Natal
RN tem primeira morte de indígena vítima da Covid-19
Publicado: 00:00:00 - 15/05/2020 Atualizado: 09:27:28 - 15/05/2020
Matteus Fernandes
Repórter

A primeira morte de um indígena em decorrência da Covid-19 no Rio Grande do Norte foi confirmada por um levantamento feito pela Articulação dos Povos Indígenas do Rio Grande do Norte (APIRN). A vítima era um índio não aldeado que morava em uma comunidade na zona Norte de Natal. Ele tinha 39 anos e morreu na noite da quarta-feira, 13. De acordo com o estudo, duas aldeias potiguares tem três casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, o causador da doença.

Cedida
Índios da Tribo Catu estão preocupados com o avanço dos casos de coronavírus entre a população indígena no Rio Grande do Norte

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O indígena era de etnia potiguara, oriundo da aldeia dos Mendonças, localizada em João Câmara. Ele era membro de uma das 48 famílias da comunidade, formada por índios que migraram da aldeia com destino à zona Norte da capital potiguar. 

O levantamento dos dados sobre a incidência da Covid-19 entre os indígenas potiguares é feito pela própria comunidade. O coordenador da APIRN é Luiz Katu, cacique da aldeia Catu, situada entre os municípios de Goianinha e Canguaretama. Além da sua tribo, o líder indígena colhe informações com os caciques das outras 13 aldeias espalhadas pelo Rio Grande do Norte. As informações são atualizadas diariamente.

Até esta quinta-feira, 14, três casos da Covid-19 haviam sido confirmados em aldeias potiguares, segundo a Associação. Dois deles foram na aldeia do cacique Luiz Katu e outro na aldeia Sagi-Trabanda, localizada em Baía Formosa. Dessa aldeia, o paciente contaminado foi uma criança que cumpriu isolamento domiciliar e está recuperada da doença. Os dois casos na aldeia Catu são de adultos, um homem e uma mulher. O homem, inclusive, passou duas semanas internado em Natal e recebeu alta. Ambos seguem as orientações de isolamento.

Aldeia Catu
Chefe da aldeia com mais casos confirmados da Covid-19, Luiz Katu se mostrou preocupado com a situação. “O grito hoje que os indígenas dão, e eu vejo famílias desesperadas por não ter atendimento de atenção básica, é de que a saúde seja implantada. O grito unificado das 14 aldeias e três etnias do Estado é pela implantação de um Distrito Especial de Saúde Indígena", disse o cacique. A aldeia Catu tem ainda dez casos considerados suspeitos. O grupo é formado por 726 indígenas, divididos em 203 famílias.

De acordo com a APIRN, o Rio Grande do Norte tem cerca de dois mil indígenas não-aldeados, que vivem em zonas urbanas ou rurais distantes das aldeias, e cerca de seis mil aldeados, o que totaliza uma população de aproximadamente 8 mil indígenas no Estado.

Combate
Para tentar inibir a propagação do novo coronavírus, medidas de combate foram tomadas na aldeia Catu. Barreiras sanitárias foram montadas para controlar o acesso de visitantes. Segundo o cacique Luiz Katu, entrevistas estão sendo feitas com pessoas de fora antes que sejam liberadas, e espaços como bares e restaurantes foram fechados.

Além disso, os habitantes estão sendo conscientizados quanto à necessidade do isolamento social. “A gente pede que eles só saiam para atividades extremamente essenciais, como a prática da agricultura familiar. Também conseguimos mobilizá-los para que não haja atividades esportivas", disse o cacique Luiz Katu.

Falta de Atendimento
O coordenador da APIRN informou que tem enviado ofícios para órgãos municipais, estaduais e federais solicitando o atendimento específico à saúde indígena, como é garantido por lei. O atendimento específico aos indígenas, com visitação às aldeias, está paralisado desde o ano passado, segundo a Associação. 




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