Risco existe, mas não preocupa especialistas

Publicação: 2013-10-27 00:00:00
bate-papo
Maciel Matias - mastologista

Como está a situação do câncer de mama em homens no Rio Grande do Norte?
No Estado não é diferente do  mundo todo: câncer de mama no homem representa de 0,5% a 1% de todos os casos. Este ano, no RN, a gente estima em torno de 529 novos casos de câncer de mama nas mulheres. E, consequentemente, se a gente sabe o índice nos homens, teremos, este ano, em torno de três casos. Isso é muito pouco diante da necessidade; porque o homem tem muito mais cuidado com a sua próstata do que com sua mama. Mas a faixa etária é em torno de 50 até 70 anos. Atinge mais os pacientes com idade mais avançada porque está muito associada ao desenvolvimento da glândula mamária no homem, na forma benigna, por várias situações, como uso de medicamentos ou estímulos hormonais. E aí pode surgir um tumor maligno e é exatamente do mesmo jeito na mulher. A forma é a mesma, os tipos são os mesmos, o tratamento é o mesmo, cirurgia, radioterapia, quimioterapia, o tipo de tumor é exatamente igual.  

Autoexame e mamografia também detectam alterações na mama do homem?
O autoexame é importante. Ele deve se preocupar. Até porque existem situações que a gente muitas vezes não se preocupa em se palpar. Às vezes a gente nem se palpa no pescoço, na axila,  nem na região inguinal, nem no próprio abdome, consequentemente não se preocupa em palpar as mamas. É importante que a gente se conheça; é importante que a gente se observe; porque só assim você vai tentar notar o diferente em você. Como câncer é uma doença imprevisível, da qual ninguém sabe porque ela ocorre, a gente tem que ficar realmente alerta. Claro que não é para ficar apavorado. Porque hoje em dia, quando se fala em câncer, você imediatamente associa ao final de vida; o sujeito está para morrer... Não é assim! O exame principal no homem é  físico, apalpação. A mamografia não é um exame para ser feito na rotina como se faz com as mulheres. Não precisa. O médico vai orientar qual exame vai fazer; se é um ultrassom, se é uma mamografia, se é o exame físico. Vai depender de cada caso.

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Tanto a obesidade quanto os suplementos alimentares usados pelo pessoal de academia são fatores de risco também?
É verdade. São fatores que vão reestimular uma glândula que estaria atrofiada. Na obesidade sabe-se que a gordura periférica se transforma em substância de ação hormonal. O colesterol faz parte disso, estimula glândulas que estão paradas; tanto a mamária quanto a próstata. Além disso, o uso dessas substâncias, hoje, que estão em todas as academias, ou agregadas a ela, onde há um volume enorme de substâncias, não só hormonais, mas o excesso de proteínas, de aminoácidos, fazem com que o organismo mude o metabolismo e, consequentemente, o fígado fica saturado e não consegue metabolizar as substâncias que são carreadas para esses órgãos.