RN: 43% das escolas são precárias

Publicação: 2017-05-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Mariana Ceci
Repórter

Na tarde da última quarta-feira (17) alunos e professores da Escola Estadual Lourdes Guilherme tiveram um susto durante o período de aulas: parte da estrutura que sustentava o teto do corredor da escola cedeu, juntamente com o teto numa área próxima a salas de aula de alunos do 1º ano do Ensino Fundamental. Coincidentemente, os alunos da turma realizavam naquele momento uma atividade pedagógica em outra sala de aula, e ninguém saiu ferido. A situação da estrutura da escola, no entanto, preocupou a direção do prédio que, atualmente, é ocupado tanto pelos alunos da escola Lourdes Guilherme como da Escola Estadual Dr. Maia Neto que, embora seja considerada a melhor escola da rede estadual em Natal pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), teve que sair do prédio original, localizado no mesmo bairro, por causa de problemas estruturais. As duas escolas não são exceções: de acordo com levantamentos realizados pela Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC), 77 escolas estaduais estão classificadas como “péssimas” no quesito estrutura, enquanto 165 estão classificadas enquanto “ruins”. Ou seja, 43% estão entre ‘ruins’ ou ‘péssimas’.

Na tarde da última quarta-feira, parte do teto de um dos corredores da Escola Estadual Lourdes Guilherme terminou desabando
Na tarde da última quarta-feira, parte do teto de um dos corredores da Escola Estadual Lourdes Guilherme terminou desabando

Em todo o Estado, 79 escolas estaduais tiveram processos de obras abertos pela SEEC entre 2011 e 2017.  Em função de sua agenda, a titular da secretaria de Educação, Cláudia Santa Rosa, não pode conceder uma entrevista sobre a situação. A secretária, no entanto, adiantou que a secretaria já realizou um mapeamento da rede de escolas e suas principais necessidades em relação à estrutura. “Infelizmente, o Estado não tinha uma política de manutenção das escolas. Criamos o RenovEscola, um programa que vai ancorar reformas, ampliações e construções de escolas”, disse a secretária.

De acordo com a diretora da escola, Isabel Cristina de Melo, que há 18 anos trabalha na Lourdes Guilherme enquanto professora e assumiu a direção em 2017, não há manutenção da estrutura do prédio “Não há o acompanhamento de manutenção. Quando a viga caiu, nós descobrimos que a pilastra não possuí uma estrutura de ferro para sustentá-la, apenas cimento. Nosso maior medo é que, com o tempo, as outras vigas que também não possuem essa estrutura também cedam, o que pode causar uma tragédia”, disse.

A burocracia é um dos fatores que atrasa as reformas das escolas: atualmente, as obras da educação são licitadas e executadas pela Secretaria de Infraestrutura, que cuida também das obras de todo o executivo, exceto da secretaria de Recursos Hídricos. A intenção da SEEC é tentar alterar essa lei, permitindo trazer obras de até R$ 500 mil para a própria secretaria, agilizando assim o processo de licitação e reforma das escolas.

Para os alunos da Escola Estadual Dr. Maia Neto, o processo já se estende por meses: em setembro de 2016, a escola sofreu sua primeira interdição, por problemas estruturais. De acordo com o vice-diretor da escola, Fábio Giovani, os problemas no sistema hidráulico e elétrico eram as principais reivindicações da escola “Era difícil conseguirmos chegar a um dia de aula sequer com água até o fim do dia”, disse Fábio.

Fechada entre os meses de setembro e dezembro para a realização das reformas, os alunos retornaram à escola quando houve a queda da liminar que determinava seu fechamento. Em março de 2017, uma decisão judicial afastou novamente os alunos do prédio original da escola, fazendo com que os 350 estudantes da Maia Neto fossem realocados novamente para a Lourdes Guilherme, até a conclusão das reformas.

Os alunos, de acordo com o vice-diretor, são só mais prejudicados “nem todos os alunos foram beneficiados com transportes da secretaria de educação. São cerca de 2km para as crianças virem no sol. Elas chegam na escola cansadas, suadas e para a concentração, isso é péssimo”, disse. A equipe da TRIBUNA DO NORTE visitou o prédio da escola,  e constatou o abandono. O prédio está tomado por ervas-daninhas, mato, telhas e tijolos, que ocupam locais onde antes eram espaços de lazer para os estudantes da escola.

Cenário
Situação das escolas quanto à estrutura dos prédios

79 é o número de processos de obras de escolas abertos pela SEEC entre 2011 e 2015;

77 é o número de escolas classificadas enquanto “péssimas” no quesito estrutura pelo levantamento da SEEC;

165 é o número de escolas classificadas enquanto “ruins”;

198 é o número de escolas classificadas enquanto “regulares”;

75 é o número de escolas classificadas enquanto “boas”;

40 é o número de escolas classificadas enquanto “ótimas”.


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