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Economia
RN: 87,8% dos 10.435 empregos perdidos em 2020 eram ocupados por mulheres
Publicado: 00:01:00 - 24/06/2022 Atualizado: 22:28:38 - 23/06/2022
A destruição de postos de trabalho assalariado em 2020, ano inicial da pandemia, atingiu sobretudo as mulheres no Brasil. No Rio Grande do Norte, 87,8% dos 10.435 postos perdidos em 2020 eram ocupados por mulheres. Naquele ano, as empresas e outras organizações instaladas no RN possuíam 229.898 mulheres com carteira assinada, menor quantidade registrada nos últimos dez anos. Ante 2019, quando 239.060 estavam contratadas, a queda foi de 3,83%, o que significa uma redução de 9.162 mulheres ocupadas. No caso dos homens, houve redução de 0,42% no número de assalariados, que saiu de 299.896 em 2019 para 298.623 em 2020, ou seja, 1.273 trabalhadores a menos. Os dados são do Cadastro Central de Empresas (Cempre) referentes a 2020 e divulgados nesta quinta-feira (23), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Magnus Nascimento
No RN, segundo estudo do IBGE, 9.162 mulheres perderam seus postos de trabalho em 2020

No RN, segundo estudo do IBGE, 9.162 mulheres perderam seus postos de trabalho em 2020


No País, dos 825,3 mil postos de trabalho perdidos em relação a 2019, 593,6 mil (ou 71,9%) eram ocupados por mulheres. Isso significa que a cada dez assalariados demitidos no ano, pelo menos sete eram mulheres. Em 2020, o número de homens trabalhando como assalariados caiu 0,9%, enquanto o de mulheres tombou 2,9%. De 2019 para 2020, o número total de trabalhadores assalariados em empresas e outras organizações ativas encolheu 1,8% no País, de 46,2 milhões de postos de trabalho para 45,4 milhões.

Em 31 de dezembro de 2020, as empresas e organizações formais ativas no País empregavam 52,697 milhões de pessoas, sendo 45,390 milhões delas assalariadas e 7,307 milhões na condição de sócio ou proprietário. Foi a maior retração nesse contingente desde 2016 (-4,4%). Por outro lado, 378,976 mil pessoas a mais se tornaram sócias ou proprietárias, aumento de 11,3% nesse contingente em apenas um ano. O IBGE ressalta que, apesar da pandemia, a redução de pessoal assalariado não foi a mais acentuada da série histórica em termos relativos. Os enxugamentos de mão de obra foram maiores nos anos de 2015 (-3,6%) e 2016 (-4,4%), em meio à recessão econômica. 

Como consequência, houve piora no avanço da participação feminina no mercado de trabalho pela primeira vez na série histórica iniciada em 2009. A proporção de mulheres entre os assalariados das empresas formais do país caiu de 44,8% em 2019 para 44,3% em 2020. Em 2009, quando esses dados começaram a ser coletados, as mulheres representavam 41,9% da força de trabalho assalariada no setor formal.
"Reduziu a participação (das mulheres) no mercado formal de trabalho lá para o patamar de 2016", disse Thiego Gonçalves Ferreira, gerente da pesquisa do IBGE. "A gente atribui a dois grandes fatores. Primeiro teve crescimento de assalariados em setores que empregam mais homens, como a construção. Ao mesmo tempo, a gente observou redução naqueles setores que mais empregam mulheres, que foi alojamento e alimentação, educação", completou.

O pesquisador do IBGE ressalta ainda que atividades como a indústria de transformação e o comércio varejista tiveram perda maior de assalariados em segmentos com maior presença de trabalhadoras, como os de vestuário, acessórios e calçados. "Tem relação direta com a própria característica da pandemia, esses setores não eram atividades essenciais, e até a questão histórica da mulher ter de ficar mais presente em casa", exemplificou Ferreira.

No País, as demissões de assalariados foram mais agudas nos segmentos de alojamento e alimentação (-373,2 mil trabalhadores), administração pública, defesa e seguridade social (-233,9 mil) e comércio (-221,7 mil). Os aumentos mais significativos ocorreram em saúde humana e serviços sociais (139,3 mil a mais) e construção (80,8 mil a mais).

Em termos relativos, o setor com maior corte de vagas assalariadas foi alojamento e alimentação, com retração recorde de 19,4%, seguido pelo segmento de artes, cultura, esporte e recreação, com tombo também histórico de 16,4%.

O salário médio pago pelas empresas do País caiu a R$ 3.043,81 em 2020, ou 2,9 salários mínimos, 3,0% a menos que o de 2019. A massa salarial encolheu a R$ 1,806 trilhão, queda de 6,0% frente a 2019, a maior da série histórica da pesquisa.

O Cempre mostra ainda que, em 31 de dezembro de 2020, as empresas e organizações ativas no Estado empregavam 528.521 pessoas. No ano anterior, o número era de 538.956. Em 2020, o RN tinha 124 mil pessoas assalariadas com nível superior ocupadas. Em 2019, esse número era de 123 mil. O crescimento significou um recorde na série histórica, iniciada em 2006. Em contrapartida, o pessoal ocupado sem nível superior completo caiu 2,9% em 2020 e atingiu a marca de 403 mil pessoas. Em 2019, esse número era 415 mil.

Em 2020, 32,4 mil empresas fecharam no País
O Brasil registrou saldo positivo na abertura de empresas no primeiro ano de pandemia de covid-19. No entanto, o fenômeno ocorreu exclusivamente na modalidade sem nenhum trabalhador assalariado, ou seja, somente havia o proprietário ou sócios. Ao mesmo tempo, houve fechamento de 32.467 empresas empregadoras de todos os portes, que resultaram na demissão de mais de 825 mil assalariados, segundo os dados do Cadastro Central de Empresas, do  IBGE.

O número de companhias e organizações formais ativas passou de 5,239 milhões em 2019 para 5,434 milhões em 2020, um avanço de 3 7%, o equivalente a 194.842 negócios a mais. O resultado é explicado por um salto de 8,6% no número de organizações sem nenhum trabalhador assalariado: 227.309 empresas a mais em um ano. Os dados sugerem que o movimento seja explicado por um empreendedorismo de necessidade, uma maior criação de CNPJs por trabalhadores demitidos que tentavam abrir seu próprio negócio ou que buscavam compensar uma perda de renda provocada pela crise sanitária.

"Ou para manter a renda ou foram demitidas e abriram seus próprios negócios por necessidade", confirmou Thiego Gonçalves Ferreira, gerente da pesquisa do IBGE. "Houve saldo positivo em (empresas) não empregadores", completou. Por outro lado, o número de empresas com pelo menos uma pessoa ocupada teve queda generalizada. Nas empresas com 1 a 9 assalariados, o recuo foi de 0,4%, 8.233 a menos. Na faixa entre 10 a 49 assalariados, houve fechamento de 22.514 empresas em um ano, um tombo de 5,3%. 

O grupo que contratava entre 50 e 249 pessoas contabilizou 1.529 estabelecimentos a menos, recuo de 2,3%. Entre as grandes empresas, com pelo menos 250 assalariados, 191 companhias fecharam as portas, queda de 1%.

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