Revirando o baú do sertão

Publicação: 2018-07-01 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Jessier Quirino mergulha num sertão que não existe mais para voltar à tona cheio de histórias para contar. É o que ele vai mostrar no show “Juntando os cacarecos”, dia 14 de julho, no Teatro Riachuelo. O escritor, poeta e prosador paraibano reúne poemas e histórias de sua lavra (ou bem apanhadas na cultura popular), que tenham, por essência, a textura, a cor e o lado carcomido do sertão.

Sozinho no palco, Jessier vai lançar um olhar minucioso para as coisas simples do dia a dia
Sozinho no palco, Jessier vai lançar um olhar minucioso para as coisas simples do dia a dia

Jessier apresenta-se sozinho, almofadado por boa luz e um grande cenário que retrata cacarecos e outros motivos interioranos, ilustrando os causos, dialogando com a narrativa, e com o público. Aos modos de um casal de noivos sertanejos, que juntam seus cacarecos para se casar, o poeta lista suas histórias com um cotoco de lápis que é muito grafite, pra animar o dia a dia e desanuviar o cansaço. O poeta lança um olhar minucioso para as coisas simples do dia a dia, seja na poesia ou nos causos sertanejos, com voejos de contemporaneidade e renovação.

O texto de Jessier mira na narrativa popular, mas costuma ir além. Ultrapassa barreiras, através do nonsense disparatado, chegando a temas inesperados que vão do lirismo ao picaresco, como qualquer boa história. O show do artista paraibano é um recital de contação de histórias, ditas, cantadas e declamadas, que leva a plateia a revisitar as bases sertanejas onde nasceram ou de onde vieram seus pais e avós.

O mestre acredita que a aceitação de seu “matutês” está ligada ao molho contemporâneo inovador com tibungões no substantivo, na erudição, na métrica e ritmo apurados, e principalmente na força declamatória dos recitais. “O registro dos poemas em CD foi uma exigência do público e confirma este fato”, ressaltou.

Além dos shows, Jessier Quirino tem oito livros lançados. O artista despontou ao lançar “Prosa Morena”, em 2001, que abriu veredas para uma visão mais elaborada da poesia nordestina. Em seguida vieram “Paisagem do interior”, “Chapéu mau e lobinho vermelho”, “Política de pé de muro – O comitê do povão”, “Agruras da lata d’água”, “Bandeira nordestina”, e “Berro novo”.

Jessier Quirino nasceu em Campina Grande no estado da Paraíba, no dia 30 de abril de 1954. Foi aluno do Instituto Domingos Sávio e do Colégio Pio XI. Com 11 anos ingressou na Escola de Artes. Formou-se em arquitetura e exerceu a profissão por alguns anos. Começou a compor sob a influência da poesia matuta de Zé da Luz e de Zé Laurentino, do cantar dos repentistas e da convivência com os sertanejos do interior da Paraíba.

Serviço
Jessier Quirino em “Juntando os Cacarecos”. Dia 14 de julho, no Teatro Riachuelo. Assinante da TN tem 50% de desconto em até dois ingressos.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários