RN tem segunda maior taxa de chikungunya do país

Publicação: 2019-09-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Ícaro Carvalho
Repórter

Os casos suspeitos de chikungunya dispararam no Rio Grande do Norte. Foram 8.899  registrados no Estado nas 34 semanas epidemiológicas de 2019, número 391,9% maior que o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 1.809 casos. A taxa da doença para 100 mil habitantes é a segunda maior do Brasil, tendo 255,8 incidências. O RN fica atrás apenas do Rio de Janeiro, que tem taxa de 447,4 da doença. Os dados são do Ministério da Saúde, em boletim divulgado nesta quarta-feira (11).

Prevenção fica prejudicada por causa do lixo depositado nas ruas pela população, podendo servir de criadouro do mosquito
Prevenção fica prejudicada por causa do lixo depositado nas ruas pela população, podendo servir de criadouro do mosquito

Aliado a isto, o RN é a unidade federativa com mais óbitos em investigação pela chikungunya: 28, num universo de 65 em todo o país. No Brasil, foram 57 óbitos confirmados, espalhados em 7 estados. Nenhum deles foi em terras potiguares. As informações apresentadas no documento enviado pelo MS  são referentes ao período de 30 de dezembro de 2018 a 24 de agosto de 2019.

Os números de dengue  também apresentam dados alarmantes. No primeiro caso, o RN também amarga o fato de estar nas primeiras posições. Foram 24.635 casos prováveis, contra 20.476 do ano passado. Aumento de 20,3%. A taxa por 100 mil habitantes também é alta: 708,1, a maior do Nordeste e a oitava maior do país. O RN não teve óbitos por dengue em 2019, porém, é a 4º  UF com mais óbitos em investigação: 53.

O Estado também apresentou alta incidência nos casos de zika. Neste caso, segundo o MS, foram levados em consideração apenas a semana epidemiológica de número 33, isto é, até 10 de agosto. No RN, foram 941 casos, contra 445 do ano passado. Aumento de 111,5%. A taxa da incidência por 100 mil habitantes é de 27,0, a segunda maior do país, atrás apenas de Tocantins, que teve 32,3.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap-RN), em boletim que abrange até a 33ª semana epidemiológica, o Estado tinha 5.890 casos confirmados de dengue e outros 3.311 de chikungunya. De acordo com a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica Alessandra Lucchesi, as regiões que apresentam maior incidência, tanto para dengue quanto para chikungunya são as 7ª (Metropolitana), a 5ª (Santa Cruz) e a 1ª (São José de Mipibu).

Na Unidade de Pronto Atendimento da Cidade da Esperança, na zona Leste de Natal, quando são atendidas de 500 a 600 pessoas, em média, por dia, o índice de notificações com os sintomas das arboviroses foi de 253, por exemplo.

Quem estava nos corredores pronta para tomar medicamento era a estudante Raquel Islany, de 19 anos. Apresentando dor nas articulações, na cabeça e em todo o corpo há dois dias, ela procurou a unidade de saúde para avaliar os sintomas. Ela explicou que o tio, a avó e a prima tiveram chikungunya e torce para o diagnóstico não ser o mesmo.

Com fortes dores a ponto de não conseguir falar com a reportagem estava a natalense Jacinete Siqueira, de 45 anos. Desde o último sábado (07), segundo a filha, Juliana, ela sente dores nas articulações, na cabeça, febre e outros sintomas. A estudante explicou não ter antecedentes na família.

De acordo com o infectologista e diretor-geral do Hospital Giselda Trigueiro, André Prudente, há sinais semelhantes e ao mesmo tempo diferentes entre as três arboviroses presentes no Estado. “Todas as três doenças vão constar com febre, dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar e manchas no corpo. A diferença é a intensidade e a duração desses sintomas”, explica.

Um desses exemplos, por exemplo, é o da professora assistente do Estado, Terezinha Carvalho dos Santos, de 64 anos. Diagnosticada com chikungunya há cerca de três anos, ela sofre até hoje com alguns sintomas da doença. “Atrapalhou a minha vida em todos os aspectos, principalmente no fator locomoção. Me impede de fazer exercícios, devido aos impactos, além da fadiga”. Ela acrescenta que ainda sente dores nas articulações. “É muito difícil conviver com isso”.

Sesap avalia situação
Um dos equipamentos utilizados para conter a proliferação do mosquito, os carros fumacês, estão sendo avaliados pela Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap). Segundo a  subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica Alessandra Lucchesi, foram atendidos 12 municípios em 2019, de acordo com os critérios técnicos do Ministério da Saúde. Ela informou que a equipe técnica vai se reunir novamente para avaliar novas solicitações das cidades.

Metade dos atendimentos da UPA Esperança é de arboviroses
Metade dos atendimentos da UPA Esperança é de arboviroses

No entanto, a secretaria esbarra em questões no que diz respeito ao desabastecimento do veneno não só no Estado, mas em todo o Brasil, em virtude de problemas no Governo Federal. As expectativas é de que o problema seja resolvido nas próximas semanas, para que cada situação seja avaliada.

“A utilização do carro fumacê significa dizer que o município não obteve êxito em nenhuma de suas ações de prevenção em que há transmissão. Ter o carro fumacê, infelizmente, não é algo muito bom”, atesta.

Sobre o diagnóstico das arboviroses a respeito do Rio Grande do Norte, Alessandra informou que a prevenção e as orientações aos municípios continuam sendo as mesmas.

“Os municípios precisam fazer todas as ações relacionadas ao controle vetorial. Isso implica na visita dos agentes de combate às endemias, para visualizar a existência de focos ou não e fazer a eliminação mecânica desses focos. A população tem que ajudar não acumulando lixo, fazendo higienização de caixas d'água, assim como não deixar qualquer tipo de reservatório que possam acumular água”, explica.

Natal
O último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Natal mostrou que foram registrados, até o último dia 24 de agosto, foram  notificados 17.587 casos para arboviroses, sendo 5.965 casos para chikungunya, 11.472 casos para dengue e 150 casos para zika.

O distrito Leste, concentra o maior número dos casos notificados para dengue e chikungunya, tendo 2.813 e 2.489, respectivamente. A zika registra 28 notificações.

O distrito Sul aparece logo em seguida, registrando a maior taxa para dengue: 3.566 casos. A chikungunya teve 763 tabulações e a zika 33 casos.

Brasil
Nacionalmente, foram registrados 1.439.471 casos de dengue em todo o país. A média é 6.074 casos por dia e representa um aumento de 599,5%, na comparação com 2018. No ano passado, o período somou 205.791 notificações.

A febre chikungunya contabilizou, até o final de agosto deste ano, 110.627 casos, contra 76.742 do mesmo período em 2018. Em todo o Brasil, o total de casos de zika saltou de 6.669 para 9.813, gerando uma diferença de 47,1%. Neste ano, o zika vírus foi a causa da morte de duas pessoas.

Os dados de arboviroses no Rio Grande do Norte

Chikungunya
2018: 1.809 casos

2019: 8.889

Variação de 391,9%

Taxa de 255,8 casos para 100 mil habitantes – Maior do Nordeste e 2ª maior do Brasil

Óbitos: 0

Óbitos em investigação: 28

Dengue
2018: 20.476 casos

2019: 24.645

Variação de 20,3%

Taxa de 708,1 casos para 100 mil habitantes – Maior do Nordeste e 8ª maior do Brasil

Óbitos: 0

Óbitos em investigação: 53

Zika
2018: 445 casos

2019: 941

Variação de 111,5%

Taxa de 27,0 casos para 100 mil habitantes – Maior do Nordeste e 2ª maior do Brasil

Fonte: Ministério da Saúde/34ª semana epidemiológica


Dados da Sesap de Saúde até a 33ª semana epidemiológica

Dengue

Casos notificados: 27.817

Confirmados: 5.890


Chikungunya:

Casos notificados: 9.063

Confirmados: 3.311


Zika:

Casos notificados: 941

Confirmados: 0



Top-5 Cidades do RN com mais casos confirmados

Dengue

Natal: 3.259

Parnamirim: 313

Guamaré: 243

Mossoró: 224

Santa Cruz: 201


Chikungunya

Natal: 2.726

São Paulo do Potengi: 163

Parnamirim: 145

São Gonçalo do Amarante: 71

Mossoró: 31

Fonte: Sesap












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