RN pede avanços na gestão

Publicação: 2019-01-01 00:00:00 | Comentários: 0
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Desde que as eleições diretas para governador foram restabelecidas, em 1982, o Rio Grande do Norte passou por transformações. Nas últimas três décadas e meia, a taxa de analfabetismo caiu de 43,98% da população com mais de 15 anos de idade para 13,7%, em 2017, segundo os dados mais recentes do IBGE. A proporção de domicílios com segurança alimentar subiu de 35,26% em 2004 para 67,50% em 2013. A melhoria do atendimento básico reduziu a mortalidade infantil em mais de 85%. A morte de crianças abaixo de 4 anos caiu de 89,1  por cada mil nascidos vivos em 1991, para 12,8 em 2016. O número de idosos cresceu 32% de 1980 para cá. Estima-se que o RN tem hoje mais de 315 mil pessoas na faixa etária acima dos 65 anos, cerca de 73 mil a mais que nos anos de 1980.

Com o aumento da expectativa de vida, da renda e da escolaridade, o Índice de Desenvolvimento Humano saiu de uma faixa muito baixa (0,428) em 1991, para um nível intermediário (0,717) em 2014, segundo ranking mais recente. O Rio Grande do Norte ocupa o 16° lugar no Brasil, mas tem o melhor IDH do Nordeste. A pobreza foi reduzida pela metade, entre 1982 e 1999, mas aumentou entre 2016 e 2017 cerca de 2,1%, com ingresso de 85.803 pessoas na linha de pobreza. De acordo com os números da Síntese de Indicadores Sociais-2014, 90,7% dos alunos que frequentavam o ensino médio estudavam em escolas públicas em 2013. O mesmo estudo mostrou que esse pecentual estava em 87% em 2018. E a qualidade do ensino na rede estadual não é das melhores. Desde que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado, em 2005, o Rio Grande no Norte patina na parte de baixo da escala.

Em 2007 o RN era o 24° no ranking nacional; em 2009 ocupava o penúltimo lugar empatado com Rio de Janeiro, Amapá e Alagoas. Em 2009, o estado dividia a lanterna com Alagoas, enquanto Amapá e Rio de Janeiro deram um pulo à frente, ficando, respectivamente, em 19° e 15° lugar. De 2011 para 2017, a nota no Ideb variou de 2.8 para 2.9. Agora, o RN divide a penúltima posição com Pará e Bahia. Para atingir a meta da Educação, a nota de 2017 não poderia ser inferior a 3.9.

Nesse contexto, a gestão da governadora eleita Fátima Bezerra e do vice-governador, Antenor Roberto, é cercada de expectativas. A população potiguar vislumbra melhoria nos serviços públicos nas áreas prioritárias: Saúde, Educação e Segurança.

Empresários aguardam mudanças positivas no sistema previdenciário e tributário que possibilitem a redução da burocracia, a otimização da arrecadação e, principalmente, do dispêndio dos recursos arrecadados através dos impostos, e o consequente reaquecimento da economia potiguar.

Colocar os salários atrasados em dia é uma emergência para cerca de 110 mil servidores ativos e aposentados e o cenário de desequilíbrio fiscal é a principal barreira a ser transposta.

Fátima Bezerra - governadora eleita
Fátima Bezerra, governadora eleita do Rio Grande do Norte

Fátima Bezerra tem 63 anos e nasceu em Nova Palmeira, pequena cidade que fica no chamado Seridó paraibano. Mudou-se para o Rio Grande do Norte para dar continuidade aos estudos. Cursou o Ensino Médio e fez Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). É filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Tornou-se educadora da rede pública estadual e do município de Natal. Foi dirigente sindical do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN), maior do estado e um dos maiores do Nordeste, onde exerceu vários cargos, inclusive o de Coordenação Geral.

Sua atuação à frente das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras da Educação nas décadas de 1980 e 1990 a credenciaram a vencer a eleição de 1994 para deputada estadual. Foi reeleita em 1998 com expressiva votação e em 2002, com 163 mil votos, foi a parlamentar mais votada do estado, tornando-se a primeira deputada federal do campo popular da história do Rio Grande do Norte.

Foi reeleita em 2006 e em 2010, ano em que foi consagrada nas urnas e recebeu do povo potiguar mais de 220 mil votos, novamente a mais votada. A avaliação da sua atuação nos três mandatos de deputada federal, por parte do povo potiguar, a impulsionaram a disputar o Senado Federal em 2014. Eleita, tornou-se a primeira senadora de esquerda e de origem popular do estado. Em 2018, foi eleita governadora do Rio Grande do Norte em votação recorde, com mais de um milhão de votos. É a única governadora eleita no País.
Antenor Roberto Soares de Medeiros -

vice-governador eleito
Antenor Roberto afirma que a governadora eleita não demoniza os partidos políticos

O vice-governador é o comunista Antenor Roberto Soares de Medeiros, presidente do Comitê Estadual do PCdoB-RN e membro do Comitê Central do Partido. Começou sua militância política no movimento estudantil, quando filiou-se ao PC do B em 1987. Enquanto estudante de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Antenor presidiu o Diretório Central dos Estudantes (DCE). Depois foi responsável por várias secretarias do Comitê Estadual no RN, sendo eleito para o Comitê Central no 12° Congresso (2009).  Com 57 anos, Antenor é casado, nascido em 7/6/1961 em Caicó-RN, formado em Direito, é advogado e procurador do Estado.

Governadores Pós-Redemocratização

José Agripino (1983/86 - 1991/94)
José Agripino afirma que há negociações em andamento

Em 1983, a preocupação de José Agripino era com a seca, que estava entrando para o quinto ano, com registros de saques a feiras livres, mercearias e mercadinhos no sertão e até confrontos entre famintos e policiais. O analfabetismo, batendo na casa dos 40% da população adulta era outra preocupação do governador, que sucedeu o primo Lavoisier Maia Sobrinho. Lavoisier encerrou o ciclo dos biônicos, como eram chamados os governadores e prefeitos das capitais nomeados pelos militares. Agripino criou programas estruturantes para recuperar a economia rural, como o Projeto Curral e desenvolveu ações para combater a sonegação e aumentar a arrecadação.

Megaconstrução: Obras de drenagem

Geraldo Melo (1987-1990)
Geraldo Melo, do PSDB

Geraldo Melo assumiu o comando do governo do Estado, em 1987, com uma lista de pepinos debaixo do braço. Na primeira entrevista após tomar pé da situação, prometeu levar adiante os projetos de irrigação da Chapada do Apodi e do Mato Grande, colocar a polícia nas ruas para enfrentar os bandidos, criar o “Guarda de Quarteirão”, atacar o imenso déficit habitacional e adotar medidas para equilibrar as finanças estaduais. Naquele ano, a “elite” do serviço público, abrigada no Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e Assembleia Legislativa consumia 70% da folha de pagamento.

Megaconstrução: Duplicação da Ponte de Igapó

Garibaldi Filho (1995-2002)
O senador Garibaldi Filho se despediu do senado

Em 1995, quando Garibaldi tomou posse, o Rio Grande do Norte estava esfacelado pela hiperinflação da década de 1980 e dos primeiros anos que antecederam o Plano Real. No Estado, 46% da população estava abaixo da linha de pobreza. Cerca de 1,1 milhão vivia em condições de miséria. A taxa de analfabetismo, que era a preocupação de Agripino 12 anos atrás, beirava os 35%. Para cada grupo de 1.000 crianças que nasciam, 89 morriam antes de completar cinco anos de vida. A taxa de desnutrição infantil era alta. Surgiu então o “Programa do Leite”, experiência que tinha dado certo quando foi prefeito de Natal, criando milhares de empregos no campo.

Megaconstrução: Adutoras para levar água ao interior do Estado

Wilma de Faria (2003-2010)
Wilma de Faria: escolha de novo partido

Quando a professora Wilma Maria de Faria assumiu o governo pela primeira vez, em 2003, a mortalidade infantil havia caído quase 40%, o Estado já dispunha de uma rede de adutoras para abastecer municípios das regiões Agreste, Central e Médio Oeste e dispunha de dois grandes reservatórios com capacidade para acumular mais de 800 milhões de metros cúbicos de água para abastecimento humano e irrigação. O RN agora tinha 2,8 milhões de habitantes. Deficientes, a segurança pública e a geração de empregos foram eleitos o carro-chefe da nova administração. Surgiram o Tributo ao Cidadão, o Primeiro Emprego.

Megaconstrução: Ponte Forte
Redinha

Rosalba Crialini (2011-2014)
Rosalba Ciarlini afirma que, neste momento, os prefeitos entendem a situação que ela enfrentou

Eleita no primeiro turno, a pediatra Rosalba Ciarlini iniciou o governo com um desafio fixado por ela mesma: levar médicos ao interior para cuidar da atenção básica e investir no saneamento básico para tirar o Estado da situação vexatória em que se encontrava perante as demais unidades da federação. Outra meta era estruturar a educação para tirar o RN das últimas posições no ranking do Ideb. No primeiro discurso público, após a cerimônia de posse, firmou posição sobre o que o eleitor poderia esperar dela: "Chega do Estado de preguiça e do Governo mendigo que deixaram o RN sem obras e sem investimentos”.

Megaconstrução: Estádio Arena das Dunas

Robinson Faria (2015-2018)
Robinson Faria afirma que exerceu o mandato sem o apoio que precisaria e não contou com as alianças necessárias para recuperar o Estado

Em 2015, o RN enfrentava uma escalada na violência e três anos consecutivos de seca. Eleito governador em 2º turno, o empresário Robinson Faria (PSD) defendeu o desenvolvimento do Rio Grande do Norte com ações focadas na justiça social, propôs um pacto para acabar com a “letargia” do Estado e disse que governaria na legalidade, mas não com burocracia. Ao empresariado prometeu segurança jurídica para os investimentos. Para a educação, anunciou a implantação do Plano Nacional de Educação. Na saúde, prometeu recuperar os 25 hospitais regionais e redefinir os seus perfis.  Na segurança, anunciou o ‘Ronda Cidadã’.

Megaconstrução: Centros de Educação Profissionalizante (sete)


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