Natal
Rio Grande do Norte terá museu dedicado à preservação da memória musical
Publicado: 15:58:00 - 19/07/2021 Atualizado: 18:06:43 - 19/07/2021
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), visitou, na companhia do presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, Diógenes da Cunha Lima, o local onde funcionou a Junta Comercial do Estado por mais de quatro décadas, na Ribeira. Na ocasião, ela afirmou que haverá, no local, vizinho ao Teatro Alberto Maranhão (TAM) e próximo à Casa de Cascudo, o Museu da Música Potiguar Brasileira. "O povo do RN, as gerações presentes e futuras, merecem esse importante equipamento de preservação de nossa memória musical", justificou. 

Inaugurado em 31 de março de 1930 para abrigar a Recebedoria de Renda, tombado em 1992, o prédio faz parte de um conjunto arquitetônico de inestimável valor histórico, ao lado do Teatro, do Museu de Cultura Popular Prefeito Djalma Maranhão e da antiga Faculdade de Direito, na Praça Augusto Severo.

ASSECOM/Governo do RN
Museu ficará localizado vizinho ao TAM e próximo a casa de Câmara Cascudo

Museu ficará localizado vizinho ao TAM e próximo a casa de Câmara Cascudo


"O museu se soma a outras iniciativas em curso, como o Complexo Cultural Museu da Rampa; o Teatro Alberto Maranhão, que será entregue neste segundo semestre; a Fortaleza dos Reis Magos, a Escola de Dança, a Pinacoteca e a Biblioteca Câmara Cascudo", ressaltou Fátima, que pediu à diretoria da Fundação José Augusto (FJA) para levar o projeto adiante.

"O RN tem algumas características curiosas e diferentes do resto do país. É um dos estados musicais do Brasil. Mas nenhum estado tem um Aldo Parisot [1918-2018, violoncelista natalense], professor por mais de 60 anos da Escola de Música de Yale, homenageado pela ONU; temos o maestro Tonheca Dantas [1871-1940], que deixou 240 composições, mas até hoje só conhecemos 60; tem Oriano de Almeida [1921-2004, pianista], um dos maiores intérpretes de Chopin. Quantos compositores populares fantásticos precisam estar aqui?, enfatizou o professor Diógenes da Cunha Lima, ao elogiar a construção do museu.

Ele lembrou que Alberto Maranhão de Albuquerque foi o governador "que mais valorizou a cultura, fazendo o estado ser conhecido e respeitado em todo o Brasil". Assim, Diógenes avaliou que “precisamos valorizar nossas conquistas. Isso aqui também é um espaço para o turista, para quem quiser vir, ver e ouvir a beleza da música, que é a comunicação universal."

A pesquisadora Leide Câmara de Oliveira, autora do Dicionário da Música do Rio Grande do Norte e que tem um acervo com 6 mil músicas cadastradas de autores potiguares cantadas por intérpretes potiguares ou não, e de compositores de qualquer lugar interpretadas por cantores potiguares, defendeu a iniciativa. 

"Vai ser um museu singular porque o RN tem a memória de mais de um século preservada. O museu terá grande importância porque poderemos mostrar às gerações o que foi e o que é a nossa história musical, os instrumentos, as formas de gravação, as partituras, a sociologia da época retratada por cada música", contou. 

"Essa será uma ação de valorização da cultura, de preservação de nossa memória e de revitalização da Ribeira", diz o presidente da Fundação José Augusto, o poeta Crispiano Neto, citando nomes de cantores potiguares contemporâneos que tiveram projeção nacional, como a são-gonçalense Ademilde Fonseca, Rainha do Chorinho; a assuense Núbia Lafayette; o macauense Hianto de Almeida, precursor da Bossa Nova; o timbaubense Elino Julião, entre outros grandes da música. 

"A música representa uma das nossas principais potências culturais", reforçou Fábio Lima, diretor da FJA.

Grandes da Música Potiguar com projeção nacional
Janduí Filizola - Compositor
Ademilde Fonseca, de São Gonçalo do Amarante, Rainha do Chorinho
Trio Irakitan*
Núbia Lafayete (Idenilde Araújo Alves da Costa) – assuense (1937-2007)
Hianto de Almeida, macauense, precursor da Bossa Nova
Tonheca Dantas - Maestro
Terezinha de Jesus – vendeu 5 milhões de discos
Elino Julião – Forrozeiro, nascido em Timbaúba dos Batistas
Leno [Gileno Osório Wanderley de Azevedo] da dupla Leno e Lílian
Antônio Madureira, macauense, maestro, violonista e compositor, integrante do Quinteto Armorial
Carlos André – Produtor de Luiz Gonzaga

(*) A assessoria de imprensa da governadora informou que, segundo pesquisas, o primeiro nome escolhido por Câmara Cascudo foi Trio Muirakitan, que significa pedra verde em tupi-guarani. Como na época já havia um trio com o mesmo nome, Cascudo resolveu criar um neologismo, rebatizando-o para Trio Irakitan.


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