RN tem a 4ª menor taxa de letalidade para a covid-19

Publicação: 2021-01-05 00:00:00
Luiz Henrique Gomes
Repórter

Com a marca de 3 mil mortes causadas pela Covid-19 ultrapassada no domingo (3), o Rio Grande do Norte possui a quarta menor letalidade da doença entre os Estados do Nordeste conforme números do Ministério da Saúde. O Estado possui 86 óbitos para cada 100 mil habitantes, letalidade superior somente à Bahia, Maranhão e Alagoas. Entretanto, a situação local é considerada “moderada” por especialistas, com curvas que indicam redução de novos casos e aumento de mortes nas últimas semanas.

Créditos: ReproduçãoEspecialistas afirmam que casos que poderão ter relação com festas de réveillon em Pipa eSão Miguel do Gostoso só deverão se confirmar na segundaquinzena de janeiro. Na foto, ruacentral de Pipa é tomada por multidão no dia 2 dejaneiroEspecialistas afirmam que casos que poderão ter relação com festas de réveillon em Pipa eSão Miguel do Gostoso só deverão se confirmar na segundaquinzena de janeiro. Na foto, ruacentral de Pipa é tomada por multidão no dia 2 dejaneiro

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Nesta segunda-feira (4), a Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap/RN) confirmou 3.011 óbitos causados pela Covid-19 e 119.186 casos confirmados da doença. Os números foram alcançados após uma aceleração no número de novos casos observados a partir de 1º de outubro até 1º de dezembro, quando a média móvel chegou em 768 casos por dia – maior média registrada pelo Estado desde maio.

 Com o atual número de mortes confirmadas, o Rio Grande do Norte tem uma letalidade menor que o Ceará, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Piauí, de acordo com os dados do Ministério da Saúde. Em Sergipe, que tem a segunda maior letalidade, o número de mortes absolutas é de 2.508 entre 2,22 milhões de habitantes.

 Nacionalmente, a letalidade do novo coronavírus é de 93 mortes para cada 100 mil brasileiros. A taxa do Nordeste é de 84 mortes para cada 100 mil habitantes, ainda de acordo com o Ministério da Saúde. “Com relação à média do Brasil e do Nordeste, o Rio Grande do Norte está em uma situação moderada e, portanto, deve estar sempre em alerta para manter o controle da pandemia”, analisou o especialista Ricardo Valentim, diretor do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS-UFRN) e membro do Comitê Técnico-Científico da Sesap/RN.

 Uma análise do especialista e também integrante do Comitê Técnico-Científico da Sesap, Angelo Roncalli, registrada no documento “Epidemiologia da covid-19 no RN: tendência de casos e óbitos”, mostra que a curva epidemiológica de novos casos de coronavírus no Rio Grande do Norte voltou a cair em dezembro, enquanto as mortes cresceram. Os óbitos apresentaram uma média móvel de cinco mortes por dia, depois de chegar a três em novembro.

 Entretanto, o estudo destaca que é cedo para afirmar que os dois movimentos são “sustentados”, portanto, não indicam uma tendência que deve seguir nas próximas semanas. As curvas foram observadas a partir do dia 1º de dezembro e seguem os dois movimentos até o dia 13, última data analisada.

 Ricardo Valentim concorda que ainda não é possível mostrar que as duas tendências observadas nas primeiras semanas de dezembro (aumento de mortes e redução dos casos) são sustentadas. Segundo Valentim, é necessário esperar até a segunda semana de janeiro para consolidar os dados de dezembro e ter mais segurança sobre o comportamento da pandemia.

 Os dados são analisados até o dia 13 de dezembro porque há um atraso de até 15 dias nas notificações de novos infectados. Isso acontece porque a data registrada pela Sesap na contabilização dos novos casos é a data do primeiro sintoma que o paciente apresentou. Entretanto, o registro na base de dados ocorre apenas depois da confirmação do exame RT-PCR, que leva até 15 dias.