RN se prepara para a guerra que não termina com o vírus

Publicação: 2020-03-25 00:00:00
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Cassiano Arruda

Nos primórdios da civilização cristã existem muitas histórias de cidades que foram sitiadas por exércitos mais poderosos, cuja aproximação, com toda a carência de meios de comunicação da época, permitia que houvesse algum tipo de preparação dentro e fora dos muros de quem era atacado, se preparando para enfrentar uma nova situação.

Mas agora, uma tragédia mundial começou na China, que se preparou para enfrentar um inimigo poderoso, mas a comunicação do que estava acontecendo foi considerada falha, em muitos casos não dando tempo para que houvesse uma preparação adequada em alguns países.

No Brasil a situação é diferente de todos os outros lugares. Aqui, o corona vírus chegou trazido por representantes da mais alta administração federal, diretamente dos Estados Unidos transportado à bordo do avião presidencial, contaminando mais de 20 integrantes de sua comitiva oficial.

E os brasileiros foram tomar conhecimento que o vírus tinha chegado quando o Presidente da República cancelou uma visita que faria a Mossoró, dia 12 de março, pela possibilidade do primeiro mandatário também  estar infectado pelo coronavírus.

SURPRESA ANUNCIADA
Mesmo tendo cancelado a visita a Mossoró, o presidente Jair Bolsonaro foi perdendo as inúmeras oportunidades de assumir o comando da Nação, convocando a todos para lutarem contra um inimigo comum que estava ceifando vidas humanas por onde passou.

Bolsonaro, pelo contrário, começou a duvidar das notícias que já começavam a mudar a vida das pessoas num inédito programa de prevenção, e mesmo assim, temos de reconhecer o muito que  já foi feito aqui.

Aproveitando o vácuo na estrutura de comando, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, um ex-deputado do Centrão,  assumiu sua responsabilidade, a partir da constatação de que  o coronavírus não tinha partido político.

Agindo com  prudência, mostrou-se a altura do cargo num momento difícil, assumiu a condição de protagonista e terminou provocando os ciúmes do Presidente da República. E ajudou a manter as condições para instalação de um comitê de crise com apoio dos governadores

Não se pode dizer que nada foi feito. Mas há um visível desperdício de forças pela falta Comando único e nítido  que o Brasil já reclamava em razão do que  a gravidade da situação já exigia.

DOSE PRA ELEFANTE
- E o nosso RN?
Nessa fase preliminar o desempenho dos nossos gestores está sendo feito dentro das possibilidades de cada um e com iniciativas que a situação exige, como a ampliação da capacidade hospitalar (e de UTI´s) que começou como um problema aparentemente insolúvel.
A Prefeitura de Natal aposta no uso de parte do Hotel Parque da Costeira, adaptado para hospital de campanha, que está em processo de leilão pela Justiça do Trabalho, enquanto o Governo do Estado, também identificou o Hospital do PAPI, também num processo judicial, para virar um hospital de campanha nessa fase emergencial.

Pode ser que nem um dos dois precisem ser usados, mas, nessa fase preliminar, ambos prestam enorme serviço, mostrando a população que existem alternativas, que há dez dias, quando o assunto foi levantado pela imprensa, parecia sem solução.

COMANDO DE GUERRA
Se, do ponto de vista médico, a estrutura do SUS oferece um mínimo  de organicidade para a correta aplicação de recursos estaduais e municipais, sem o perigo de desperdício pela duplicidade de esforços, no geral, está na hora de  criar um comando único e fora da estrutura oficial com representantes da sociedade organizada e de outros organismos oficiais para a emergência no seu todo.

É preciso entender que o nosso problema não vai acabar quando os infectados forem tratados.

Esperando que o esforço que vem sendo feito permita o atendimento dos doentes e as medidas de prevenção – em níveis nunca realizados no Brasil – consigam reduzir os seus efeitos ainda existe um grande problema pela frente.

É o preço da paralisação da economia de um país de dimensão continental como o Brasil, começando pela recuperação das empresas e a preservação dos empregos ameaçados pela turbulência na economia.

A Guerra vai ter desdobramentos em outros campos.

HORA DE SOMAR
Em termos de RN existe um aparente sentimento de colaboração e uma ausência da baixa política que vem sendo questionada no nível mais alto, com um inexplicável confronto do Governo Federal com os grandes Estados.

Aqui a própria sociedade organizada vem dando demonstrações da existência de diálogo com os órgãos governamentais, mas ai é visível a falta de mecanismo capaz de atrair o resultado das múltiplas campanhas que estão sendo realizadas e que poderão ter um papel importante agora e no futuro.

Dar organicidade ao diálogo, estabelecer canais permanentes de comunicação e quantificar o contingente de forças disposto a atuar dentro e fora de estrutura oficial, pode tornar forte quem começou aparecendo tão fraco, e que possa comandar um mini Plano Marshall  (que recuperou a economia europeia depois da 2ª Guerra) quando o vírus inimigo for vencido.





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