RN não se preparou para a vida sem a Petrobras

Publicação: 2019-10-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Cassiano Arruda

Registra o folclore político de Minas Gerais, que numa viagem ao Interior, o governador Tancredo Neves foi abordado por um eleitor, que lhe pediu um auxilio por se achar “desprevenido”, com a mulher grávida que precisava ser removida para a Maternidade.

Você, se diz “desprevenido” – disse o dr. Tancredo – tendo tido nove meses para se preparar, imagine eu, que estou aqui só de passagem...

É uma situação parecida do nosso Rio Grande do Norte diante do encerramento da área de exploração da Petrobras, depois de 40 anos, quando os seus campos de petróleo se tornaram “maduros”.

Tarde e atrasado, com a perspectiva de encerramento do escritório da estatal em Natal, o RN começa a se mexer. Porém, carente de argumentos capazes de convencer uma empresa do porte da Petrobras a manter no RN os setores como de exploração que está decidido há mais de cinco anos a se concentrar na área do pré-sal, muito mais rentável. 

Um pouco de história
Nosso Rio Grande do Norte tem o histórico de ser pioneiro e maior produtor de petróleo em campos terrestres, nos idos de 2009  até romper a fronteira de exploração e produção e recebeu investimentos da Petrobras para iniciar a construção de uma unidade de refino, uma mini refinaria, a Clara Camarão. Na época se falava em auto suficiência, como compensação por ter ficado SEM uma das grandes refinarias destinadas a Pernambuco e Ceará que não tinham presença como produtores de petróleo.

As primeiras pesquisas de petróleo no RN são de 1943, até o começo da década de ´70 prevaleceram estudos de reconhecimento da bacia (Bacia Potiguar). A partir daí a indústria do petróleo instalou-se em território potiguar, com a descoberta, em 1973 do campo marítimo de Ubarana, situado na plataforma continental e começado a produzir em 1976. A produção terrestre começou em 1979, quando para suprir o Hotel Termas, na cidade de Mossoró, um poço profundo que buscava água trouxe petróleo retardando a inauguração do hotel, maior obra do Governo Tarcísio Maia na cidade. Ai veio uma sucessão de descobertas terrestres: Fazenda Belém, Alto do Rodrigues, Estreito, Macau, Guamaré e Canto do Amado (o de maior produção). Enquanto os campos marítimos também aumentavam: Agulha, Aratum, Pescada e Arabaiana.

Em 1983 começa a funcionar o Polo Industrial de Guamaré e em 1985 começa a construção da primeira Unidade de Tratamento e Processamento de Gás, além do início da operação do gasoduto Nordestão.

Nessa época, o Polo de Guamaré recebeu investimentos da ordem de US$  1.65 bilhões, num só ano.

Caminho sem volta
A Federação das Indústrias vê o fechamento do escritório da Petrobras em Natal como o início de um desmonte progressivo das atividades da empresa no Estado, o que deve despertar a atenção de todos, sob a liderança da governadora Fátima Bezerra.

A Petrobras é muito relevante para a economia potiguar. Sem falar nas reservas  de  170 milhões de barris de petróleo em terra, o RN possui mais de três mil e quinhentos poços distribuídos em 15 municípios e dos royalties pagos, que somam cerca de R$ 250 milhões.

E o mais importante: - A Petrobras é responsável por uma cadeia de aproximadamente dez mil empregos formais, no nas áreas de Extração de Petróleo e Gás Natural. Por um levantamento feito, no ano 2000,  o setor de petróleo representava 45 mil empregos. Sem falar nas perdas já registradas depois de iniciado o processo de desinvestimento.

Em maio deste ano, o governadora Fátima Bezerra, ouviu do próprio Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que a empresa “não sairia do Rio Grande do Norte”. Certamente, que a estatal não sonha que apareça algum grupo capaz de comprar o Pólo de Guamaré, onde foram aplicados bilhões de dólares. Mas ficou claro que a venda dos campos maduros continuava em pauta.

Foi bom enquanto durou
E no primeiro dia deste mês, a Governadora solicitou uma Audiência com o Presidente da Petrobras para saber quais os planos da empresa estatal para o RN.

Um bom momento para se conhecer o que o RN está fazendo para se adaptar a uma nova realidade, que está em marcha, com a realização de vários leilões que já venderam mais de trinta campos maduros no RN.

É preciso entender que a Petrobras não é responsável pela situação do Estado. O Estado é que tem de cuidar da sua vida. Haverá vida no mundo do petróleo no Brasil, sem a Petrobras?

Este deve ser o novo desafio. É o que o nosso Rio Grande do Norte tem feito para o “Day After” do encerramento da atividade extrativa em terra pela companhia estatal.

E o que pode ser feito para manter o nível dos empregos nesse segmento, assim como o funcionamento de um dos – ainda – principais setores econômicos do Estado.

Sem esquecer o ensinamento de quem trabalha com transformações: “A tecnologia da pedra lascada acabou, mas não foi por falta de pedra...”Não precisa o petróleo acabar para se buscar outras alternativas.








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