Ribeira sonhada em debate

Publicação: 2020-01-25 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ramon Ribeiro
Repórter

Segundo bairro mais antigo de Natal, berço arquitetônico e cultura da cidade, a Ribeira já esteve melhor em tempos recentes. Mas nos últimos anos vive certo marasmo com o Teatro Alberto Maranhão fechado [para restauro] e a programação cultural sem atrair o movimento de antes. Ideias para requalificar a área existem aos montes, mas nada efetivo ou continuado é feito, seja pelo poder público ou pela iniciativa privada. É uma situação que gera debates, e é justamente para debater o bairro que foi pensada a roda de conversa “Ribeira do Futuro”, que acontece neste sábado (25), a partir das 16h, dentro da programação do Eco Praça – evento realizado na própria Ribeira, na Praça Augusto Severo, com entrada gratuita.

Créditos: Rodrigo Sena/Arquivo TNSegundo bairro mais antigo de Natal, a Ribeira reúne um dos maiores conjuntos arquitetônicos de valor histórico da cidade, mas a maioria dos prédios carece de reparosSegundo bairro mais antigo de Natal, a Ribeira reúne um dos maiores conjuntos arquitetônicos de valor histórico da cidade, mas a maioria dos prédios carece de reparos
Segundo bairro mais antigo de Natal, a Ribeira reúne um dos maiores conjuntos arquitetônicos de valor histórico da cidade, mas a maioria dos prédios carece de reparos

A roda de conversa tem como convidados a arquiteta e professora da UFRN, Ruth Maria da Costa Ataíde, Doutora em Pensamento Geográfico e Organização do Território pela Universidade de Barcelona e Coordenadora do Fórum Direito a Cidade; O professor universitário José Clewton do Nascimento, do Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFRN, Maurício Panella, antropólogo, artista multimídia e Diretor a Casadágua Instituto e Estúdio de Criação, responsável pelo Museu da Memória Afetiva. A mediação será de Henrique Lopes, músico e produtor cultural atuante na cidade de Natal e doutorando em História Social na USP.

A professora Ruth chama atenção para o fato de que não faltam projetos para requalificar a Ribeira. Mas o problema é que eles quando são postos em prática, não vão até o fim. “É importante perceber que a Ribeira tem sido largada nos últimos anos, mas o bairro não está abandonado por falta de projetos. Existe muita coisa pensada para a Ribeira, desde a década de 1990, mas os projetos não tem continuidade”, diz a arquiteta e urbanista, lembrando que a legislação urbanística da cidade prevê projetos para o bairro.

“Na legislação urbanística existe  um instrumento chamado Operação Urbana, que permite ao poder público e a sociedade civil que se articulem para realizar ações para a Ribeira. Infelizmente isso não tem acontecido como o previsto”.

Para Ruth, um dos principais empecilhos para a requalificação do bairro é a falta de articulação entre poder público e a iniciativa privada. “Algumas ações são feitas pelo próprio estado, como as de 1997 e 2007, mas no espaço privado, os proprietários das edificações, não se envolvem com esse processo de requalificação do bairro”, conta a professora. “Falta uma ação compartilhada de gestão que estimule a sociedade, e em particular, o segmento empresarial a participar desse projeto de requalificação da Ribeira. E falta também o interesse da própria sociedade, parte dela proprietária de imóveis ali, a entender que a cidade se constrói pelo conjunto das ações”.

No entanto, Ruth ressalta a população só vai se envolver quanto ver que há, por parte da gestão pública, uma ação permanente, articulada, publicizada. “Existem ações pontuais de alguns proprietários e empresários, como a nova galeria (Galeria B-612), o Nalva Café Salão, o Buraco da Catita. Tem que haver mais estímulo para que todos os segmentos participem. Mas na perspectiva do Poder público, espera-se que a sociedade faça, enquanto que a sociedade só vai fazer se tiver estímulo, senão ficam só nas ações pontuais”, comenta, inclusive levantando uma questão importante: “A Ribeira tem potencial para estimular a moradia. Mas para isso precisa de projetos específicos. Em cidades da Europa Central que tem seus centros históricos dinamizados,  se observarmos bem, muita gente mora ali. Mas por que nos encantamos com o movimento de centros históricos de outras cidades, e não nos mobilizamos para fazer e cobrar da gestão pública algo no mesmo sentido aqui?”.

Créditos: Carito CavalcanteTrabalho da oficina ‘Reciclando o Olhar” será exibidoTrabalho da oficina ‘Reciclando o Olhar” será exibido
Trabalho da oficina ‘Reciclando o Olhar” será exibido

Mas no fim das contas, Ruth é esperançosa. “Podemos ter uma cidade que reconhece seu valor histórico, que não está só olhando pra frente e negando o que passou, mas sim querendo ver um futuro a partir do que é e o que foi. E projetando para si seu verdadeiro valor”, resume a arquiteta e urbanista.

Eco Praça
A programação do Eco Praça Ribeira também contempla ações como o Encontro Urban Sketchers Natal, com ação de desenho coordenada por José Clewton; Encontro da Associação Potiguar de Skate; e Oficina de Bolhas Gigantes, Brincadeiras Analógicas, Oficina Cidade dos Sonhos, doação de mudas (“Um abraço tudo muda”).

Também será o momento de ver em exposição a obra construída pelos participantes da oficina “Reciclando o Olhar”, ministrada pelo artista plástico e cenógrafo carioca Sérgio Cezar, conhecido por criar esculturas de cidades a partir de materiais recicláveis.

O trabalho foi construído a partir de micro lixo, mede 2,60 x 0,85 metros, e reproduz uma comunidade natalense, inspirada na arquitetura simples de várias localidades da Grande Natal. A obra tem pracinha com brinquedos, uma escola, campinho para jogar pelada, algumas casas possuem energia solar e reaproveitamento de água. À noite, as casinhas serão iluminadas.

Programação
Praça Augusto Severo (Ribeira)

15h Dj Zé Caxangá

15h Encontro da Associação Potiguar de Skate

15h - 17h30 Encontro Urban Sketchers Natal

15h - 18h Oficina de Bolhas Gigantes

15h - 18h Oficina Cidade dos Sonhos

15h - 18h Brincadeiras Analógicas

16h - 17h Bate-papo “Ribeira do Futuro”

17h Boi Calemba Pintadinho

18h30 Bate-papo "O Gigante do Papelão", com o artista plástico Sergio Cesar (RJ)

19h Bex (Música)

Intervenção: Break dance

20h Rieg (Música)

Intervenção: Cia Orô Una

21h Blue&Red (Música)

22h30 DuSouto (Música)








Deixe seu comentário!

Comentários