Natal
RN lidera ranking de risco de morte para jovens negras
Publicado: 00:00:00 - 12/12/2017 Atualizado: 23:43:33 - 11/12/2017
Yuno Silva
Repórter

O Rio Grande do Norte está no topo do ranking nacional, e registra o maior risco relativo de uma jovem negra ser assassinada em comparação às mulheres brancas com idade entre 15 e 29 anos. De acordo com o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017 (IVJ 2017), divulgado ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as jovens negras têm 8,11 vezes mais chances de serem vítimas de homicídios que as jovens declaradas brancas – a média Brasil alcançou 2,19 de risco relativo. O estudo, embasado em dados de 2015, considerou quatro indicadores como fontes primárias: violência entre os jovens; escolaridade e situação de emprego, pobreza; e desigualdade.

Magnus Nascimento
Este ano, 150 mulheres foram assassinadas no RN (até 10 de dezembro), sendo 120 negras (pretas e pardas) e 29 brancas

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Este ano, 150 mulheres foram assassinadas no RN (até 10 de dezembro), sendo 120 negras (pretas e pardas) e 29 brancas

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A pesquisa elaborada pelo Fórum, em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude a pedido da Unesco, analisou índices dos 304 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes – no RN, foram apuradas informações em Mossoró (77ª lugar no ranking geral), Natal (96ª posição) e Parnamirim (170º lugar).

“A violência contra a juventude negra no Brasil atingiu índices alarmantes e precisa ser enfrentada com políticas públicas estruturadas que envolvam as diversas dimensões da vida dos jovens como educação, trabalho, família, saúde, renda, igualdade racial e oportunidades iguais para todos”, declarou Marlova Noleto, da representação da UNESCO no Brasil, ao comentar os resultados no texto de abertura da pesquisa. “Essas mortes tem uma geografia e um endereço certo, pois estamos falando dos jovens, sobretudo das periferias, que estão mais expostos à violência”, acrescentou Noleto.

Essa foi a primeira vez que o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência, criado em 2014, destacou o risco relativo (variável que considera as diferenças de mortalidade) de violência que há entre negros e brancos. Os jovens de 15 a 29 anos, faixa etária onde se concentra o maior número de vítimas de crimes violentos no País, representa um quarto da população brasileira.

Além de destacar o risco relativo entre mulheres de 15 a 29 anos, o estudo do FBSP também apresenta índices da violência que atingem os jovens negros de forma geral: das 59.080 pessoas assassinadas em 2015, 54,1% eram jovens (ou 31.264 pessoas); 71% eram negras (pretas e pardas); e 92% do sexo masculino. Mais da metade são moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos.

Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o IVJ 2017 deve ser utilizado para nortear a elaboração de políticas públicas para a juventude. “É mais que uma prioridade, é uma necessidade”, sentencia Marlova Noleto, da representação da UNESCO no Brasil.

Além de reduzir a expectativa de vida da população, a violência também inibe investimentos e representa um obstáculo ao desenvolvimento econômico do Brasil, exigindo do poder público políticas pautadas na prevenção e na redução dos homicídios. Em números, a violência letal entre jovens custou ao Brasil cerca de R$ 80 bilhões em 2010, o correspondeu a cerca de 1,5% do PIB nacional naquele ano.

Sem surpresas
“O resultado não surpreendeu, é consequência da desigualdade, do desrespeito e do racismo. Precisamos trabalhar a prevenção no mesmo grau de importância, pois só o caráter punitivo não vai dar conta de um contexto social de violência”, disse Ana Cláudia Mendes, coordenadora do Departamento de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para a Mulheres (Semul).

Ela destacou que a situação revelada no estudo é verificada em ações de campo promovidas pela pasta. “Percebemos a ausência de políticas públicas, e a dificuldade de acesso à direitos básicos, como saúde, educação e segurança nas periferias”. Segundo Ana Cláudia, a Semul promove um programa itinerante para, justamente, levantar essas questões em comunidades e bairros. “A Secretaria está sensível a essa vulnerabilidade (das jovens negras), por isso nossa proposta é promover o diálogo e trabalhar para fortalecer uma cultura de prevenção – inclusive dentro das escolas”.

A Semul oferece atendimento às mulheres em situação de violência através do Centro de Referência Elizabeth Nasser, localizado na Av. Bernardo Vieira, 2280 – próximo à sede da Secretaria de Trabalho e Assistência Social (Semtas). Contato pelo telefone 3232-4875.

Números
8,11 vezes maior é o risco de uma jovem negra ser vítima de homicídio em relação a uma mulher branca entre 15 e 29 anos no RN, o maior índice do País; a média Brasil de risco relativo é de 2,19

6,9 vezes maior é o risco relativo de jovens negros (de ambos os sexos) serem vítima de homicídio em relação a jovens brancos entre 15 e 29 anos no RN, o quarto maior índice do País – atrás de Alagoas (12,7), Amapá (11,9) e Paraíba (8,9). A média Brasil de risco relativo, segundo a pesquisa, é de 2,7

150
foram assassinadas no RN em 2017 (até 10 de dezembro), sendo 120 negras (pretas e pardas) e 29 brancas – variação de 45,6% com relação à 2016

304 municípios com mais 100 mil habitantes foram pesquisados no Brasil; três no RN: Mossoró, Natal e Parnamirim

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e Obvio/RN


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