Resultado deve estar pronto em novembro

Publicação: 2020-06-30 00:00:00
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Amanda Pupo e Marlla Sabino
Agência Estado

Brasília (AE) - A diretora de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos, Camile Sachetti, afirmou que o governo espera ter resultados preliminares da eficácia da vacina para a covid-19 entre outubro e novembro. O governo anunciou no fim de semana parceria com a Universidade de Oxford e AstraZeneca para a compra de lotes de vacina e transferência tecnológica.

Créditos: DivulgaçãoCamile afirma que as avaliações da vacina serão mensaisCamile afirma que as avaliações da vacina serão mensais


"Os resultados de eficácia da vacina serão avaliados mês a mês e serão incluídos ao Reino Unido para serem avaliados nesse conjunto. Então, a ideia é que esses resultados preliminares sejam apresentados entre outubro e novembro. Todos esses dados serão somados aos dados mundiais", disse durante entrevista coletiva.

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, as 100 milhões de doses previstas no acordo serão produzidas no Brasil através da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Para os primeiros lotes, o País receberá o princípio ativo da vacina (Concentrado Vacinal Viral - IFA), mas com a produção e envasamento do imunizante em território nacional.

Com os dados de segurança (farmacotécnica e farmacodinâmica) da vacina, o primeiro lote de 30,4 milhões de doses será distribuído para o grupo prioritário, de pessoas idosas e comorbidades, por exemplo, explicou o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros. O primeiro lote, com 15,2 milhões de doses, é esperado para dezembro. Segundo Franco, tendo essas vacinas, o Brasil já poderá começará a distribuição. O segundo lote, com os outras 15,2 milhões de doses, estão previstas para janeiro de 2021.

De acordo com o Ministério da Saúde, se a vacina obtiver o registro no Brasil, serão produzidas mais 70 milhões de doses num segundo momento. Medeiros afirmou que o Brasil chegou ao número de 100 milhões de doses para que a cobertura atinja todos os idosos, pessoas com comorbidades, profissionais da saúde, professores, indígenas, pessoas em privação de liberdade e profissionais de segurança e motoristas de transporte coletivo. De acordo com o secretário, tendo o lote, a distribuição é feita em questão de semanas. "Isso porque temos o SUS, a distribuição é muito rápida", disse.

Os técnicos presentes na coletiva afirmaram ainda que, com a parceria, o Brasil também tem a previsão de produzir, em algum momento, o princípio ativo para a vacina. Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Hélio Angotti Neto disse que isso irá depender do avanço das pesquisas e do plano de trabalho pactuado pela Fiocruz. "Na segunda grande remessa, de 70 milhões de doses, está incluído no preço da importação do ativo. Observamos no mercado que muitas vezes produzir é mais caro que importar, mas temos visão de que poder desenvolver o ativo tem valor estratégico. Tudo isso tem de ser visto conforme a situação evolui, conforme preços, conforme outras opções, pode ser que tenhamos mais opções de vacina, e cenário será avaliado", disse Angotti.

‘Dexametasona a pacientes graves salva vidas’, diz OMS
São Paulo (AE) - O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou ontem que o corticoide dexametasona "salva vidas" de pacientes graves da covid-19. Um dia antes de se completarem seis meses desde o primeiro caso relatado do novo coronavírus, a entidade estabeleceu cinco novas diretrizes para os países enfrentarem a pandemia. Em uma delas, intitulada "salvar vidas", Tedros citou o medicamento.

"Identificação precoce dos infectados e cuidados clínicos precoces salvam vidas. Dar oxigênio e dexametasona a pessoas com casos graves da covid-19 salva vidas. Dar atenção aos grupos de risco, inclusive aos idosos e pessoas de cuidados prolongados, também salva vidas", afirmou o diretor.

O líder da organização comentou sobre o ressurgimento de casos em países que reabriram a economia e ressaltou que muitas pessoas ainda estão suscetíveis à covid-19. De acordo com o diretor, a pandemia ainda se estenderá por um longo período.

"Muitos países implementaram medidas nunca antes vistas para suprimir a transmissão e salvar vidas. Essas medidas tiveram sucesso, mas não interromperam completamente a doença. O vírus ainda tem muito espaço para se disseminar. Todos queremos o final disso. Todos queremos que a vida continue. Mas a dura realidade é: não estamos nem próximos do final. Embora vários países tenham progredido, globalmente a pandemia está acelerando", alertou.

Além do tópico sobre preservação de vidas, a OMS estipulou outras quatro orientações: empoderamento das comunidades, supressão da transmissão, aceleração das pesquisas e liderança política. 

"Independentemente do estágio em que o país se encontra, essas cinco prioridades, se executadas consistentemente e coerentemente, podem fazer toda a diferença. A questão crítica que todos enfrentarão nos próximos meses é como conviver com esse vírus. Este é o novo normal", disse.

Números no país
O Ministério da Saúde informou ontem que foram registradas 692 mortes e 24.052 novos casos de covid-19 em um intervalo de 24 horas no País. No total, o Brasil soma 58.314 óbitos e 1.368.195 contaminados.Dos casos confirmados de coronavírus no País, 757.462 estão recuperados e 552.419 estão em acompanhamento. O Estado de São Paulo segue liderando em número de casos (275 145) e mortes (14.398) decorrentes da doença; seguido pelo Rio de Janeiro (111.883 casos e 9.848 óbitos) e Ceará (108.225 e 6 076). 






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