RN terá R$ 224 milhões para ‘transmitir’ energia

Publicação: 2013-03-19 00:00:00
Andrielle Mendes - repórter   

O Nordeste vai receber 2,4 bilhões em investimentos em transmissão de energia elétrica gerada por várias fontes até 2017. O Rio Grande do Norte, estado que vai ser o maior gerador de energia eólica do país e já enfrenta dificuldades para escoar a energia gerada pelos parques eólicos, ficará com 9,3% do total (R$ 224 milhões). O valor destinado ao RN é seis vezes inferior ao que será aplicado no Piauí (R$ 1,346 bilhão), estado que lidera o ranking dos que receberão mais investimentos na região.
A falta de linhas de transmissão tem deixado parques eólicos ociosos
Ao todo, serão investidos R$ 14,6 bilhões no Brasil. Quase metade dos recursos (48,6%) será aplicada na região Norte. Os dados fazem parte de um relatório divulgado ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia que presta serviços na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energético. De acordo com o relatório do Programa de Expansão da Transmissão (2013-2017), da EPE, o RN receberá quatro novas linhas de transmissão nos próximos cinco anos - uma delas, a que custará mais, interligará o RN à Paraíba. De acordo com a EPE, os valores investidos podem ser ainda maiores.

Isso porque o ciclo de planejamento do sistema de transmissão de energia elétrica só contabiliza os investimentos em projetos cujos estudos já foram concluídos e que entrarão em operação entre 2013 e 2017. Neste período, esclarece a Empresa de Pesquisa, “serão acrescidos recursos para projetos que ainda se encontram em fase de estudos”.

A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) foi procurada para analisar os investimentos, mas preferiu não comentar o assunto. Em reportagem concedida à Folha de São Paulo em janeiro deste ano, a associação afirmou que 70% das linhas de transmissão que deveriam ser entregues em 2013 não ficariam prontas dentro do cronograma e que o atraso seria de 15 meses, em média. A estimativa da ABEEólica era que usinas que somam 1,1 GW ficassem paradas no ano por não terem como transmitir energia. O número é quase o dobro dos 622 MW de 2012.

A Chesf, responsável por instalar as linhas de transmissão no RN - todas atrasadas - não respondeu ao pedido de entrevista da TRIBUNA DO NORTE ontem. Representantes da companhia estiveram no estado no último mês para apresentar o cronograma das linhas de transmissão – licitadas entre 2009 e 2010 - e que já tiveram as obras iniciadas. O primeiro lote de obras, que interligará 12 parques eólicos na região de João Câmara, será entregue em setembro deste ano. O segundo lote, previsto para janeiro de 2014, interligará mais 28 parques eólicos. Já o terceiro e quarto lotes interligarão mais 16 parques eólicos.

A falta de subestações e linhas de transmissão suficientes para escoar a energia eólica gerada no RN tem deixado parques eólicos ociosos e inibido novos investimentos. No início do ano, a Bioenergy, uma das quatro maiores geradoras de energia eólica, anunciou a transferência de um dos quatro parques eólicos previstos para o estado - e já em construção - para o Maranhão, por problemas no escoamento de energia. A empresa solicitou a transferência de um dos quatro parques à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas confirmou que transferiria os quatro, se o problema no RN não fosse resolvido. A transferência dos projetos geraria um prejuízo de R$ 440 milhões ao RN, segundo cálculos da própria empresa.