Ricardo Ojima: "No RN, cerca de 30% dos imigrantes são tidos como 'retornados'"

Publicação: 2019-09-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Entrevista com: Ricardo Ojima, professor e pesquisador do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais da UFRN

O desenvolvimento regional passa, invariavelmente, pela atuação do poder público?
No caso brasileiro sim: o Estado sempre exerceu papel importante na indução de políticas públicas, sobretudo nessas regiões onde não há uma dinâmica econômica pujante. É preciso que os governos busquem maneiras de desenvolver as regiões de forma mais homogênea.

A pesquisa também identificou um movimento de migração de retorno. Quem faz parte desse público?
Geralmente aposentados e pensionistas. Como são desobrigados da localização para garantir o sustento, vemos um movimento de migração de retorno mais intenso nesses grupos – que podem decidir por retornar ou não à cidade de origem. No RN, cerca de 30% dos imigrantes são tidos como “retornados”.

O estudo aponta que a taxa de natalidade é proporcional ao acesso à benefícios sociais?
Pelo contrário. Além dos nascimentos na região do semiárido nordestino não terem aumentado, a fecundidade das mulheres que acessam programas de transferência de renda caiu, em média, duas vezes mais rápido que o índice nacional: a queda da fecundidade das mulheres no semiárido nordestino, registrada nos últimos 15 anos, é proporcional à redução da taxa nacional verificada ao longo de 30 anos. Essa percepção é um mito!

O contingenciamento imposto pelo Ministério da Educação à rede pública de ensino superior pode acelerar o movimento de emigração?
Se os contingenciamentos do MEC permanecerem, poderemos ter uma descontinuidade na estruturação da interiorização do ensino superior no Brasil; e interromper esse processo vai reduzir sobremaneira as perspectivas de fixação dos jovens adultos nas cidades de origem. A redução dos benefícios sociais também gera impacto no enfrentamento da vulnerabilidade dessas populações, que podem vir a inchar as periferias dos grandes centros. Por sua vez, as grandes cidades dão sinais de estagnação na geração de empregos suficientes para absorver esses emigrantes, e teremos um empobrecimento da população em geral.




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