RN precisa investir R$ 1,2 bilhão em infraestrutura para recursos hídricos

Publicação: 2019-04-18 00:00:00 | Comentários: 0
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O Rio Grande do Norte precisa de investimentos de pelo menos R$ 1,2 bilhão em 16 anos para ter segurança hídrica, segundo um relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) do Plano Nacional de Segurança Hídrica. Os investimentos incluem valores de obras, projetos e estudos previstos pela ANA até 2035 com objetivo de diminuir os impactos da seca e garantir o fornecimento de água para a população. Na avaliação do diretor da agência, Ricardo Andrade, a principal obra do plano  para o estado é a conclusão do Eixo Norte da transposição do rio São Francisco – estimada em R$ 244,89 milhões e com previsão de conclusão este ano.

O açude Marechal Dutra, conhecido como Gargalheiras, em Acari, é um dos reservatórios que não tem grandes ramais alimentadores de água e está seco
O açude Marechal Dutra, conhecido como Gargalheiras, em Acari, é um dos reservatórios que não tem grandes ramais alimentadores de água e está seco

O Plano Nacional de Segurança Hídrica foi elaborado para ser um guia para a tomada de decisões de obras estruturantes no tema. Em relação ao nordeste, as maiores preocupações são em relação às secas, constantes porque a região está localizada numa área de poucas chuvas durante o ano. Para o Rio Grande do Norte, a ANA estima que são necessárias pelo menos sete obras nos próximos 16 anos para diminuir os impactos desses períodos. Além da transposição, outras duas obras estão em andamento: o sistema adutor entre Santa Cruz e Mossoró e a Barragem de Oiticica.

“A situação de estados como Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará são muito semelhantes. Esses quatros estados  são de uma região dentro do Nordeste que sofre com a seca e tem a necessidade de obras”, avalia Ricardo Andrade, diretor da ANA. “Somente obras estruturantes podem melhorar a segurança hídrica desses locais. Por isso elaboramos esse plano, com meta de cumprir até 2035, envolvendo estudos, projetos e obras. Nós temos que estar sempre a frente da agenda de crise para não sofrer quando ela chegar”.

Outras obras planejadas para o estado são: ampliação do sistema adutor Monsenhor Expedito, responsável pelo abastecimento de 23 cidades da região agreste; o eixo de integração d'água entre Santa Cruz e Pau dos Ferros; ampliação do sistema adutor da Armando Ribeiro Gonçalves - Currais Novos; e o sistema adutor entre Oiticica e Caicó. Essas estão em fase de elaboração de projeto e previstas para iniciar entre 2021 e 2022.

Três estudos também estão sendo feitos no estado para avaliar a necessidade e viabilidade de outras obras. O relatório da ANA lista os estudos feitos para construções das barragens Bujari e Serra Negra do Norte, de um eixo da transposição do rio São Francisco no ramal do Apodi e o aproveitamento de água para a Região Metropolitana de Natal, em Maxaranguape. “Esses estudos são necessários para não construir elefantes brancos”, explica o diretor da ANA.

Segundo Ricardo Andrade, os sistemas de adutoras estão entre as razões principais para o êxodo rural nos estados nordestinos ter diminuído no século passado. “Hoje, mesmo com sete anos seguidos de seca, nós não vemos um movimento tão intenso de êxodo rural no Rio Grande do Norte, por exemplo. Isso se dá graças às adutoras, que começaram a ser construídas nos anos 90. Mas nós precisamos sempre aperfeiçoar a segurança para sofrer cada vez menos o impacto”, afirmou.

O relatório da ANA estima que, se todo plano nacional for cumprido, 1% da população do Brasil vai estar em situação crítica em relação ao fornecimento de água. Se não for cumprido, 35% estará nessa faixa.  Entretanto, ainda não existem dados locais sobre quantos milhões de pessoas podem ser beneficiadas no estado com o plano. “Esse dado prova a importância da adoção do Plano Nacional de Segurança Hídrica. Temos um levantamento bastante apurado do que precisa ser feito e do estágio que queremos atingir, que é garantir o acesso à água para todos os brasileiros”, destaca Gustavo Canuto, ministro do Desenvolvimento Regional.

Investimentos
O investimento necessário para a realização dos estudos, projetos e obras para o Rio Grande do Norte, na avaliação do diretor da ANA, Ricardo Andrade, somente vai ser possível de ser conseguido se houver parceria com a iniciativa privada. “O que nós temos que construir são condições ideais para o investimento”, explicou. “Uma opinião minha é que eu não consigo enxergar hoje, no Brasil e no mundo, avanços nessa área sem a presença da iniciativa privada”.

De acordo com Ricardo, os governos devem buscar essas parcerias para se preparar no cumprimento do plano, mas por meio de parcerias público-privadas, não da privatização. “Não estou defendendo a privatização. O que eu acho é que devem ter parcerias público-privadas que o governo, estadual e federal, deve buscar”, concluiu Ricardo.

Quem
A segurança hídrica considera quatro dimensões no Plano Nacional de Segurança Hídrica: humana, econômica, ecossistêmica e de resiliência. A humana abrange a garantia da oferta de água para abastecimento humano. A econômica trata da oferta hídrica para o desenvolvimento e atividades produtivas. A ecossistêmica diz respeito à qualidade da água compatível com os usos múltiplos. Já a dimensão de resiliência aborda a vulnerabilidade a eventos de secas em função dos estoques de água naturais e artificiais, como reservatórios.

Números
R$ 1,2 bilhão são necessários para garantir a segurança hídrica do Rio Grande do Norte até 2035

7 estão previstas inicialmente para o Rio Grande do Norte

4 estudos estão sendo realizados atualmente

4 projetos estão sendo realizados atualmente










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