RN tem quarto caso de sarampo confirmado e 29 sob investigação

Publicação: 2019-09-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Ícaro Carvalho
Repórter

O número de casos de sarampo confirmados no Rio Grande do Norte passou de três para quatro, segundo informou o novo boletim da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap-RN), nesta quinta-feira (12). A paciente é uma mulher de 19 anos, que mora em Extremoz mas trabalha em Natal, e adquiriu a doença após contato com o professor de 54 anos, que registrou o primeiro caso confirmado do RN, após 19 anos sem registros da doença. Além disso, outros 29 casos são investigados em 13 cidades do Estado.

A vacina com baixa cobertura no estado é um dos alertas das autoridades sanitárias
A vacina com baixa cobertura no estado é um dos alertas das autoridades sanitárias


“Foi o contato no trabalho. Ele foi para inúmeros locais e um deles foi a lanchonete onde a residente de Extremoz trabalha, que é em frente ao hospital onde ele foi atendido", disse Alessandra Lucchesi, subcoordenadora de vigilância epidemiológica da Sesap. A coordenadora disse ainda que apenas a moça no trabalho apresentou os sintomas. 

Este passa a ser o quarto caso confirmado no Rio Grande do Norte desde o retorno da doença, em 26 de agosto, na capital potiguar, o que já se considera surto pelas autoridades, uma vez que a doença não aparecia no RN há 19 anos. Trata-se do professor de 54 anos que foi a São Paulo, estado com maior incidência da doença, entre os dias 7 e 11 de julho, contraindo o vírus. Os outros são de uma criança de seis anos no município de Macaíba e outra de um ano e seis meses em Tibau do Sul. Segundo Alessandra Lucchesi, todos os casos estão fora do período de transmissibilidade.

“Em relação à procura das unidades para vacinação, a gente tem o relato do aumento da procura pelos servidores, mas os dados ainda não me mostram uma alteração significativa dessa procura pela vacina nas unidades de saúde”, completou Alessandra.

De acordo com a Sesap, 29 casos estão sendo investigados nas regiões do Rio Grande do Norte. No boletim anterior, por exemplo, esse número era de 12 casos suspeitos. Lucrécia, Mossoró, Caicó, Florânia, Lagoa Nova, Carnaúba dos Dantas, Coronel Ezequiel, Serrinha, Tibau do Sul, Natal, Vera Cruz, São Gonçalo do Amarante e Parnamirim.

Estoque e público-alvo
Com relação ao estoque de vacinas para o sarampo, a tríplice viral, Alessandra explicou que o contingente espalhado em todo o Estado é “favorável”. O consumo médio é de 16 mil doses por mês e um carregamento de 100 mil foram enviadas pelo Ministério da Saúde à Sesap desde o início do surto.

“O estoque continua favorável. A gente pensa numa ação estratégica para utilização das doses, mas tenho que observar o comportamento do agravo por si só. Eu tenho uma situação hoje no Ministério da Saúde onde todas as doses estão sendo priorizadas para São Paulo porque eles estão vivendo uma epidemia. Tenho que ser consciente na forma de distribuir e no controle”, explica.

A Sesap recebeu um lote extra de cerca de 17 mil doses do MS e estava aguardando outras 5 mil. A Sesap ainda vai confirmar se essas doses já estão disponíveis. Esse contingente foi enviado para garantir a dose extra contra o sarampo em todas as crianças de 6 a 11 meses e 29 dias, quando o Ministério da Saúde ampliou a faixa etária da vacinação, no último dia 21 de agosto.

O Ministério da Saúde salientou ainda que, a aplicação da chamada “dose zero” não é contabilizada no calendário de vacinação das crianças nessa faixa etária. Isto significa que os pais ou responsáveis também deverão levar os pequenos aos postos de saúde para receber a tríplice viral aos 12 meses e aos 15 meses para aplicação do reforço com a tetraviral.

As ações de bloqueio também continuam sendo feitas. A orientação do Ministério da Saúde é que, em caso de notificações de casos de sarampo, é preciso vacinar todas as pessoas que tiveram ou tem contato com a doença em até 72 horas.

Dados da Sesap mostram que a cobertura da tríplice viral no Rio Grande do Norte apresenta dados preocupantes, segundo Alessandra Lucchesi. Nas oito regiões de saúde do Estado, a cobertura da tríplice viral é de apenas 67,94% da meta, quando o ideal é 95%.

A região com melhor cobertura é a de Pau dos Ferros, com 92,12%. A de Caicó, vem logo em seguida com 88,86%, fechando o top-3  com a região de Açu 84,89%.

Sarampo
O sarampo é uma doença infeciosa grave, causada por vírus, e que pode causar sequelas ou até a morte. A vacina é seu único meio de prevenção. Dentre os principais sintomas estão febre acompanhada de tosse, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido, mal-estar intenso, além de manchas pelo rosto e pelo corpo.

A transmissão do sarampo ocorre de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Segundo o Ministério da Saúde, a doença é tão contagiosa que uma pessoa infectada pode contagiar 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.

Não existe um tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos são utilizados pelos médicos para reduzir os desconfortos de acordo com a necessidade do paciente. Por isso os órgãos de saúde recomendam que as pessoas com os sintomas da doença procurem atendimento rapidamente e não façam uso de nenhum remédio sem orientação médica.

Caxumba também depende da ação da tríplice viral
Outra doença que está ganhando novos contornos no Rio Grande do Norte é a caxumba. Segundo dados da Sesap, 29 casos foram confirmados só neste ano, contra 9 do ano passado. Assim como o sarampo, a prevenção da caxumba está atrelada à vacina da tríplice-viral.

Reportagem da TRIBUNA DO NORTE publicada nesta quarta-feira (11) mostrou que, dos casos confirmados este ano, 14 deles foram em Natal. Em 2018, a capital não registrou nenhuma confirmação da doença.

A caxumba é provocada pelo pelo vírus paramyxovirus. A doença tem como característica o  inchaço das glândulas responsáveis pela produção de saliva, popularmente conhecido como “papeira”. Os sintomas mais característicos da doença são inchaço e dor nas laterais do pescoço e abaixo do maxilar, na região onde as glândulas ficam localizadas, náusea, vômito e dores de cabeça.

Nos casos mais graves da doença, podem surgir inflamações no pâncreas (pancreatite) e nas meninges. Nas mulheres acima de 15 anos de idade, a infecção pode atingir os ovários e, nos homens, os testículos.

A transmissão da doença acontece pelo contato direto com secreções das vias aéreas da pessoa infectada, de dois a nove dias depois do aparecimento dos sintomas. Uma pessoa que já contraiu a doença em algum momento da vida pode pegá-la novamente, e a doença não possui tratamento, sendo recomendado repouso e boa alimentação às pessoas que contraíram a doença.

Sarampo - entenda como se dá a transmissão e como prevenir:

O que é:
É uma doença infecciosa grave, causada por um vírus, que pode ser fatal.

Prevenção:
Apenas por vacinação.

Principais sintomas:
Febre e manchas, acompanhada de tosse; conjuntivite (irritação nos olhos); nariz escorrendo (coriza) ou entupido; mal-estar intenso; manchas vermelhas no rosto (após três dias)

Transmissão:
Causado por um vírus altamente contagioso, sua transmissão ocorre quando o doente tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas.

Tratamento:
Não existe tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos são utilizados para reduzir o desconforto ocasionado pelos sintomas da doença.

Importante:
Não faça uso de nenhum medicamento sem orientação médica e procure o serviço de saúde mais próximo, caso apresente os sintomas descritos acima.

Números
4 é o número de casos de sarampo confirmados em 2019

4 cidades estão afetadas: Natal, Tibau do Sul, Extremoz e Macaíba

29 é o número de casos de sarampo investigados em 13 cidades do Rio Grande do Norte

5 mil doses da tríplice viral é o contingente do reforço extra que a Sesap aguarda















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