RN não receberá recurso extra para melhorar Saúde até a Copa

Publicação: 2013-10-11 00:00:00
Valdir Julião - repórter

O Rio Grande do Norte  contratualiza com o Ministério da Saúde, anualmente, cerca de R$ 96 milhões para investimentos no Serviço Único de Saúde (SUS), mas o governo federal não está direcionando, exclusivamente, recursos financeiros por causa da Copa do Mundo de 2014, que tem Natal como uma das 12 cidades-sedes do país. “Os investimentos são nas mais variadas frentes. O que a gente está fazendo é identificar demandas. Não tem dinheiro para tudo e  não temos a expectativa de que uma Copa do Mundo vai te permitir sanar as distorções históricas de insuficiência de investimento em saúde”, afirma o secretário estadual de Saúde Pública, Luiz Roberto Fonseca.
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As áreas consideradas nevrálgicas e críticas e que precisam de mais atenção, segundo o secretário, são as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), Unidades de Pronto-atendimento (UPAs) e o Serviço Atendimento Móvel de Urgência (SAMUs). São elas, que hoje, concentram os investimentos. “Os recursos estão sendo mais direcionados para essas áreas para que não se tenha transtornos na Copa e se garanta assistência à população de forma continuada, mesmo depois da Copa do Mundo”, explica o secretário.

Para Luiz Roberto, é fundamental “que se entenda a Copa do Mundo não como um evento isolado, o qual a gente tenha de se ofertar uma sistemática de saúde diferente da que a gente oferta hoje, para pessoas especiais”.  Isso, acrescentou ele, “fere inclusive os preceitos do  SUS, que é universal e pra todo mundo, equânime pra todas as pessoas”.

Luiz Roberto reconhece que o governo precisa elevar a capacidade de resposta para a população local. “Ai sim, a  área de saúde e a cidade vão estar habilitada para receber as pessoas e os turistas, inclusive a demanda de 80 mil a 100 mil pessoas que estão sendo esperadas durante a Copa do Mundo, em Natal. Nós vamos atender bem, não vamos atender diferente. O que nós ofertamos para a nossa população, ofertaremos para aquele que nos visita”, afirmou o secretário.

Hoje – reconhece Luiz Roberto - a situação da saúde “é insuficiente para atender a nossa própria população”. Em função disso, até o fim doano vão ser abertos 56 novos leitos de UTI, conforme pacto firmado na Justiça Federal, além da perspectiva de abrir 100 novos leitos de retaguarda clínica no Estado.

No caso do Samu, exemplificou, já se ampliou de 42% para 72% a cobertura estadual. Atualmente, o serviço atende uma população de mais de 1,97 milhão de habitantes no interior e na Região Metropolitana de Natal (RMN). O Governo também                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              trabalha a abertura de quatro novas UPAs, como a da Cidade da Esperança, em Natal, até o final deste mês, que atenderá uma média de 850 pessoas por dia.

O secretário informou ainda que, até o fim do ano, a governadora Rosalba Ciarlini vai  assinar o decreto da criação da “Força Estadual de Saúde”, a exemplo que já existe no âmbito do Ministério da Saúde, em decorrência da criação de um Plano Estadual de Catástrofe que está em curso.

“Também está se fazendo um planejamento articulado entre as assistências de saúde e as vigilâncias sanitária e epidemiológica. para que se faça uma prevenção bem feita. No que diz respeito a desastre, catástrofe, acidentes com muitas vitimas, é muito mais importante prevenir, do que remediar depois que o acidente aconteceu”, afirmou.

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