Revitalização do Alecrim começa a sair do papel

Publicação: 2014-03-05 00:00:00
As intermináveis fileiras de camelôs que tomam conta das calçadas, além do fluxo de veículos pesados que emperram o trânsito, principais características do bairro do Alecrim, vão deixar de existir. A Prefeitura de Natal se comprometeu, na semana passada, com empresários do bairro e entidades do comércio a realizar um projeto de revitalização do bairro histórico. A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) inicia, já no próximo mês, um censo sobre as principais necessidades da área comercial, a exemplo do que foi feito em 2013 com a Cidade Alta.

Inicialmente, o Município deve acatar um projeto elaborado pela Associação de Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), em conjunto com o Sebrae-RN, apresentado pela primeira vez em 2009. Com o custo inicial de R$ 25 milhões, o projeto prevê alterações na comunicação visual das empresas, na engenharia de trânsito e no mobiliário urbano, além da realocação do camelódromo. Atualmente existem 2 mil camelôs no bairro do Alecrim, de acordo com levantamento da AEBA.
Projeto de R$ 25 milhões para relocação de camelódromo, arborização do bairro e um novo relógio
O projeto também prevê a reorganização do chamado “quadrilátero do Alecrim” –  área que vai da Rua Gentil Ferreira em direção à Avenida Coronel Estevam. No plano está prevista a arborização e humanização da Praça do Relógio – com a construção de um teatro de arena, um museu, um café e um centro de informações –, além da iluminação, construção de novas paradas de ônibus e até a aquisição de um novo relógio. Já na parte de urbanização do bairro, está prevista a implantação de um plano gerencial de resíduos, coleta seletiva e instalação de um ponto verde.

O prefeito Carlos Eduardo  sinalizou positivamente com a realização do projeto a partir de 2015. A Semsur está responsável por fazer o levantamento de custo e as adequações no projeto, para que o plano de revitalização seja incluído na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2015. “Estamos fazendo um levantamento dos custos do projeto. Em abril, começamos um censo com os comerciantes, formais e informais, para que possamos realocá-los para espaços fora das calçadas”, adiantou a secretária adjunta de serviços urbanos, Fátima Lima.

O projeto inicial previa a realocação dos camelôs para o Mercado do Fogo, localizado na Avenida Coronel Estevam com a Rua Presidente Quaresma. O espaço conta com 53 boxes, e pode ser utilizado para abrigar os comerciantes informais do bairro. “Vamos fazer um reordenamento, padronizando os sombreiros das barracas e estabelecendo espaços para os camelôs”, afirma a adjunta da pasta. O censo realizado na Cidade Alta no ano passado guiou a mudança de 70 comerciantes informais, antes localizados na Avenida Rio Branco, para áreas nas ruas Princesa Isabel, Coronel Cascudo, João Pessoa e para o Beco da Lama, e o mesmo deve ser feito com o Alecrim.

Entretanto, ainda não existe um projeto específico para o reordenamento do trânsito do Alecrim, que hoje acomoda o tráfego de veículos privados, de carga e transporte público. De acordo com o presidente da AEBA, Francisco Derneval Sá, os 12 estacionamentos que existem hoje no centro comercial não conseguem atender a demanda de carros.

Prefeitura vai buscar parceria com empresas
O projeto de reordenamento do Alecrim, entretanto, não deve ser totalmente financiado pela Prefeitura. Existem negociações em andamento para que empresas  auxiliem na realocação dos camelôs e na construção de estacionamentos subterrâneos para o bairro. A entrada dessas empresas seria feita por meio de Parceria Público Privada (PPP). De acordo com o presidente da Associação de Empresários do Bairro do Alecrim, Francisco Derneval, proprietário da Casas Sarmento, já existem locais destinados para a construção das estruturas.

“Conseguimos um grupo local que se interessou em construir um projeto para realocação dos camelôs, mas ainda está em andamento”, informa o presidente. A área estudada fica localizada entre o colégio Sagrada Família e a delegacia do bairro, onde funcionava o antigo Hotel Buriti. A área não pertence à Prefeitura.

“Hoje já existe uma convivência pacífica entre os comerciantes formais e os camelôs, mas o que queremos é colocar esse pessoal em outro local para que, assim, tenhamos espaço para receber outras empresas”, diz Francisco Derneval.  O nome do grupo interessado, entretanto, o presidente não adianta. “Esse projeto seria o grande ponto de partida, funcionaria como uma vitrine do Alecrim para o Rio Grande do Norte. A partir dele podemos atrair parceiros para instalação de banheiros públicos e estacionamentos”, acrescenta.

Cerca de 50 mil pessoas trabanham no Alecri. São mais de seis mil empresas – do micro ao grande empreendedor – que funcionam na região.