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Revelações sobre a escalada dos preços dos combustíveis
Publicado: 00:00:00 - 23/09/2021 Atualizado: 23:51:25 - 22/09/2021
Alcyr Veras
Economista e professor universitário
            
Por que o preço da gasolina está nas alturas no Brasil?   Nossa macro atividade petrolífera está conectada (e não é de agora) com o mercado internacional do barril de petróleo, através dos chamados “petrodólares”. Uma parte considerável da gasolina que chega às bombas dos postos brasileiros, é oriunda de petróleo importado — e pouca gente sabe disso.

O Brasil prefere exportar aquela parte do petróleo extraído que tem melhor cotação de preço no mercado exterior.

Devido as várias interfaces entre a produção e a comercialização de petróleo (exportação e importação), a Petrobras não tem plena autonomia para fixar o preço interno da gasolina. Além disso, nossa moeda (o real) é muito frágil para garantir sua valorização diante das frequentes oscilações do câmbio.

É verdade que temos grandes reservas de petróleo nas profundas camadas do subsolo oceânico do Pré-Sal, mas não temos Know How próprio e suficiente para explorá-las de acordo com a matriz de custos competitivos. Sobre isso, a legislação brasileira é ainda muito conservadora para permitir a formação de leilões, por meio das flexíveis medidas de privatização. 

Os maiores produtores mundiais de petróleo são a Arábia Saudita, o Kuweit e o Irã. Esses países são os principais “manda-chuvas” da OPEP – Organização Mundial dos Países Produtores de Petróleo, entidade “soberana” que dita para o mundo, ao seu livre arbítrio, o preço internacional do Barril de petróleo.

Por que os Estados Unidos mantêm permanentes bases militares no entorno do Golfo Pérsico?   Por serem os maiores consumidores de petróleo do mundo, os Estados Unidos sabem que a indústria norte-americana depende, visceralmente, daquele “ouro-negro” para sobreviver. As reservas de petróleo do Estado do Texas, são ainda bastante incipientes em relação ao consumo interno do país.

Esquisita atitude comercial hipócrita: o maior produtor de petróleo da América do Sul e da América Latina é, inegavelmente, a Venezuela. De predominante tendência socialista, a Venezuela vende 70% de seu petróleo aos Estados Unidos, e ao mesmo tempo o acusa de ser o país mais imperialista e de maior exploração capitalista do planeta.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo e Gás Natural (ANP), a produção de petróleo no Brasil cresceu 5.5% em 2020. Desde 2016, já acumula um aumento de 17,1%. Quem lidera a produção é a bacia de Campos (Rio de Janeiro), seguida da bacia de Santos (São Paulo).

Conforme informações da SECEX – Secretaria de Comércio Exterior, o Brasil nunca havia exportado tanto petróleo bruto como vem fazendo desde 2018. Nossos maiores compradores são a China, Estados Unidos e Chile. 

Vejamos a seguinte flagrante contradição. De um lado, estamos indo muito bem com o crescimento do Agronegócio, em alta, com o aumento das exportações de grãos e carnes. De outro lado, estamos aumentando o volume das importações de derivados de petróleo (gasolina, querosene de aviação, lubrificantes e outros). Isso faz aumentar o déficit acumulado da Balança Comercial. Para corrigir esse desequilíbrio, os especialistas acham que, ao invés de exportar o petróleo bruto, o Brasil deveria beneficiá-lo, internamente, ampliando assim a capacidade de produção de suas Refinarias.

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