RN tem 94 municípios em rodízio

Publicação: 2019-05-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Com a aproximação do fim da quadra chuvosa, que ocorre entre os meses de abril e maio no semiárido, clima que corresponde a 92% do território do Rio Grande do Norte, 94 municípios ainda estão em sistema de rodízio para o abastecimento humano das populações. Embora, três municípios se encontrem em situação de colapso de abastecimento, representando uma queda considerável em relação ao mesmo período no ano passado, quando 12 cidades se encontravam nessa situação.

Barragem Armando Ribeiro Gonçalves tem capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos, está com 33,44% do seu total
Barragem Armando Ribeiro Gonçalves tem capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos, está com 33,44% do seu total

Apesar da melhora em relação ao ano anterior, a situação geral do estado, no entanto, ainda não é confortável, pois as cidades antes em colapso passaram para situação de rodízio, de acordo a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), responsável pelo abastecimento humano. As cidades que permanecem em situação de colapso de abastecimento são Paraná, Pilões e São Miguel, todas na região do Alto-Oeste potiguar.

O Governo do Estado já publicou a portaria de emergência pela seca, e teve 144 dos 148 municípios reconhecidos pelo Governo Federal dentro da situação de emergência. O decreto tem validade de 180 dias após a publicação, e deve ajudar a garantir recursos para dar continuidade a operações de abastecimentos para esses municípios.

Ao todo, foram solicitados R$ 13 milhões pela Defesa Civil para dar continuidade a Operação Pipa, de abastecimento das zonas urbanas das cidades em colapso. O valor será suficiente para garantir a operação até o fim da vigência do decreto. Atualmente, o pedido está sendo analisado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, afirma o tenente-coronel Marcos Carvalho, coordenador do órgão no RN.

“A partir desse reconhecimento por parte do Governo Federal, o Estado se habilita para solicitar recursos para essa operação, que é o que a gente chama de plano detalhado de resposta. Solicitamos  R$ 13 milhões para atendimento a esses três municípios durante a vigência dessa portaria.”, afirma Carvalho.

De acordo com ele, uma equipe de resposta está em campo nas cidades em colapso realizando o processo de cadastramento das famílias que vão receber a água e levantando informações sobre a situação das cisternas das casas, uma preparação para o início da operação. A defesa civil é responsável por assistir apenas a zona urbana dos municípios em colapso, e a zona rural fica a cargo do Exército, que realiza sua própria operação.

A operação da defesa civil foi interrompida desde o dia 31 de dezembro de 2018, quando chegou ao fim a validade do decreto anterior de emergência pela seca. De lá até aqui, as cidades em colapso – que, em janeiro, eram cinco no total -, vem sendo abastecidas graças ao rodízio feito pela Caern, afirma a defesa civil. “Onde a Caern atua, está sendo disponibilizada a água a partir dos rodízios. A ideia da operação é complementar isso”, afirma.

De acordo com o tenente-coronel, não há um prazo definido para que o Governo Federal envie os recursos para recomeçar a operação. “Mas já tivemos aqui membros da secretaria nacional que viram a nossa situação e a gravidade dela, então acreditamos que não devemos demorar a ter uma resposta”, afirma.

Reservatórios
A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, a maior do Estado, com capacidade para 2,4 bilhões de metros cúbicos, está com 33,44% de sua capacidade preenchida, de acordo com o monitoramento volumétrico da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), atualizado no último dia 5.

Em 2018, que havia sido o melhor ano de chuvas desde o início da seca que durou seis anos no Estado, a barragem atingiu, no máximo, 29% de sua capacidade. O número sinaliza uma tendência de normalização das chuvas no Rio Grande do Norte, e dá uma autonomia de ao menos dois anos para o abastecimento do Estado. Caso a barragem atinja 40% de sua capacidade, uma previsão ainda vista como possível pelas autoridades, a autonomia subirá para 3 anos.

De acordo com os dados da Semarh, a Bacia do Trairí é a que se encontra com situação mais crítica entre seus reservatórios, com 0% do volume preenchido nos açudes do Trairi, Santa Cruz do Trairi e Inharé. Cinco reservatórios, no entanto (Pataxó, Mendubim, Beldroega, Lagoa do Boqueirão e Lagoa de Extremoz) estavam com 100% de sua capacidade preenchida.

A Bacia Piranhas/Assu também apresenta reservatórios em situação crítica: Esguicho, Passagem de Traíras, Itans e Gargalheiras não ultrapassam 2% de sua capacidade. No açude de Gargalheiras, em Acari, 0,59% do volume está preenchido. Já no Itans, no município de Caicó, há apenas 1,77% do volume de água.







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