Ritmo de demissões perde força no RN

Publicação: 2017-05-17 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Renata Moura
Editora de economia

Quem procurou emprego com carteira assinada no Rio Grande do Norte, de janeiro a abril, encontrou mais vagas para telemarketing ou serviços de limpeza e conservação de áreas públicas. Os salários de admissão, na média, ficaram em R$ 941 – pouco acima de um salário mínimo (de R$ 937).

Total de demissões ainda supera o de contratações, mas não no setor de serviços: Área de telemarketing, por exemplo, contratou mais
Total de demissões ainda supera o de contratações, mas não no setor de serviços: Área de telemarketing, por exemplo, contratou mais

Foram essas as áreas que mais demandaram trabalhadores no período e que, em abril, também tornaram o setor de serviços uma exceção no estado: foi o único a contratar mais do que demitiu.

O cenário é retratado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

De acordo com os dados, os serviços empregaram 364 trabalhadores a mais no mês passado. Se considerado o período de janeiro a abril, foram 1.836.

O número, na prática, representa uma “virada” do setor em comparação com o ano passado, quando registrou saldo negativo com 949 empregados “desligados” nesse mesmo período. Neste ano, o cenário foi outro.

Só para operador de telemarketing ativo e receptivo foram 506 vagas a mais. Em manutenção de edificações foram geradas outras 203 e na área de serviços de limpeza e manutenção de áreas públicas foram mais 159.

Também foram contratados, por exemplo, mais vigilantes (+156) e professores de educação de jovens e adultos no ensino básico (+149).

“O setor de serviços foi o último a demitir no estado e parece ter iniciado alguma recuperação. Essa recuperação tanto pode ser vista no aumento do emprego quanto no volume de vendas. Ambos positivos nesse início de ano”, observa o economista e chefe do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no estado  (IBGE), Aldemir Freire.

Uma pesquisa divulgada na semana passada pelo órgão mostra que o volume de serviços prestados no Rio Grande do Norte aumentou 6,5% em março, ante igual período de 2016. Foi o maior crescimento do Brasil.

Perdas

A guinada nas contratações da atividade coincidiu com um ritmo menor de “desligamentos” em outros setores. Esse movimento, porém, ainda não foi suficiente para tornar o saldo geral de empregos positivo no estado. Já são sete meses seguidos com mais dispensas do que admissões.

Considerando as oito atividades com dados no Caged – entre elas estão comércio, serviços, indústria de transformação, agropecuária e construção civil - o Rio Grande do Norte admitiu  46.003 trabalhadores entre janeiro e abril, 1,14% a mais que no mesmo período de 2016.

Na outra ponta, “desligou” outros 51.505. Esse número é 11,41% menor que o total de dispensados entre janeiro e abril de 2016. Ainda assim, o saldo geral de empregos no estado – que é a diferença entre admitidos e desligados – foi de -5.502 vagas.

Esses números mostram, na avaliação de Aldemir Freire, do IBGE, “que a recuperação será lenta, demorada e desigual entre os diferentes segmentos”.

“Não se pode dizer sequer que estamos de fato em um processo seguro de recuperação. O mercado de trabalho ainda vai levar algum tempo para demonstrar sinais claros de que a crise ficou para trás”, analisa e acrescenta: “No momento, em que o conjunto da economia ainda demite e o desemprego está alto, só podemos dizer que o trabalhador ainda não sentiu uma mudança firme no seu dia a dia”.

O RITMO DO MERCADO
Perdas e ganhos de vagas neste início de ano.

5.502 trabalhadores foram “desligados” a mais do que admitidos no RN, entre janeiro e abril. No mesmo período de 2016 o número de desligados foi mais que o dobro: 12.662.

Por atividade

Abril
-921 foi o saldo de empregos no estado em abril. Significa quantos trabalhadores foram dispensados a mais do que admitidos.

Quem dispensou mais/quantidade de dispensados
Agropecuária:     -598
Indústria de transformação:     -267
Construção civil:     -252
Extrativa mineral:     -95
Comércio:     -50
Serviços industriais de utilidade pública:     -21
Administração pública:     -2

Quem contratou mais/quantidade de contratados
Serviços: +364

Saldo de empregos de Janeiro a abril    (2017 x 2016)
Atividade                                                        2016    2017
Agropecuária:                                              -3.649    -3.591
Indústria de transformação:                         -2.931    -2.177
Construção civil:                                         -2.126    +104
Extrativa mineral:                                          -128    -501
Comércio:                                                   -2.842    -1.107
Serviços industriais de utilidade pública:          -26    -53
Administração pública:                                     -11    -13
Serviços:                                                         -949    +1.836

*No caso da fruticultura e da cana-de-açúcar, as contratações para a safra começam em julho e geralmente entre dezembro e março, quando a produção diminui, parte do contingente é dispensada. Isso ajuda a explicar os números negativos da agropecuária e, em parte, também da indústria de transformação, uma vez que a atividade engloba a indústria sucroalcooleira, ligada à cultura da cana.

As três áreas que mais geraram vagas no estado, de janeiro a abril
Ocupação                                       -           Salário médio de admissão           -      Vagas geradas
Operador de Telemarketing            -           R$ 936,71                                    -       +504
Ativo e Receptivo                            -                R$ 994,04                               -         +176
Servente de Obras                          -               R$ 945,30                                 -       +178



continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários