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Rio Grande do Norte pode ter boas chuvas em 2022
Publicado: 00:00:00 - 17/12/2021 Atualizado: 08:01:48 - 17/12/2021
A seca grave atinge, este ano, 121 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, segundo informações da Defesa Civil do Estado. O número equivale a 72% das cidades nesta situação. Por causa do momento crítico, o Governo do Estado decretou, na semana passada, situação de emergência no território potiguar “por estiagem prolongada, que provoca a redução sustentada das reservas hídricas existentes”. Para 2022, no entanto, a expectativa é de que o cenário seja diferente, com chuvas dentro do normal ou até acima da média em todas as regiões do Estado, segundo a Emparn.  

Alex Régis
Expectativa dos meteorologistas é período chuvoso acima da média, ou dentro da normalidade, durante o próximo ano

Expectativa dos meteorologistas é período chuvoso acima da média, ou dentro da normalidade, durante o próximo ano


Gilmar Bristot, chefe do setor de meteorologia da Emparn, explica que as boas perspectivas já começam na estação pré-chuvosa, que se inicia nesta segunda quinzena de dezembro e segue até meados de fevereiro de 2022. “Na terça-feira [14], tivemos chuvas boas na região Oeste – em torno de 10mm a 20mm. Isso é acima do normal para o mês de dezembro, que é um período onde normalmente chove pouco”, aponta.

Na próxima semana, especialistas de todo o Nordeste irão se reunir em Campina Grande (PB), para análise da estação chuvosa, que começa em março. Segundo Bristot, não há mecanismos que apontem para mudanças e a expectativa em torno dos bons índices pluviométricos deve se manter também para esse período. 

“O pacífico continua mais frio do que o normal, enquanto o Atlântico Tropical Sul está mais quente do que o Atlântico Tropical Norte. Isso mostra uma evolução para que nós tenhamos chuvas – de normal a acima do normal – para os primeiros meses de 2022. Por enquanto, pelo que eu tenho analisado diariamente, não há nenhum fenômeno previsto para os próximos meses capaz de mudar esse cenário”, avalia Bristot.

Variação do La Niña
De acordo com o meteorologista,  as condições oceânicas atuais (Pacífico mais frio e  Atlântico Tropical Sul está mais quente) têm provocado estabilidade e levado bastante umidade para o interior do Nordeste. Prova disso, segundo ele,  são as fortes chuvas registradas na Bahia e no Piauí. O fenômeno La Ninã pode influenciar na próxima quadra chuvosa, provocando grandes índices pluviométricos, mas ainda é cedo para afirmar se o fenômeno chegará fortalecido ao Nordeste.

“Temos observado  uma variação do La Niña de fraca para moderada. Não é interessante criar expectativa em relação a isso. Até fevereiro, poderemos evoluir para um fenômeno mais organizado, porém, até lá, o Pacífico costumar apresentar um aquecimento. Assim, o La Niña  pode perder força e depois voltar, obviamente. Existe uma  variabilidade muito grande aí”, esclarece Gilmar Bristot.

Metade dos municípios está em emergência
A estiagem prolongada impacta diretamente no volume dos reservatórios que abastecem os potiguares. Dos 48 mananciais monitorados pela   Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do RN (Semarh), 38 estão com volume inferior a 50%. É o caso da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, em Assu. Com capacidade para 2.373.066.510 metros cúbicos, o volume atual está em 1.110.293.246 (46,79%).

A Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta, está com um volume de 38.730.022 m³. O quantitativo corresponde a 45,9% da capacidade total, que é de 84.268.200. O açude Itans, em Caicó tem atualmente apenas 1,06% de seu volume total (800.784 m³ – a capacidade é de  75.839.349m³).

Outros dados dão uma ideia dos impactos da seca no Rio Grande do Norte. O relatório atualizado da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil aponta que os reflexos da estiagem no Rio Grande do Norte têm como efeito a decretação de situação de emergência por praticamente metade dos municípios potiguares: são 82 cidades  (49,1% dos municípios do RN) nesta situação. 

Além disso, Equador, no Seridó potiguar, está em estado de calamidade pública. Duas cidades estão com colapso parcial no abastecimento de água, de acordo com a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern): Paraná e Serra do Mel. Segundo  a Companhia, colapso parcial significa dizer que  “parte da cidade tem água e outra parte não”. Em sistema de rodízio, são 73 municípios, conforme a Caern.

A Defesa Civil do Estado busca amenizar os impactos causados com a longa estiagem, por meio da Operação Carro Pipa, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, que está presente em 59% dos municípios norte-riograndenses. São 329 carros-pipa, que atendem a 135.018 pessoas, em 99 cidades, segundo resumo divulgado pela Defesa Civil.

“A situação atual é  preocupante, mas as previsões para a próxima quadra chuvosa devem acontecer na média ou acima dela, conforme nós temos ouvido da Emparn. Esperamos que essa previsão se confirme, para que nossas estimativas   de que a situação atual não se agrave possam ser mantidas”, relata o coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil, Coronel Carvalho.

“Nós integramos o  Comitê Estadual de Convivência com a Seca, instituído pelo Governo do Estado para  acompanhamento da situação no RN durante todo ano, independentemente de estarmos na quadra chuvosa ou fora dela. Além da distribuição de água, através de carros-pipa, a Defesa Civil atua em conjunto com a Semarh, em perfuração de poços, e com o Igarn,  na vistoria de barragens”, explica o Coronel.

A Caern destacou que, para o próximo ano, as perspectivas são positivas, a partir do cenário que está por vir, com base nas previsões da Emparn. “A Caern monitora os níveis dos resevatórios em parceria com o Igarn, com a Semarh e com o Idema. Próximo ano a expectativa dos técnicos especialistas no tema é que a quadra chuvosa seja bem melhor do que foi neste ano e isso facilitará ações como as que desenvolvemos em 2021, a exemplo do retorno de água para o município de Paraná, [que ainda está em colapso parcial] e de São Miguel”, indica a empresa. 

Semarh está otimista para o próximo ano
A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do RN (Semarh) também está otimista em um cenário favorável às boas chuvas em 2022 e destacou que tem empenhado esforços em desenvolver ações para mitigar os efeitos da seca no Estado. 

 “No próximo ano, daremos continuidade ao projeto de perfuração e instalação de poços, cuja programação está bem adiantada. Perfuramos 500 poços de um total de 635 e queremos chegar ao final de 2022 com mil [poços perfurados]. Ou seja, estamos aumentando nossa meta: ela era de 635 poços até o final do ano que vem e agora é de mil”, sublinha o secretário de Recursos Hídricos do Estado, João Maria Cavalcanti.

O titular da Semarh disse que, com o avanço das perfurações, a pasta já deu início à instalação dos poços no RN. Agora, a Secretaria está com um projeto de implantação de dessanilizadores. “Em algumas áreas rurais a água é salgada. Então, temos esse projeto para torná-la potável”, explica.

“Essas ações, é importante dizer, servem para mitigar os efeitos da seca, principalmente nas regiões onde é preciso uma atuação maior do Estado. Mas, a expectativa para o ano que vem é muito boa, conforme os estudos que nós estamos recebendo da Emparn”, finaliza Cavalcanti.

Governo lança novo sistema de monitoramento
Com investimentos de R$ 5,9 milhões, o Governo do Estado lançou o novo sistemapara fazer o acompanhamento das informações sobre chuvas, temperatura, umidade do ar e outras variáveis climáticas em tempo real. Será com ele que a Emparn fará o acompanhamento do inverno de 2022 de forma ágil e com maior grau de confiabilidade. 

Com 291 estações espalhadas por todo o RN, o novo sistema de monitoramento meteorológico emitirá dois tipos de boletins diários. De hora em hora, gerado automaticamente pelo programa, e os híbridos, cinco por dia, com informações da rede automática e da convencional.

A partir das informações coletadas será possível melhorar o zoneamento agrícola, dando mais segurança aos agricultores, principalmente para escolher o tempo certo para o plantio e a cultura adequada ao município. O acompanhamento mais eficaz possibilita auxiliar na gestão dos recursos hídricos do Estado.  

Os 177 pluviômetros convencionais que fazem parte da rede da Emparn e foram usados até o final da estação chuvosa de 2021, não serão desativados. Mas agora, os observadores/leituristas vão alimentar o sistema por meio de aplicativo próprio e não mais por ligações telefônica.

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