Economia
RN deve ter exportação recorde de frutas
Publicado: 00:00:00 - 24/10/2021 Atualizado: 09:59:36 - 23/10/2021
Renato Lisboa
Repórter

O início da safra da fruticultura está reinjetando otimismo ao setor, com uma expectativa de exportações de até US$ 300 milhões, algo perto de R$ 1,6 bilhão (considerando a cotação da sexta-feira (23) quando o dólar foi R$ 5,60), de acordo com estimativa do secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Guilherme Saldanha. Caso seja alcançado, o volume é um valor recorde e representa quase o dobro do valor exportado  em 2020, que foi de US$ 156,3 milhões. O cenário otimista é traçado tendo em vista o aumento do interesse dos investidores espanhóis, seja os que já estão operacionalizando ou das novas empresas a aportar recursos, além dos implementos infraestruturais na região do Baixo Assu. “A expectativa é boa sobretudo levando-se em consideração o ambiente internacional de negócios, ou seja, a elevação drástica de preços de fretes, energia e outros insumos”, fala o secretário. A exportação de frutas teve início em setembro.
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As exportações de frutas frescas, principalmente melões, teve início em setembro, aumentando o volume de exportações do RN

As exportações de frutas frescas, principalmente melões, teve início em setembro, aumentando o volume de exportações do RN

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De janeiro a setembro deste ano, o valor exportado de frutas, incluindo melão, melancia e manga, principalmente, estava em R$ 74,9 milhões. O maior valor atingido nos últimos seis anos foi de US$ 193 milhões em 2019. Em 2020, ano do decreto da pandemia de Covid-19, as exportações caíram R$ 156 milhões, uma queda de quase 20%. 

Fatores naturais, estruturais e logísticos formam uma onda a favor para o Rio Grande Norte. Outros países do mundo tem dificuldades em ampliar sua área plantada por causa da escassez de terra agrícola. Além disso, a área hidrogeológica conhecida como “Arenito Assu” é muito rica em água. E uma outra vantagem é a proximidade dos centros produtores do RN para os portos, que é quase três vezes menos do que no Vale do São Francisco, por exemplo.

Saldanha ressalta que o Estado passou por um forte teste nos últimos sete anos, quando a região sofreu muito com a seca mas a produção continuou crescendo. A produção de frutas exportadas em 2015 teve um volume financeiro de R$ 113 milhões. Entre 2015 e 2020, as vendas ganharam um incremento de 38.05%. Esse desempenho não foi visto, segundo ele, em estados  vizinhos como Ceará e Paraíba. Já o Vale do São Francisco passou por racionamentos de águas para irrigação.

As distâncias entre o triângulo formado pelos principais locais de produção (Vale do Assu, Mossoró, Baraúnas), além da Chapada do Apodi estão entre aproximadamente 200 e 300 km para os portos. No Vale do São Francisco, essa distância média é de 970 quilômetros. “Em um mundo onde o preço do combustível aumentou demasiadamente, esse desenho logístico representa muito dinheiro. Ficou muito mais custoso para quem está longe dos portos”, acrescenta o secretário. 

Preocupa o secretário o encarecimento e a falta de containeres para transporte das mercadorias. E a demora na reposição deles significa um menor tempo de exposição dos produtos nas prateleiras do varejo.  “Se tivermos uma falta de containers com confeito da Sam's, a empresa pode esperar um pouco mais. Já a fruta, como ela é perecível, se não for para  uma embarcação por causa da falta de uma câmera fria, tirou-se uma semana de prateleira na loja. O risco de perda é maior”, fala Saldanha. Porém, a posição geográfica do RN permite que a mercadoria chegue em oito dias à Europa, tempo considerado competitivo, pois dá, em média, uma vida útil das frutas de dez dias nas prateleiras dos supermercados.

Balanço
Evolução das exportações de frutas de 2015 a 2021 (Valor FOB)

2015
US$ 113 milhões     

2016
US$ 139 milhões

2017
US$ 174 milhões

2018
US$ 130 milhões

2019
R$ 193 milhões

2020
US$ 156 milhões

Janeiro a Setembro de 2021
US$ 74,9 milhões   

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