Retomada da economia passa por reequilíbrio das contas

Publicação: 2017-09-24 00:00:00 | Comentários: 0
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Crise fiscal e suas consequências para o Poder Público e Rio Grande do Norte, além de soluções para que a economia volte crescer. Esse foi o tema tratado por empresários, economistas e autoridades que participaram da 31ª edição do seminário Motores do Desenvolvimento do RN, realizado nesta segunda-feira (18) e que teve como tema "A Participação do Estado na Economia: Como o Equilíbrio Fiscal Influencia o Mercado". Os participantes e palestrantes enalteceram o assunto levantado na discussão e cobraram que o Poder Público tome medidas urgentes para reequilibrar as contas.

Números e informações sobre a  situação econômica e fiscal do Rio Grande do Norte, bem como medidas e soluções para ajustar as contas foram debatidas durante o 31º Motores do Desenvolvimento
Números e informações sobre a situação econômica e fiscal do Rio Grande do Norte, bem como medidas e soluções para ajustar as contas foram debatidas durante o 31º Motores do Desenvolvimento

O Seminário detalhou números e informações sobre a  situação econômica no estado, o modo como o comércio e os serviços dependem da saúde financeira do Governo potiguar e as possíveis soluções para que a crise seja superada. No entendimento dos realizadores do encontro, já passou da hora do Poder Público tomar medidas drásticas. Um grande público compareceu ao hotel Holiday Inn, em Lagoa Nova, para assistir ao seminário.

O presidente do sistema Fecomércio, Marcelo Queiroz, foi o responsável pela abertura oficial do seminário. Enaltecendo a importância do debate, Queiroz disse que o debate é um dos mais relevantes já discutidos pelo Motores do Desenvolvimento, principalmente devido à influência que os gastos públicos têm na economia potiguar, onde um terço de toda a massa salarial do Rio Grande do Norte é de servidores públicos.

“O setor de comércio e serviços se vê duplamente prejudicado. Com recursos escassos, fornecedores enfrentam dificuldades para receber do Poder Público, e com o atraso de salários dos servidores, o poder de compra dos potiguares é fortemente atingido", explicou. O presidente da Fecomércio defende que já passou da hora da máquina pública se somar em um esforço por um Rio Grande do Norte maior e melhor. “Fazer isso é mais que um dever, é uma obrigação de todos os gestores. De todos eles", finalizou.

A diminuição do Governo Central é um dos caminhos para atenuar a crise fiscal, para escritor e economista Eduardo Giannetti Fonseca. “A quem interessa o dinheiro que nós pagamos ir para Brasília e depois voltar?”, questiona o palestrante.

O economista Raul Velloso, em sua fala durante o seminário, defendeu que somente o fim da recessão recolocará as receitas nos trilhos, mas que sem melhorar o nível dos gastos públicos, a PEC do Teto dos Gastos, que entra em vigor a partir do próximo ano, poderá não surtir efeito.

Em um debate mediado pelo presidente da Fecomércio, Marcelo Queiroz, o consultor Cláudio Porto, ressaltou que não há choque de gestão que vá resolver o problema brasileiro. Para ele, além de uma gestão eficiente, algo que não existe atualmente no setor público, são necessárias reformas estruturais.

As análises

P.h.D em Economia e Especialista em Macroeconomia e Finanças Públicas, Raul Velloso
“O governo federal resolveu que o Banco Central iria abrir os cofres para financiá-lo, mas o mesmo não aconteceria com os outros entes. Nos Estados, a emergência financeira está aí, porque, de uma hora para outra, na maior recessão, a arrecadação desabou”

Raul Velloso, P.h.D em Economia e Especialista em Macroeconomia e Finanças Públicas

Presidente da Macroplan, Cláudio Porto
 “Sem dúvida a má gestão gera distorções e problemas muito graves, muito sérios, e muitas vezes desastres significativos. Eu digo o seguinte: o problema brasileiro não se resume a uma questão de gestão, mas também a questão de política, de liderança e de reformas profundas, que não há choque de gestão que resolva por si só o tamanho dessa crise".

Cláudio Porto, Presidente da Macroplan

Economista Eduardo Giannetti Fonseca
“Não vejo por que o dinheiro público precisa ir até Brasília e depois voltar para os estados. Ele deveria ser gasto o mais próximo possível de onde é arrecadado. O cidadão mora no município, precisamos dar poder aos governos locais. Isso é cidadania tributária”

Eduardo Giannetti Fonseca, Economista


Projeto completa 10 anos
Iniciado no ano de 2008, o Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte tem a finalidade colocar o setor público, a iniciativa privada e produtores de conhecimento do Estado na mesma mesa. Juntos, eles discutem desafios atuais, propõem soluções e tentam se antecipar a cenários futuros.

Com o intuito de impulsionar o progresso potiguar, o evento já trouxe para essa mesa de debates economistas, consultores, ministros, ex-ministros, jornalistas, autoridades de várias áreas do conhecimento, governantes, parlamentares, lideranças empresariais e empreendedores de sucesso de todo Brasil.

Os temas destacados nestas 31 edições foram os mais diversos: Empregabilidade, Tecnologia da Informação, Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, Transporte e Mobilidade Urbana, Gestão pública, Hub da Latam, Infraestrutura, Copa do Mundo de 2014, Educação Profissionalizante, Indústria, Energia, Empreendedorismo, Eleições, Turismo, Agronegócio e Pesca, Crise Econômica, Parques Tecnológicos, dentre outros.


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