RN reativa Comitê de Emergência em Saúde como prevenção ao coronavirus e define fluxo de atendimento

Publicação: 2020-02-01 00:00:00
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Mariana Ceci
Repórter

Diante da situação de emergência global pelo coronavírus decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e da chegada de um caso suspeito ao Ceará, o Rio Grande do Norte reativou o Comitê de Emergência para Eventos em Saúde no Estado a fim de monitorar a possibilidade de chegada do vírus em território potiguar. O Estado foi a primeira unidade federativa a elaborar um protocolo de fluxo e manejo de pacientes com suspeita ou confirmação do novo vírus. Em  coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (31), representantes da Secretaria de Estado de Saúde Pública afirmaram que "não há motivo para pânico", e que as medidas foram tomadas de forma preventiva, tendo como base a experiência vivida em 2019 com o sarampo.

Créditos: Ascom/SesapPlano de prevenção contra Coronavírus foi detalhado em coletiva de imprensaPlano de prevenção contra Coronavírus foi detalhado em coletiva de imprensa
Em coletiva de imprensa, autoridades da saúde afirmaram que não há motivo para pânico entre a população

“Não há motivos para pânico. Estamos tomando todas as medidas preventivas para garantir que as linhas assistenciais estejam montadas, e as orientações sejam distribuídas aos profissionais. Orientamos as pessoas a  não optarem pela automedicação ou outras medidas desesperadas”, disse o secretário adjunto da Sesap, Petrônio Spinelli. Além dele, participaram da coletiva a Subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica do Estado, Alessandra Lucchesi, e o diretor do Hospital Giselda Trigueiro, André Prudente.

A princípio, dois hospitais serão referência para o atendimento aos casos suspeitos no RN: o Hospital Giselda Trigueiro e o Maria Alice Fernandes, ambos na capital potiguar. Caso seja necessário, a Secretaria afirma que duas outras unidades estão preparadas para atender aos casos mais graves, o Hospital Rafael Fernandes, em Mossoró, e o Hospital de Caicó.

“Por precaução e prevenção, nos antecipamos em algumas tarefas, como trabalhar o fluxo de pacientes e fazer um protocolo clínico de atendimento”, afirma Spinelli. De acordo com ele, uma reunião foi feita na última quinta-feira (30) com os coordenadores de todos os hospitais estaduais, e reuniões individuais estão sendo feitas com diretores dos hospitais privados da capital para distribuir o protocolo e tirar dúvidas a respeito do novo vírus.

“Temos patologias que são mais emergentes e as quais a população precisa ficar mais atenta. Antes de fazer profilaxia individual por causa do coronavírus, a população precisa estar atenta à dengue e Influenza”, completa o adjunto da Sesap.

No protocolo publicado pela Secretaria de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), assinado pelo infectologista André Prudente, diretor do Giselda Trigueiro, são expostos alguns dos sintomas que podem contribuir para que o caso seja definido como suspeito de coronavírus. Apesar de serem semelhantes aos de doenças respiratórias e outras viroses, os sintomas que apontem para sepse, choque séptico e síndrome da angústia respiratória aguda devem ser manejados em unidades de terapia intensiva.

Além disso, o documento determina medidas de proteção e controle consideradas fundamentais para diminuir as chances de disseminação da doença para outros indivíduos. Precauções padrão como higienização das mãos e uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI) que evitem contato com sangue, secreções e lesões cutâneas devem ser adotadas, bem como medidas que diminuam o risco de acidentes com materiais perfurocortantes.

As indicações são de se fornecer máscara cirúrgica ao paciente (desde que não esteja com dispneia) e afastá-lo dos demais doentes, além de instruí-lo a cobrir boca e narinas ao espirrar ou tossir com lenços ou cotovelo flexionado, além de higienizar as mãos sempre que entrar em contato com secreções. Os profissionais devem ficar afastados em dois metros até que esteja com os EPIs necessários.

As informações oficiais a respeito da situação do Estado e das orientações repassadas pelo Ministério da Saúde e Anvisa serão divulgadas semanalmente, no site da Sesap.

Portos e aeroportos
Em relação à chegada de pessoas no aeroporto e nos portos do Estado, a Secretaria ressalta que não há voos diretos do Rio Grande do Norte para os países asiáticos, epicentro da infecção. “São voos que sequer partem do Nordeste, saem diretamente do Rio de Janeiro de de São Paulo, e isso dilui um pouco o controle a nível local”, afirma Spinelli.

De acordo com ele, o controle de pessoas que chegarem a partir de voos domésticos vindas da China ou de áreas onde há maior quantidade de pessoas infectadas será a partir da disponibilização individual. O mesmo se aplica a tripulantes desses países que podem chegar em navios nos portos de Natal e Areia Branca.

“Ainda não há determinação de controle excessivo da entrada das pessoas vindas desses países, ou de bloqueio dessa entrada. Isso vai partir apenas do Ministério da Saúde”, afirma a subcoordenadora da Suvige, Alessandra Lucchesi. “No momento atual, não há nenhum mapeamento específico de pessoa a pessoa do seu trânsito no país a partir do momento que ela chega na China. Porém, existem planos de contingência específicos formatados para portos e aeroportos, que serão acionados caso necessário”, completa.

De acordo com ela, já foram feitas reuniões com a Companhia de Docas do Rio Grande do Norte (Codern) e com a Marinha do Brasil a fim de revisar o plano emergencial. Diferente do que prevê o protocolo original, a Anvisa não será a única contatada caso surja algum caso suspeito, e a Sesap também deverá ser imediatamente informada.

“Isso facilita bastante o nosso trabalho enquanto vigilância epidemiológica, para que o nosso Estado não vivencie o que outros viveram durante a epidemia do Sarampo, onde a Anvisa liberava a livre prática pelo navio e o nosso centro de informações estratégicas em saúde orientava que não se tivesse trânsito de pessoas ou a liberação do navio”, completa.

Veja como se dá a transmissão do vírus

Como o novo coronavírus é transmitido?
As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa está ocorrendo.

Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o novo coronavírus se espalha de pessoa para pessoa.

Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como:

Gotículas de saliva;
Espirro;
Tosse;
Catarr;
Contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;
Contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.
Os coronavírus apresentam uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe e, portanto, o risco de maior circulação mundial é menor.
O vírus pode ficar incubado por duas semanas, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

Como prevenir o novo coronavírus?
O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:
Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;
Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;
Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
Manter os ambientes bem ventilados;
Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Quais são os sintomas do novo coronavírus?
Os sinais e sintomas clínicos do novo coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias.

Os principais são sintomas são:
Febre.
Tosse.
Dificuldade para respirar.

Como deverá ser a dinâmica de atendimento
Créditos: ReproduçãoFluxo de atendimento Sesap - coronavirusFluxo de atendimento Sesap - coronavirus











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