RN está entre estados com maior número de obesos

Publicação: 2019-07-26 00:00:00
Uma em cada cinco pessoas é considerada obesa no Brasil, e o índice de potiguares com excesso de peso (21%) situa o Rio Grande do Norte na terceira posição entre os estados com maior percentual – mesma taxa apurada no Acre, Pará, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, de acordo com estudo divulgado nessa quinta-feira (25) pelo Ministério da Saúde. No topo estão Amazonas e Mato Grosso com 23%, e na outra extremidade aparece o Maranhão com apenas 15,7% da população acima do peso considerado ideal. Pernambuco com 22%, primeiro lugar na região Nordeste, está na vice liderança nacional ao lado do Rio de Janeiro e de Rondônia.

Créditos: Alex RegisApesar dos índices de obesidade, o percentual de pessoas que praticam atividades físicas também aumentou 25,7% no BrasilApesar dos índices de obesidade, o percentual de pessoas que praticam atividades físicas também aumentou 25,7% no Brasil
Apesar dos índices de obesidade, o percentual de pessoas que praticam atividades físicas também aumentou 25,7% no Brasil

saiba mais

Em 2018 mais da metade dos brasileiros (55,7%) estão acima do peso, sendo que a obesidade acomete 18,9% das pessoas.

A Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) comparou dados apurados entre 2006 e 2018, e a variação nesse período apresentou um salto de 11,8% para 18,9% – um crescimento de 67,8% nos últimos treze anos.

Na contramão desses resultados, o mesmo levantamento também aponta um aumento de 15,5% no consumo regular de frutas e hortaliças ao longo da última década – subindo de 20% para 23,1%. A prática regular de atividade física também cresceu no Brasil em 25,7% no período, de 30,3% para 38,1%; enquanto o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 53,4% entre os adultos das capitais do País.

O Vigitel Brasil 2018 é uma pesquisa telefônica realizada com maiores de 18 anos, e de fevereiro a dezembro do ano passado 52.395 pessoas foram entrevistadas. Para avaliar a obesidade e o excesso de peso, a pesquisa leva em consideração o Índice de Massa Corporal (IMC), através do qual é possível classificar um indivíduo em relação ao seu próprio peso, bem como saber de complicações metabólicas e outros riscos para a saúde.

Porém, apesar dos indicadores serem cruciais para se radiografar a ocorrência de obesidade no Brasil, cujos dados colaboram na elaboração de políticas públicas relacionadas ao tema, o nutricionista Igor Guedes, delegado do Conselho Regional de Nutricionistas da 6ª região no RN, frisa que utilizar apenas o IMC (peso x altura²) “pode resultar em um falso positivo, pois sabemos que muitas pessoas, principalmente os homens, têm um percentual de massa muscular elevado e muitas vezes não se chega a um diagnóstico preciso”.

Na opinião de Luiz Marcos Fernandes Peixoto, diretor do departamento de orientação e fiscalização do Conselho Regional de Educação Física (CREF-RN), o estudo do Ministério da Saúde “chama atenção para a necessidade das pessoas mudarem de hábitos. As pessoas estão consumindo menos doces, menos refrigerantes, isso é verdade, mas ainda é pouco: além de ingerir menos, é preciso gastar essa energia”, observou.

Ele acrescenta que “os brasileiros estão mais preocupados com a saúde” e que esses dados sinalizam que “devemos ter mais cuidado”. Peixoto acredita que o RN tem condições de reverter o quadro de obesidade.

A facilidade dos fast foods, o excesso de açúcar e de sódio contido nos alimentos industrializados, e o consumo de alimentos ultraprocessados como bolachas, refrigerantes, salgadinhos, bolos prontos e sorvetes, e sucos de caixinha estão entre as principais causas da obesidade. O Ministério da Saúde fechou acordo com indústrias alimentícias estabelecendo metas de redução do açúcar pela metade até 2022.

Entre as principais doenças relacionadas à obesidade estão o Diabetes tipo 2, cardiopatias, hipertensão, problemas nos ossos e músculos, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e “a longo prazo o câncer também”, frisou.

Jovens adultos lideram índices
As faixas etárias de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos apresentaram as maiores taxas de crescimento de obesidade, respectivamente 84,2% e 81,1%. Esse índice também é alto (69%) no intervalo entre 18 e 24 anos, enquanto há uma redução nos números a partir dos 45 anos: de 45 a 54 anos a taxa é de 49%; entre 55 e 64 anos 37%; e acima de 65 anos, 34%.

Os jovens adultos abaixo dos 44 anos, grupo considerado “emergente” pelo profissional de Educação Física, “são pessoas que estão passando por aquela fase de formar uma nova família, e de se estabelecer no mercado profissional. Como a pressão social sobre esses indivíduos é grande, a saúde do corpo acaba ficando em segundo  plano – pois quando se é novo, o metabolismo está funcionando a mil por hora”. Luiz Marcos também lembrou “é preciso harmonizar a agenda de modo a contemplar a saúde. É um trabalho de geração para geração, e não importa o tipo de atividade física, o ideal é se identificar com uma modalidade com a qual mais se adapta”.

A nutricionista Lia Lorena destacou que o problema da obesidade é combatido “principalmente” com informação. Ela acredita que as pessoas que passam dos 45 anos “já sentem os sinais da idade, e entram em um processo de busca pela longevidade. Há alguns anos a procura no consultório era mais voltada para questões de saúde (diabetes, hipertensão), mas hoje em dia as pessoas estão mais preocupadas com a introdução de novos hábitos como forma de melhorar a qualidade de vida e prevenir o surgimento de doenças”.

Os nutricionistas Lia e Igor ensinam que os melhores alimentos para combater a obesidade e manter a saúde são o consumo de alimentos in natura (frutas e verduras), raízes (inhame, macaxeira, batata doce, jerimum), proteínas (carne, frango, peixe, ovos, grão de bico, feijão, lentilha e quinoa), fibras (aveia, chia, linhaça dourada) e “o consumo adequado de água também é super importante”, aconselhou Lia.