Retratos da Vida

Publicação: 2021-01-27 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Almira Carlos Vidal
Dos meus oito filhos, Jânio é o que ficou como caçula por mais tempo - quatro anos, diferente dos quatro mais velhos que o antecederam e de outros dois que o seguiram. Entre esses o tempo de diferença entre um filho e outro era sempre inferior a dois anos. Depois dos sete, nasceu Carlos Neto que tem o privilégio de ser o caçula de todos.

Na condição de caçula por quatro anos, a Jânio foi possível dedicarmos um tanto de atenção e registros das graças que só crianças fazem.

Eu estava operada de apendicite em Mossoró e minha irmã Cidinha levou todos os meus filhos para me verem no hospital. Todos olhavam com olhos carinhosos e quietos; não Jânio, o caçula da turma. Aos 3 anos de idade se aproximou de mim e pediu para ficar deitado ali pertinho ao meu lado, só um pouquinho. Era o costume que ele tinha de dormir perto de mim na minha cama, todos os dias após o almoço. Como ele insistia, a minha irmã sugeriu que eu afastasse o lençol e mostrasse o local com o curativo da cirurgia e assim fiz. Quando ele olhou, deu uns 3 passos para trás e perguntou, com os olhos esbugalhados:
- Vige mãe! Quem fez essa arte com a Senhora???

Ele perguntou de forma tão assertiva e forte, mantendo os olhos exageradamente abertos, e todos riram. Alguém falou e outros concordaram:
- Esse pinguinho de gente já quer vingar? Foi motivos de risos de todos nós e ele desistiu de subir na cama.

Em outra ocasião, quando íamos de trem para Mossoró, para o nascimento de Soraia, Jânio adormeceu no meu colo. Enquanto dormia, eu virei a cadeira da frente (os bancos dos trens possibilitavam isso) e com a cadeira de frente para a minha, forrei e o coloquei adormecido. Tempos depois ele acordou, sentou e olhando a janela do trem, com olhos abertos de espanto perguntou: 
- O tem rá ti ré?

Eu não entendia e outras pessoas que estavam próximas, vendo a ânsia dele por não se fazer entender também perguntavam e tentavam decifrar o que dizia. Perguntavam e ele repetia O tem rá ti ré? Falava ligeiro e queria uma resposta imediata. E nada.

Após um tempo, ele sentado, levantou os braços e falou bem devagarinho: 
- Eu quero saber se o tem tá andano de tostas? (eu quero saber se o trem tá andando de costas.) Claro! A cadeira dele e ele é que estavam de costas para a locomotiva que puxava o trem. Todos riram e explicamos a ele a situação. Seguimos até Mossoró. 

Em Mossoró, na casa da minha sogra, dona Maroca, onde era costume dormir às escuras, Jânio e mais uma graça. No meio da noite fui acordada pelo seu grito: 
- Chega mãe, tô cego, tô cego!

Todos da casa acordaram, eu não conseguia localizar o interruptor da luz no quarto e ele seguia gritando que estava cego. Coube a minha sogra devolver a luz aos olhos do meu caçula, ao acender uma das lâmpadas da casa.

Antes do nascimento de Soraia me perguntou se fazendo um pedido falando baixinho, Deus o atenderia. Ao ouvir o meu sim, levantou a cabeça em direção ao céu e pediu que Deus não mandasse um menino, mas sim uma menina, não queria ficar no canto. Pedido atendido! À época (1958) não se sabia previamente o sexo do bebê. Obrigada pela leitura. (ACV)

Créditos: Divulgação

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