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Economia
Ricos ganham, no mês, 232 vezes mais que pobres no RN
Publicado: 00:00:00 - 30/11/2017 Atualizado: 21:02:24 - 29/11/2017
No Rio Grande do Norte, enquanto o 1% com maiores rendimentos do trabalho recebem mensalmente cerca de R$ 22 mil, os 10% com menor rendimento recebem apenas R$ 95. A relação é de 232,5 para 1. Isso significa que os 10% mais pobres precisam trabalhar quase 20 anos para angariar o salário de um mês do 1% que concentra os maiores rendimentos mensais no estado. Tais números, que comprovam a discrepância social no RN e no Brasil, foram publicados nesta quarta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016 (PNAD).

Adriano Abreu
Desigualdade salarial atinge mulheres, negros e todos aqueles com formação profissional baixa

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De acordo com o economista e chefe do IBGE/RN, Aldemir Freire, o levantamento é importante para mensurar o desenvolvimento de políticas públicas diversas. “O grande destaque é a questão da desigualdade. Além da concentração de renda, e da diferença que há entre os mais ricos e os mais pobres, também são consideradas as desigualdades de rendimentos entre homens e mulheres, entre trabalhadores da zona rural e urbana, desigualdade regional e desigualdade verificada de acordo com a cor da pele. Ainda perduram as desigualdades de gênero, de raça, escolaridade e local de residência”, frisou.

A Pesquisa mostra, ainda, que no Rio Grande do Norte existiam 1,3 milhão de pessoas ocupadas no ano passado.  “Os homens representavam 57,6% da parcela da população que trabalhava. A população branca representava 36,8% da população ocupada e a população parda, 56,5%. Em relação à escolaridade, a participação das pessoas com, no mínimo, o ensino médio completo foi de 32,0% dos ocupados. Entre aqueles que não possuíam o ensino fundamental completo ou equivalente, a participação foi de 26,2%”, diz o estudo.

Além disso, mostra a distância que ainda persiste entre negros e brancos em termos de ganhos salariais, educação e ocupação. “O rendimento médio mensal real de todos os trabalhos das pessoas brancas (R$ 1.990,00) era maior que os rendimentos observados para pessoas pardas R$ 1.374,00) e preta (R$ 1.342,00). As brancas representam rendimentos 24,45% superiores à média dos estado (R$ 1.599,00), enquanto as pardas e pretas receberam rendimentos 14,0% e 16,0%, respectivamente, inferiores a essa média”.

Em relação ao nível de instrução, a PNAD aponta que ele foi “um indicador importante na determinação do rendimento mensal médio mensal real de todos os trabalhadores, apresentando uma relação positiva, ou seja, quanto maior o nível de instrução alcançado, maior o rendimento”. “Vemos muita desigualdade: mulheres que ganham menos que os homens, pessoas negras ganhando menos. Esse expediente é meio que um modelo padrão no Brasil. A desigualdade contribui com o aumento da violência”, disse Leonardo da Silva, 23 anos, vendedor.

Brasil
Em 2016, as pessoas situadas na parcela de 1% dos maiores rendimentos de trabalho recebiam, em média, R$ 27.085, enquanto a metade de menor renda recebia R$ 747, em um país cujo rendimento médio mensal de todos os trabalhos foi de R$ 2.149. Nesse mesmo ano, os 10% com maiores rendimentos concentravam 43,4% de todas as fontes de renda recebidas no Brasil.

Do total de rendimentos, o Sudeste, com R$ 132,7 bilhões, apresentou a maior parcela, superior inclusive à soma das demais regiões, sendo Nordeste (R$ 43,8 bilhões), Sul (R$ 43,5 bilhões), Centro-Oeste (R$ 21,8 bilhões) e Norte (R$ 13,5 bilhões). De acordo com o coordenador de Trabalho e Rendimento, Cimar Azeredo, “essa disparidade é decorrência, basicamente, da concentração de pessoas nessa região, que equivale a 42% do total”.

Rendimentos no RN
Em 2016, as pessoas que possuíam rendimento de todos os trabalhos correspondiam a 36,7% da população residente (1,2 milhão), enquanto 27,5% (956 mil) possuía algum rendimento proveniente de outras fontes. Entre os rendimentos de outras fontes, o mais frequente era aquele proveniente de aposentadoria ou pensão. Veja:   

492 mil recebiam aposentadoria ou pensão (14,2%);

87 mil recebiam pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador (2,5%);

51 mil recebiam aluguel e arrendamento (1,5%);

11,1% recebia outros rendimentos, categoria que inclui o seguro-desemprego, programas de transferência de rende do governo, rendimento de poupança etc.

Rendimento mensal recebido
Total:          R$ 1.662,00
Homens:     R$ 1.770,00
Mulheres:    R$ 1.515,00

Raça
Brancos:     R$ 2.065,00
Pretos:       R$ 1.375,00
Pardos:       R$ 1.432,00

Instrução
Sem instrução:             R$ 667,00
Ens. Fund. Incomp:       R$ 834,00
Ens. Médio Compl:       R$ 1.096,00
Ens. Médio Incomp:      R$ 944,00
Ens. Médio Compl:        R$ 1.333,00
Ens. Sup. Incomp:         R$ 1.473,00
Ens. Sup. Compl:          R$ 4.665,00

Fonte: PNAD 2016 / IBGE


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