Revisitando o passado sem nostalgia

Publicação: 2018-09-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro e Cinthia Lopes

Em turnê nacional com novo show “Ao Vivo Pra Caramba”, o cantor e compositor Humberto Gessinger desembarca em Natal para se apresentar no Teatro Riachuelo no próximo sábado (15), às 21h. No repertório, canções do disco “A Revolta Dos Dândis” (1987), segundo álbum de estúdio do Engenheiros do Hawaii, responsável por catapultar a banda de notoriedade sulista à estrela nacional. O cantor também mostrará músicas inéditas, como “Pra Caramba”, “Cadê?”, “Das Tripas Coração” e “Saudade Zero”.

Gessinger: Criando mais combustível para cair na estrada
Gessinger: Criando mais combustível para cair na estrada

No palco, Gessinger se apresenta no formato power trio, com ele assumindo o vocal, baixo e teclados, Rafa Bisogno na bateria e percussão, e Felipe Rotta na guitarra e violão. Os músicos acompanharam o cantor na gravação do novo DVD, o “Ao Vivo Pra Caramba” – registro da turnê “Desde Aquele Dia – A Revolta dos Dândis 30 anos”, gravado em agosto de 2017 em Porto Alegre. Segundo Gessinger, o show tem momentos pesados e acústicos. Confira a entrevista que o artista concedeu à equipe do VIVER: 

O DVD celebra os 30 anos do disco “A Revolta dos Dândis”, do Engenheiros do Hawaii. Fala-se muito que o disco foi responsável por alçar a banda gaúcha a sucesso nacional. É isso mesmo?
É muito legal, mas um pouco irônico, que o disco tenha alcançado este status. Se formos falar de sucesso comercial, o fato é que, de toda a fase inicial dos Engenheiros do Hawaii, é o único álbum que não ganhou Disco de Ouro. Demorou para as pessoas entenderem o disco. Mas, como é um disco muito forte, ele soube esperar. Este tipo de sucesso (a permanência e a profundidade das reações) é mais interessante do que o dos números.

Faz dez anos que o Engenheiros se despediu dos palcos. Há uma sinalização para possível retorno?
Eu só penso nisso quando me perguntam. Não é uma questão na minha vida. Penso haver muito mais continuidade do que ruptura na minha trajetória. Só tenho lembranças boas de meus companheiros e tenho muito orgulho de que as pessoas lembrem com carinho do passado, mas sinto que isso às vezes pode descambar para um fetichismo que não tem nada a ver com música. E meu lance é a música, não os rótulos. Não posso me dar ao luxo de ir pelo caminho mais fácil. Arte é procura.

A internet e as redes sociais aproximaram o artista dos fãs. Como você se relaciona com o público nas redes?
É estranho pra mim. Sempre fui muito tímido e reservado. Mas minha música fez com que muita gente se interessasse pelo que eu faço e deixo de fazer. Eu entendo, sou assim com os artistas que curto. Por outro lado, eu preciso de silêncio para criar. Não quero ficar dando pitaco sobre a vida alheia em rede social. Acho que, no fim, o pessoal me entende porque, se gostam de mim é porque sou assim. Vou levando de maneira natural. Reconheço que, se não fossem estes canais que se abriram fora da mídia tradicional, seria muito difícil, para mim, fazer o que faço. É um trabalho bem particular e o caráter horizontal da www ajuda que ele chegue em quem se interessa por ele.

Você disse que adora ser um espectador da passagem do tempo. Em mais de três décadas de carreira, muitos discos e livros lançados, como você se vê nos próximos anos? Há projetos e parcerias que sonhe consolidar?
Vai rolar uma novidade ainda este ano. Sei que é chato guardar segredo, mas é por um motivo conceitual. Acho muito burra a ânsia novidadeira da cultura pop. Nós artistas temos um pouco de culpa na criação destes mitos. Cada vez mais, quero que meus novos trabalhos se encaixem de forma harmoniosa ao lado de tudo que eu já fiz. Trilhando novos caminhos, sim, mas sem deixar de dialogar com minha história.  Ao lado disso, estou finalizando as canções para um disco de inéditas que lançarei no primeiro semestre de 2019. Mais combustível pra cair na estrada, que é onde a vida real está.

Você acompanha a cena musical atual, vê algum artista influenciado pelos Engenheiros? Como vê o legado do rock anos 80 para a música brasileira?
Talvez, por estar no olho do furacão, eu não consiga ver as influências particulares, específicas. Mas, no quadro geral, é óbvia a importância da geração da qual me orgulho de fazer parte. Construímos, em conjunto, um repertório interessante e modificamos um pouco a maneira como um músico encara a estrada no Brasil.

Serviço
Show “Ao Vivo Pra Caramba”, de Humberto Gessinger. Dia 15 de setembro, às 21h. Teatro Riachuelo Midway Mall. Ingressos: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia)









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