wober Júnior pediu ao prefeito, irmão do deputado Lara, a essa altura já com a palavra, que apelasse no sentido de encurtar o pronunciamento: “Tarcísio, abrevie o discurso porque senão o povo vai embora”. Lara Ribeiro, guru e PhD em política pelas ribeiras do Potengi, virou-se, sinteticamente: “Embora pra onde?”.

06) Em certo comício em homenagem a Zé Agripino em Caicó, anos atrás, em frente ao Hotel Vila do Príncipe, um popular, conhecido por Zé de Dari, ao ver juntos no palanque os contrários: Agripino e Geraldo, Lavô e Wilma, Nelter e Cipriano, Vivaldo e Vidalvo, exclamou: “Isso aí virou fim do mundo. Juntaram de novo Abel e Caim”. Nos dias correntes tá tudo a mesma coisa.







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