Restauro do Armazém Real é retomado

Publicação: 2019-03-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

Construção do século 18 em estilo colonial, e considerado um dos melhores exemplares da arquitetura civil de Natal daquela época, o imóvel onde funcionou o Armazém Real da Capitania e serviu de residência para o Padre João Maria (1848-1905) está em processo de restauração. As obras estão em curso, tocadas pela superintendência regional do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e a previsão é que o serviço seja concluído até setembro deste ano. A intenção da obra, além da própria conservação em si da edificação, visa conferir acessibilidade à estrutura. A restauração da ex-sede do Iphan-RN, localizada no número 603 da Rua da Conceição, também receberá melhorias nas instalações elétricas, de rede lógica e hidráulica.

Reforma da antiga sede do IPHAN é um dos poucos projetos realizados com os recursos federais do PAC Cidades Históricas
Reforma da antiga sede do IPHAN é um dos poucos projetos realizados com os recursos federais do PAC Cidades Históricas

O investimento, segundo informações publicadas na página eletrônica do Ministério do Planejamento, alcança R$ 1,1 milhão. Os recursos são do PAC Cidades Históricas, disponíveis desde o final de 2013. Ainda não está definido qual será a destinação de uso do imóvel após conclusão das obras de restauração.

No início dessa semana, após verificar um suposto descarte irregular durante as obras de restauração, a reportagem do VIVER questionou a superintendência regional do órgão sobre a relevância histórica do material descartado (tijolos de aparência antiga) – vide embargo do Iphan-RN ao serviço realizado no Instituto Histórico e Geográfico do RN, entidade cultural que fica na mesma rua a poucos metros do antigo Armazém Real da Capitania. Na ocasião, foi constatada a retirada irregular de ladrilhos hidráulicos do piso do auditório do IHGRN.

O superintendente substituto do Instituto que cuida do patrimônio, Márcio Alekssander Granzotto Kuntze, assegurou tratar-se “dos resíduos da demolição da estrutura edificável contemporânea, anexa ao prédio histórico e construída como apoio para o funcionamento da antiga sede do Iphan-RN. Esta estrutura contemporânea sofrerá adequação, visando implantação da entrada acessível da edificação e o atendimento às normas municipais”.

Restauração inclui alterações para garantir acessibilidade
Restauração inclui alterações para garantir acessibilidade

Ele adiantou que “na medida do possível, as características construtivas da edificação e suas divisões internas serão preservadas, intervindo o mínimo possível na estrutura”.

Entre os séculos 17 e 18, os armazéns reais serviam como depósito para armas, munições, fardamento, ferramentas, alimentos, equipamentos náuticos e outras mercadorias destinadas ao uso das forças militares da Coroa Portuguesa ou repartições civis que existiam nas sedes das capitanias e/ou em povoações estrategicamente localizadas no interior ou no litoral do Brasil.

Márcio Granzotto disse ainda que o Iphan-RN “tem desenvolvido diversas tratativas para discutir as possibilidades de ocupação e utilização da edificação”. Não está descartada a possibilidade de cessão do imóvel para o Estado ou Município: “Nossa intenção é que a edificação seja utilizada como equipamento cultural”, assinalou.

Parede de pedra e cal
Construído em meados de 1752, em alvenaria de pedra e cal, o prédio passou por diversas reformas ao longo de sua história, chegando a servir de residência e comércio. A parede de pedra, da construção original, ainda está em condições normais, conforme observado na visita da reportagem.

Edificação mantém as paredes de pedra e cal de sua origem
Edificação mantém as paredes de pedra e cal de sua origem

Atrasos no projeto
A obra de restauração da antiga sede do Armazém Real da Capitania, na Cidade Alta, só foi autorizada em janeiro deste ano – apesar do projeto de restauração ter sido aprovado pelo PAC Cidades Históricas em 2013.

Márcio Granzotto explicou que o início da obra só pode ser autorizado após aprovação do projeto de restauração, proposta que demorou a ser finalizada devido problemas contratuais com a empresa que ganhou a licitação para elaborar o projeto. A pendência paralisou o trabalho entre 2014 e 2016, e o contrato desfeito em 2017.

“Todo o período que o projeto ficou parado, o Iphan-RN manteve a edificação desocupada, fechada, conservada e vigiada; empenhando esforços para que a obra fosse licitada e executada”, ressaltou o superintendente substituto do Iphan-RN. Granzotto frisou que o imbróglio contratual envolveu apenas a fase da elaboração do projetos de restauração. A previsão para conclusão dos serviços é setembro de 2019, quando se completa oito meses de obras.

Obra do Arquivo Diocesano será realizada pelo Iphan
O Iphan-RN também é responsável pelas obras de restauração do antigo Arquivo Diocesano, edificação que fica na esquina das ruas Quintino Bocaiúva e Padre Joaquim Manoel, na Cidade Alta. De propriedade da Arquidiocese de Natal, o prédio foi construído nos anos 1930. Sua recuperação também foi aprovada pelo PAC Cidades Históricas em 2013, mas devido à fortes chuvas parte do lugar desabou em março de 2014.

Armazém Real já foi comércio e residência do Pe. João Maria
Armazém Real já foi comércio e residência do Pe. João Maria

O objetivo é restaurar o imóvel para que possa receber o arquivo diocesano que hoje encontra-se no subsolo da Catedral Metropolitana na Av. Deodoro. De acordo com a superintendência regional do Iphan, o processo de contratação da obra “encontra-se em fase de elaboração do edital. O início do serviço depende, ainda, de alvará e licença emitidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo”, informou Márcio Granzotto, do Iphan-RN. Ele acrescentou que o trâmite para emissão dos documentos junto à Semurb é de responsabilidade da Arquidiocese de Natal, proprietária do imóvel.












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