RN tem seis casos de coronavírus em investigação

Publicação: 2020-02-29 00:00:00
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Ícaro Carvalho
Repórter

O Rio Grande do Norte tem seis casos suspeitos para coronavírus, dois descartados e nenhum confirmado. A informação é do boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap), divulgado nesta sexta-feira (28). Os seis casos suspeitos aguardam resultados de exames, sendo três deles no Lacen-RN e os outros três foram enviados a um laboratório de referência nacional, o Instituto Evandro Chagas, no Pará. O prazo de entrega desses resultados é de até sete dias. Já com relação aos outros dois casos, descartados, foram classificados dessa forma após constatação do vírus Influenza B, o da gripe.

Créditos: Magnus NascimentoEm entrevista coletiva, autoridades da Sesap informaram números e confirmaram as medidas preventivas adotadasEm entrevista coletiva, autoridades da Sesap informaram números e confirmaram as medidas preventivas adotadas


As informações foram repassadas pela Sesap em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (28), após a secretaria anunciar no dia anterior a suspeita de cinco casos no Estado. A Sesap já admite que dois desses seis suspeitos, que são familiares de um dos casos descartados, podem se tratar de casos de Influenza.

Segundo as autoridades, um paciente só é classificado suspeito caso tenha os sintomas da doença e tenha ainda o chamado vínculo epidemiológico, que consiste no contato com uma pessoa que esteve ou mora em 16 países classificados pela Organização Mundial da Saúde com casos registrados, confirmados ou ainda em investigação.

“Um caso descartado é um que apresente outro vírus diagnosticado, ou seja, um outro agente etiológico que é identificado na amostra que foi processada. Um caso em investigação é aquele que teve resultado negativo ou inconclusivo para Influenza e outros vírus respiratórios e a amostra segue para o laboratório de referência nacional”, explicou a subcoordenadora de Vigilância Epidemiológica do RN, Alessandra Lucchesi.

Os oito casos notificados (seis suspeitos e dois descartados) estão localizados nas cidades de Natal e Parnamirim, com idades entre 15 e 49 anos. Sobre os três casos em investigação revelados pela manhã, em coletiva de imprensa, o médico e infectologista André Prudente, diretor do Hospital Giselda Trigueiro, disse que eles estão bem e que tem visitado os pacientes. Trata-se de duas mulheres e um homem, todos de Natal. Todos estão em casa.

“Todos estão muito bem, estão em casa. Temos mantido contato constante e sintomas muito leves de coriza, tosse seca, sem grandes repercussões. Não estão trabalhando por recomendação nossa porque devem ficar em casa. Dois deles provavelmente também são Influenza, apesar do exame não ter demonstrado”, disse o médico e infectologista André Prudente, diretor do Hospital Giselda Trigueiro. Esses dois casos que seguem suspeitos são da família de um dos que foi descartado e fizeram a mesma viagem juntos, segundo Prudente.

“Como os critérios de definição de casos suspeitos do Ministério da Saúde foram ampliados para contato com diversos países, principalmente três europeus onde tem fluxo maior de brasileiros, é natural que a gente comece a ver vários casos que vão se enquadrar como casos suspeitos. Ou seja, pessoa que esteve, nos últimos 14 dias na Itália, França, Alemanha, e que desenvolva qualquer sintoma respiratório, como tosse, coriza”, disse André Prudente. “A maioria, não tenham dúvida que vai ser Influenza. Agora todos vão ter que ser notificados e vão ser investigados para coronavírus”, completou.

“Se começar a aumentar o número de casos suspeitos, isso não quer dizer que estamos tendo um surto no RN. É porque os critérios foram ampliados e mais pessoas vão se enquadrar neles e vão colher exames para confirmar ou descartar”, completa André Prudente.

Ainda de acordo com o médico André Prudente, os pacientes só serão internados no Giselda Trigueiro em casos mais sérios. “Eu estou visitando os três diariamente. Os critérios para internar uma pessoa seria algum sinal que demonstre que em casa ela pode ter uma evolução pior. No coronavírus é um acometimento pulmonar ou de órgãos novos, fígado, cérebro, rins. Nenhum deles tem”, afirma.

O caso da criança de 10 anos, que fez uma viagem num cruzeiro que ia para Xangai e foi desviado para Hong Kong, na China, foi excluído e sequer foi classificado como possível caso suspeito. Ele se assemelha com o jovem de 25 anos, de Baía Formosa, que alegou ter contato com chineses em Tibau do Sul, mas foi excluído pela Sesap.

Protocolo
Desde os primeiros casos do aparecimento do vírus, a Sesap tem adotado medidas preventivas para a doença. O Comitê de Emergência para Eventos em Saúde no Estado foi reativado com o objetivo de monitorar a chegada do novo coronavírus.

À época, o Rio Grande do Norte foi o primeiro Estado da federação a elaborar um protocolo de fluxo e manejo de pacientes com suspeita ou confirmação de casos de coronavírus.

Atualmente, o Hospital Giselda Trigueiro, referência em infectologia na rede pública do RN, está mantendo uma ala específica para tratar esses suspeitos, com 25 leitos, específicos para internação.

Além do Giselda Trigueiro, o Hospital Maria Alice Fernandes, na zona Norte, também está atuando na retaguarda para tratamento de possíveis casos em crianças.

Arquidiocese orienta paróquias sobre prevenção
A preocupação com a chegada do Coronavírus ao Brasil atinge a vários setores da sociedade. A Arquidiocese de Natal emitiu, nesta sexta-feira (28), orientações às paróquias e à comunidade católica quanto a mudanças nos ritos praticados durante as celebrações das missas.

Créditos: Magnus NascimentoA comunhão será dada nas mãos dos fieis e não mais na bocaA comunhão será dada nas mãos dos fieis e não mais na boca


No documento constam quatro mudanças nos ritos, além de reforçar outras dez práticas de prevenção que devem ser adotadas pela população para evitar a eventual propagação do novo coronavírus.

“A ideia é através das nossas celebrações que sempre temos contato com aperto de mão, na hora do pai nosso algumas vezes damos as mãos, os padres e os ministros têm um contato muito próximo da pessoa que comunga. A ideia é para evitar qualquer contato. Já fizemos isso em outros momentos como o surto de gripe, H1N1, fizemos essas mesmas recomendações. Esperamos que seja passageiro", informou o Padre Paulo Henrique da Silva, vigário geral da Arquidiocese de Natal.

Medidas solicitadas às paróquias pela Arquidiocese:
1) Evitar o aperto de mão durante a acolhida aos fiéis;

2) Não dar as mãos ao rezar o Pai-Nosso;

3) Omitir o abraço da paz;

4) Distribuir a comunhão somente sob uma espécie e diretamente nas mãos.

Veja como se dá a transmissão do vírus

Como o novo coronavírus é transmitido?
As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa está ocorrendo.

Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o novo coronavírus se espalha de pessoa para pessoa.

Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como:

Gotículas de saliva;

Espirro;

Tosse;

Catarro;

Contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;

Contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Os coronavírus apresentam uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe e, portanto, o risco de maior circulação mundial é menor.

O vírus pode ficar incubado por duas semanas, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

Como prevenir o novo coronavírus?
O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:

Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;

Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;

Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;

Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;

Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

Manter os ambientes bem ventilados;

Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;

Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Quais são os sintomas do novo coronavírus?
Os sinais e sintomas clínicos do novo coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias.

Os principais são sintomas são:
Febre.

Tosse.

Dificuldade para respirar.

Como agir
Em caso de uma pessoa apresentar os sintomas do coronavírus, os potiguares podem ligar para três telefones diferentes para darem entrada nas unidades especializadas e fazerem os exames. Esses números são do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, da Sesap.

No entanto, vale salientar que estar com os sintomas da doença não necessariamente significa que o usuário contraiu o vírus. Por isso, autoridades e especialistas tem utilizado o termo “vínculo epidemiológico”, isto é, a pessoa ter tido contato com pessoas dos países afetados ou ter viajado a um dos locais que têm casos confirmados.

São eles: China, Japão, Coréia do Sul, Coréia do Norte, Singapura, Camboja, Vietnã, Tailândia, Alemanha, Austrália, Emirados Árabes, Filipinas, França, Irã, Itália, Malásia.

Os telefones:
(84) 98102-5948 (Whatsapp),

0800 281 2801

(das 7h às 17h)

3232-2801 (das 7h às 18h)

Números:
8 é o número de casos notificados pela Sesap

6 deles são classificados como suspeitos;

2 foram descartados;

2 foram excluídos, isto é, sequer chegaram a ser cogitados como casos suspeitos

Entenda o panorama, dia a dia, dos casos suspeitos no RN

Quarta-feira (26)
Suspeitos:

5 em Natal

1 em Parnamirim

3 homens

3 mulheres

Descartados:
Homem e Mulher (Natal e Parnamirim) classificados com Influenza B

Excluídos
Criança de 10 anos (Natal)

Homem de 25 anos (Baía Formosa)














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