Economia
Rio Grande do Norte terá projeto pioneiro para 'estocar vento'
Publicado: 00:00:00 - 24/10/2021 Atualizado: 18:42:55 - 23/10/2021
Pedro Henrique Dias
Repórter

A empresa Energy Vault (EV) Brasil Consultoria Ltda desenvolverá, no Rio Grande do Norte, um projeto pioneiro no Brasil de armazenamento verde gravitacional de energia em larga escala e de longa duração, uma forma de estocar vento - o primeiro do tipo no País e na América Latina. O acordo entre a empresa e o Governo do Estado foi firmado, no último mês de setembro, e aconteceu decorrente de uma aproximação entre o poder público estadual e a embaixada do Brasil na Dinamarca. 
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Tecnologia de armazenamento de energia verde que deve ser usada no Rio Grande do Norte instala, em parque eólico, blocos de concreto empilhados em torres de até 120 metros de altura

Tecnologia de armazenamento de energia verde que deve ser usada no Rio Grande do Norte instala, em parque eólico, blocos de concreto empilhados em torres de até 120 metros de altura

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Esse tipo de energia sustentável consiste em tecnologia de armazenamento de energia eólica e envolve a instalação de blocos de concreto no parque eólico. Essas estruturas ficam empilhadas em torres de até 120 metros de altura para armazenar um outro tipo de energia, que um objeto adquire ao ser elevado. Funciona como se fosse um ioiô.

Quando for preciso usar a energia guardada, em dias sem muitos ventos, os blocos serão baixados por um cabo de aço acoplado a um gerador. Esse movimento transforma energia eólica guardada em atividade elétrica.

O dretor executivo e CEO da EV Brasil, João de Deus Fernandes, explicou melhor o funcionamento desse complexo para obtenção de potência elétrica. “ Para "descarregar" nosso equipamento e devolver eletricidade, os blocos são depois baixados dessa torre e, ao descerem ligados ao cabo de aço, acionam um gerador elétrico. Além de ser uma solução de armazenamento com vantagens econômicas, não há geração de resíduos como no caso das baterias químicas”, esclareceu o diretor.

A geração de energia eólica, assim como a geração fotovoltaica solar, tem o problema inerente da intermitência, ou seja, sempre vai haver períodos do dia sem vento ou sem luz solar. Por conta disso, a importância desse estoque energético é grande, principalmente em estados líderes de produção dessa matriz, como é o caso do RN.

“O armazenamento de energia é o elo necessário para vencer essa barreira da intermitência e garantir energia renovável 24 horas por dia, 7 dias por semana. Quanto mais projetos de geração Eólica ou fotovoltaica Solar forem construídos, mais será necessária uma infraestrutura robusta de armazenamento de energia”, informa João de Deus.
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Diretor executivo e CEO da EV Brasil, João de Deus Fernandes, explicou projeto que é pioneiro na América Latina

Diretor executivo e CEO da EV Brasil, João de Deus Fernandes, explicou projeto que é pioneiro na América Latina

Outras vantagens destacadas por João de Deus é sobre o potencial dessas estruturas ao longo prazo. “Segundo relatório mundial do Bloomberg, a solução de armazenamento gravitacional de energia em larga escala tem o menor custo nivelado de investimento dentre as opções possíveis, também graças à vida útil de 35 anos de nossas unidades”.

O projeto terá o investimento de aproximadamente R$ 12,5 milhões, segundo divulgou o governo. O negócio fechado prevê também o suporte do Estado na interlocução com fornecedores e compradores de energia, além dos órgãos responsáveis pelo sistema nacional de energia.
Ainda não há uma data certa para o lançamento desse projeto no Estado. O objetivo, segundo as autoridades que participaram do acordo, é ter as primeiras unidades funcionando antes do fim de 2022, em locais que estão sendo avaliados junto com o Governo do RN.

Mais energia sustentável
Os projetos de armazenamento verde gravitacional de energia da Energy Vault trarão consideráveis investimentos para o território estadual, em função de adotarem uma cadeia de suprimento localizada, que maximiza a criação de empregos locais ao longo de 8 a 10 meses de construção e montagem, proporcionando benefícios sociais adicionais, como treinamento da força de trabalho, aumento da renda das comunidades locais e consequente melhoria da qualidade de vida.

“Estou muito feliz e ciente do momento histórico que estamos vivendo. É um divisor de águas do ponto de vista tecnológico, pois é uma necessidade mundial, e do ponto de vista econômico, porque é uma nova economia que se inicia, uma economia descarbonizada, pela própria necessidade do planeta”, disse o secretário da Sedec, Jaime Calado.

“O mundo está num ponto de inflexão crítico na mudança em direção a uma ampla adoção de fontes renováveis de energia. A Energy Vault está acelerando essa transformação já que agora estamos passando a implementar projetos globalmente e promovendo nossa tecnologia para ajudar fornecedores de energia e clientes industriais a atingir, de forma mais econômica, suas metas de sustentabilidade e descarbonização”, disse o CEO mundial da Energy Vault, Robert Piconi, que participou remotamente da assinatura do MoU desde a Suíça.

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