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Rio Grande do Norte tem caso suspeito de nova hepatite
Publicado: 00:01:00 - 24/05/2022 Atualizado: 22:58:20 - 23/05/2022
O Rio Grande do Norte registra um caso suspeito da hepatite infantil de origem desconhecida, que já acometeu 614 crianças ao redor do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. A informação foi confirmada na tarde desta segunda-feira (23) pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap), em Mossoró, no Oeste potiguar. De acordo com a pasta, o caso será acompanhado pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância. A idade da criança não foi confirmada.

Magnus Nascimento
Infectologista Hareton Teixeira explica que causa da nova hepatite infantil ainda não foi desvendada pela ciência

Infectologista Hareton Teixeira explica que causa da nova hepatite infantil ainda não foi desvendada pela ciência


Em nota, a Sesap reforçou a importância de estar atenta aos sinais da doença, como: sintomas gastrointestinais, como  dor abdominal, diarreia e vômitos, e icterícia (quando a pele e a parte branca dos olhos ficam amareladas). Quando forem identificados tais sintomas, procurar imediatamente assistência médica. “A Sesap ressalta que é necessária a manutenção da tranquilidade, das medidas de prevenção e higiene, assim como a atenção permanente com os sinais da doença", afirmou a secretaria. Supostos casos também estão sendo investigados em estados como Paraíba e Ceará. Até este domingo (22), já eram 614 casos notificados no mundo, sendo 64 deles no Brasil. Dentre os sintomas, estão dores e problemas gastrointestinais, alterações nas substâncias hepáticas e icterícia (pele e olhos amarelados).

A doença não é causada por nenhum dos vírus conhecidos da hepatite (A, B, C, D e E) e pode estar relacionada com a infecção por um adenovírus. Segundo o infectologista Hareton Teixeira, não há indícios de que a causa da doença seja contagiosa. Atualmente, o Ministério da Saúde monitora64 casos no país e ainda não há confirmação de diagnósticos. Em Recife, uma adolescente de 14 anos, caso suspeito dessa nova doença, precisou realizar um transplante de fígado na sexta-feira passada (20).

No dia 13 de maio, o Ministé-rio da Saúde montou uma Sala de Situação para monitorar e acompanhar os casos de hepatite aguda de causa a esclarecer. Dessa forma, buscam apoiar a investigação de casos da doença notificados em todo Brasil, bem como o levantamento de evidências para identificar possíveis causas. Além disso, a sala padroniza as informações e orienta os fluxos de notificação e investigação dos casos para todas as secretarias estaduais e municipais de saúde.

Hepatite é o nome dado a uma inflamação do fígado que pode ser causada por diversos fatores, como por exemplo, uso exacerbado de medicamentos hepatotóxicos e agentes infecciosos como os vírus das hepatites A, B, C, D e E. Nesses casos de hepatite de etiologia desconhecida, a pesquisa das causas mais frequentes da doença não revelou nenhum agente causal. Quem explica é o médico infectologista Hareton Teixeira, pro-fessor da Escola Multicampi de Ciências Médicas da UFRN.

“Causas medicamentosas fo-ram descartadas, os vírus das hepatites de A a E foram investigados e também descartados, as toxinas no meio ambiente que podem causar a hepatite foram descartadas. Desse modo, real-mente a etiologia ainda não é tão bem compreendida. Esses casos começaram a acontecer no final de 2021 e começaram a se destacar nesse primeiro semestre de 2022”.

Com notificações em mais de 25 países, o Reino Unido (197 casos) e Estados Unidos (180) lideram o número de casos. De acordo com o médico, três aspectos chamam a atenção nessa nova hepatite: o acometimento exclusivo de crianças e adolescentes até por volta de 16 anos, a presença do adenovírus detectada em cerca de 70% dos casos em algumas faixas e a evidência laboratorial de infecção recente por covid-19 em uma parcela significativa dessas crianças.

Segundo Hareton, já se levantaram algumas hipóteses baseadas nessas constatações. Aparentemente, a ideia de que o adenovírus pode ser a principal causa dessa nova hepatite não é provável, visto que essa família de vírus pode causar hepatite grave em crianças com deficiência imunológica, mas a maioria dos casos não tem evidência de imunodeficiência. 

“Cerca de 10% das crianças que desenvolveram essa hepatite de etiologia desconhecida evoluíram para formas fulminantes de hepatite com necessidade de transplante hepático. Quando se analisou o explante hepático, não se detectou adenovírus no tecido inflamado, isso torna  menos provável ou improvável que o adenovírus seja a causa dessa hepatite”, diz.

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