RN tem quase metade de sua área territorial livre de seca

Publicação: 2020-05-24 00:00:00
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As precipitações registradas nos quatro primeiros meses deste ano mudaram o cenário no semiárido do Rio Grande do Norte e  trouxeram melhora na recuperação das pastagens e acumulação de água em pequenos, médios e grandes reservatórios. A mais recente atualização do Monitor de Secas, elaborada no dia 18 de maio, com dados referentes ao mês de abril, indica a ampliação da área sem seca relativa no Estado, que passou de 31,9% do território, em março, para 49,82% no mês passado. Ou seja, quase metade do Estado não tem seca. Houve ainda uma diminuição da área classificada como seca fraca, que saiu de 68,1% para 50,18%, no mesmo período. O território do RN não tem áreas classificadas como 'seca moderada'; 'seca grave', 'seca extrema' ou 'seca excepcional'.
 
No RN, em abril, de acordo com o Monitor da Seca, projeto coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA), foram observadas anomalias negativas de precipitação na porção centro-leste, enquanto na porção oeste, norte e sul do Estado, as chuvas ficaram acima da média. Com isso, houve uma ampliação da área sem seca relativa na porção norte e oeste do RN, bem como uma redução no grau de severidade da seca no sul e sudoeste, onde no mês de março era de seca moderada. Já no sudeste do Estado, houve um pequeno avanço da seca fraca em direção ao litoral. 
Créditos: Divulgação
Os dados mostram que a seca observada no Rio Grande do Norte apresenta impactos de longo prazo, com exceção da porção sudeste, próximo ao litoral leste, onde os impactos são apenas de curto prazo. 

Em maior parte do Nordeste, abril marca o fim do principal período de chuvas e, neste mês, todas as áreas apresentaram melhorias, seja reduzindo os níveis de seca ou ficando relativamente sem ela. Proporcionalmente, o Nordeste está com 61,7% de seu território com algum nível de estiagem. A situação mais crítica está no interior do Nordeste, correspondendo à grande parte da Bahia, onde estão áreas classificadas em seca grave. Lá, 89,7% do território está com alguma das categorias de seca.

Os estados em situação mais confortável, isto é, que apresentaram maiores percentuais de suas áreas sem seca relativa, são o Maranhão (72,1%) e o Ceará (69%). Este último, inclusive, apresentou o trimestre - fevereiro a abril - mais chuvoso em 11 anos. 

Preocupante

Apesar das chuvas, o Nordeste ainda tem 143 dos seus principais 530 açudes com volume abaixo dos 30%, se acordo com dados atuais da Agência Nacional das Águas (ANA). Em abril de 2020, as precipitações com valores iguais ou superiores a 300 mm ocorreram no centro-norte e oeste do Maranhão, no extremo norte de Tocantins e Piauí, litoral do Ceará, e em algumas áreas do Tocantins e do litoral leste do NEB. Os estados de Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais registraram valores de chuva mensal inferiores a 120 mm. Nas demais áreas, de uma forma geral, as precipitações de abril variaram com valores entre 120 mm e 250 mm.

Foi possível observar que, de um modo geral, as precipitações variaram de normal a ligeiramente acima da média. Contudo, em algumas áreas ocorreram anomalias negativas de precipitação, como por exemplo, nos estados do Espírito Santo, porção sul e oeste de Minas Gerais e em parte do leste do NEB, em uma área compreendida entre os estados de Rio Grande do Norte e Alagoas. A chuva também ficou abaixo da média histórica no centro-leste do Maranhão, extremo sul do Piauí, na porção central do Ceará e em alguns pontos do oeste e sul da Bahia.

De um modo geral, a seca no norte do NEB apresenta impacto apenas de longo prazo (L), associado principalmente ao déficit hídrico durante anos consecutivos de chuva abaixo da média na região entre 2012 a 2018. No entanto, as precipitações observadas nos quatro primeiros meses do ano trouxeram melhora nos impactos de curto prazo (C) consequente recuperação das pastagens, acumulação de água nos pequenos e médios reservatórios, além da recuperação de alguns perímetros irrigados.

Cabe ressaltar que, devido à grande variabilidade espacial da chuva, esse cenário não é generalizado, e algumas áreas ainda apresentam seca com impactos de curto e longo prazo.

Reservatórios

De acordo com monitoramento feito pelo Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn), em 47 reservatórios, com capacidade superior a 5 milhões de metros cúbicos, as reservas hídricas superficiais totais do Estado atualmente acumulam 50,81% da capacidade total do RN, que é de 4.376.444.842 metros cúbicos. O armazenamento de água está em 2.223.779.352 metros cúbicos. No mesmo período do ano passado os reservatórios monitorados pelo Igarn represavam juntos 1.454.203.705 m³, percentualmente, 33,22%da capacidade total do RN.

Segundo o Relatório do Volume dos Principais Reservatórios Estaduais, atualizado na segunda-feira (18), a barragem de Umari, localizada em Upanema, com capacidade para 292.813.650 m³, acumula 242.131.839 m³, correspondentes a 82,69%. No mesmo período de 2019, o reservatório estava com 122.053.354 m³, percentualmente, 41,68% do seu volume total.

A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do RN, com capacidade para 2,37 bilhões de metros cúbicos, acumula atualmente 1.357.909.162 m³, percentualmente, 57,22% do seu volume total. No mesmo período do mês de maio do ano passado o manancial estava com 822.632.000 m³, que representavam 34,28% da sua capacidade total.

Segunda maior represa do RN, Santa Cruz do Apodi acumula atualmente 216.129.330 m³, percentualmente, 36,04% da sua capacidade total que é de 599.712.000 m³. No mesmo período do ano passado o manancial estava com 152.933.733 m³, correspondentes a 25,50% do seu volume máximo.

Os reservatórios que permanecem com 100% da sua capacidade são: Riacho da Cruz II, localizado em Riacho da Cruz; Apanha Peixe, em Caraúbas; Encanto, no município de Encanto; Mendubim, em Assu e Beldroega, localizado em Paraú.

Outros reservatórios já sangraram nesta quadra invernosa do interior e continuam com níveis acima dos 90% das suas capacidades, casos de: Santana, localizado em Rafael Fernandes, com 99,83%; Passagem, em Rodolfo Fernandes, com 98,6%; Morcego, em Campo Grande, com 98,74%; Santo Antônio de Caraúbas, com 98,5%; Pataxó, em Ipanguaçu, com 99,39% e Dourado, em Currais Novos, com 98,78%.

Outros reservatórios já acumulam mais de 70% das suas capacidades, casos de: Marcelino Vieira, localizado no município de Marcelino Vieira, com 72,95% e Rodeador, em Umarizal, com 80,6% do seu volume máximo.

A barragem de Pau dos Ferros acumula atualmente 18.472.403 m³, correspondentes a 33,68% da sua capacidade total que é de 54.846.000 m³. No mesmo período de maio do ano passado o reservatório represava 785.996 m³, equivalentes a 1,43% da sua capacidade total.

O reservatório Marechal Dutra, também conhecido como Gargalheiras, em Acari, acumula atualmente 13.876.482 m³, equivalentes a 31,24% da sua capacidade total que é de 44.421.480 m³. No mesmo período do ano passado o manancial estava com 269.918 m³, percentualmente, 0,61% do seu volume total.

O açude Tourão, localizado em Patu, acumula atualmente 2.804.543 m³, que correspondem a 35,12% da sua capacidade total que é de 7.985.249 m³. No mesmo período do ano passado o manancial estava com 2.452.696 m³, percentualmente, 30,72% do seu volume máximo.

O açude Lucrécia, localizado no município de Lucrécia, acumula atualmente 9.768.328 m³, correspondentes a 39,46% da sua capacidade total que é de 24.754.574 m³. Em maio do ano passado o reservatório represava 3.421.961 m³, percentualmente, 13,82% do seu volume máximo.

Dos 47 reservatórios monitorados pelo Igarn, apenas dois estão com níveis inferiores a 10% da sua capacidade, sendo, portanto, considerados em nível de alerta. São eles: Passagem das Traíras, que está em reforma e não pode acumular grande volume hídrico, com 1,23% do seu volume máximo e Esguicho, em Ouro Branco, com 1,8% da sua capacidade. Percentualmente o número representa 4,25% dos reservatórios monitorados.

Já os mananciais completamente secos também são dois, Inharé, localizado em Santa Cruz e Trairi, localizado em Tangará. Em termos percentuais o número representa 4,25% dos reservatórios monitorados.









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