Roberto Fernandes: "Eu gosto desse tipo de desafio"

Publicação: 2019-06-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Identificado com o futebol potiguar, tendo trabalhado no América e no próprio ABC, o técnico Roberto Fernandes disse que é movido por desafios e, aliado a um contrato bem elaborado, optou por tentar a missão de livrar o Alvinegro da queda para a Série D e, quem sabe, ainda brigar por uma vaga na Segunda Divisão de 2020.

Roberto Fernandes, novo técnico do ABC
Roberto Fernandes, novo técnico do ABC

Como você se sente com essa nova oportunidade de trabalhar no futebol potiguar?
Para mim é um prazer voltar a Natal, uma cidade que adotei como minha e que me deu também um título de cidadão. Ela sempre ocupou um pedaço do meu coração. Trabalhar aqui, para mim, traz sempre um conteúdo de uma responsabilidade bem especial porque eu quero ver o crescimento do futebol do RN. Não apenas pela capacidade dos clubes, mas sobretudo pelos grandes amigos que eu consegui fazer aqui através do mundo do futebol.

O Roberto está pegando um ABC, que vem de uma série de derrotas seguidas, então o que o torcedor pode esperar dessa chegada do novo treinador: uma reformulação completa na equipe?
Nós temos uma base para trabalhar, vamos buscar fazer alguns ajustes bem necessários e trabalhar com bastante calma e tranquilidade. É necessário se fazer ajustes? Sim! Precisa mudar algo e corrigir várias situações? Sim também é necessário! Mas isso, com base nos treinos, calcado no trabalho. Em primeiro lugar na minha vida, acredito em Deus, em segundo é no trabalho. Realizar mudança sem trabalhar, para depois ficar cobrando dos atletas, sem que aquilo tenha sido treinado a exaustão e repetido, é como se eu estivesse brincando de videogame, onde quem comanda faz de qualquer jeito e não tem problema algum com a responsabilidade.  Futebol necessita da repetição.

Desde o anúncio do seu nome a gente percebe um certo ar de otimismo nos torcedores alvinegros. Qual o Roberto Fernandes que chega ao ABC hoje, é aquele mesmo de 2013 ou o de hoje traz algumas alterações?
O ser humano está sempre numa eterna evolução. Volto mais maduro, isso é natural. Eu sempre digo que: se um cara com 30 anos pensar exatamente igual ao tempo que ele possuía 20, que esse cidadão não aprendeu nada nesse espaço de tempo. Foram dez anos desperdiçados! Chego aqui com mais experiências de trabalhos similares e, esse, que estou assumindo no ABC, lembra bem o do ano passado, quando comecei a temporada sendo campeão pernambucano pelo Náutico, que vinha há quase quinze anos na fila. Depois assumi o comando do Santa Cruz, que também estava na zona de rebaixamento. Ele só não era o lanterna, mas, com o trabalho desenvolvido, conseguimos classificar para a segunda fase da Série C, com uma rodada de antecedência. Depois que saí de lá, também peguei o CRB na zona de rebaixamento, faltando onze partidas para o fim da Série B e conseguimos livrar o clube alagoano do rebaixamento. Desses jogos que realizamos com o CRB, nós perdemos apenas dois, ambos fora de casa. Quando a pessoa possui a experiência de trabalhar em clubes que se encontram em dificuldade na tabela de classificação, não é certeza dar certo, mas há uma tranquilidade de minha parte, por saber onde e o que devo enfrentar.

A sua maior preocupação neste início de trabalho é o quê: a classificação ou a série de derrotas?
Quando um clube chega num momento como esse, acumulando cinco derrotas consecutivas, não me preocupa nem a questão da classificação. Isso, tenho certeza, que é apenas uma de dias pois sei que iremos sair dessa posição incômoda. Mas o que eu quero atacar realmente é a sequência negativa e a forma como ela se abateu sobre o clube. Mas eu sei mais ou menos qual o DNA desse problema e, antecipo, nada do que eu encontrar no ABC de hoje, irá me surpreender! São situações que a gente já está habituado e, por isso, fica mais fácil de remediar.

Chegando num clube que necessita de resultados para ontem, como encarar a questão dos reforços?
O mercado é difícil, mas nós precisamos trazer peças para encaixar nesse grupo. Eu considero que, hoje, o ABC possua até um elenco numeroso de atletas e acho que não necessita de tanto. Se você traçar um perfil das equipes que conquistaram o acesso para Série B no ano passado, vai ver que elas têm em comum o fato de trabalhar com grupos de, no máximo, 25 jogadores. A grande verdade é que não chegamos nem a utilizar 18 a 20 atletas e hoje, o ABC tem mais de trinta no elenco. Então eu não necessito de um número grande de jogadores, minha maior precisão será de trazer reforços com características as quais não possuímos no elenco e que possam vir e com esses, que estão aqui, modificar esse panorama desagradável.

O ABC necessita de 66% dos pontos que ainda estão em jogo para brigar por uma vaga na segunda fase e 51% se desejar escapar apenas do rebaixamento. Esses números te assustam?
Se a gente for pensar em números gerais, não vamos curar esse paciente. Um aproveitamento desse porte, nem o líder da competição que estamos disputando dispõe! O importante é fazer jogo a jogo. Nosso passo inicial será trabalhar para estancar essa sangria de gols que a equipe do ABC vem sofrendo. Junto a isso, também buscar frear essa sequência louca de derrotas. Isso tudo faz parte do primeiro passo. O segundo será vencer os dois próximos jogos em casa, que serão dois confrontos diretos pelo fato de que iremos enfrentar os clubes imediatamente a nossa frente na tabela. Então esses confrontos têm de ser encarados como duas decisões.  Mas isso não quer dizer que abriremos mão de pontuar nos confrontos que iremos fazer como visitante. Isso se faz passo a passo, até para fazer os atletas recuperarem a autoestima e, o nosso torcedor, parar de sofrer. Vamos procurar estancar essa sangria de gols que temos sofrido, bem como essa sequência de maus resultados.

Como você mesmo citou, seus últimos trabalhos vêm sendo como “salva vidas”. O Roberto Fernandes não tem receio de se estigmatizar como um treinador específico para livrar clubes do rebaixamento, enquanto o que pesa na carreira são a conquista de títulos?
Se eu não tivesse seis títulos de campeão na carreira, juro que teria (risos). Agora como eu tenho, acho que a grande diferença é que alguns treinadores, devido ao gerenciamento de carreiras, não aceitam esse determinado tipo de oferta, esse tipo de desafio. Eu gosto desse tipo de desafio e não tenho essa preocupação por conta de que a gente ao longo da carreira conseguimos alguns títulos. Só aqui no RN fui bicampeão estadual, ano passado tirei o Náutico de uma longa fila sem títulos, ele vinha há 14 anos sem ser campeão, em se tratando de Pernambuco que possui três grandes clubes, isso é muito tempo. Na verdade, mesmo, acho que a grande diferença é que sou maluco o suficiente para aceitar determinados desafios que a grande maioria prefere abrir mão, com receio de se queimar!

Em 2013, você chegou para tirar o ABC de uma situação também complicada, emplacou seis vitórias consecutivas e conseguiu manter a equipe na Série B. Na sua opinião, qual o momento mais complicado: aquele ou esse quadro atual?
A competição de 2013 era muito mais difícil. Imagine que dentre essas seis vitórias consecutivas nós conseguimos bater equipes como a Chapecoense, América-MG, Palmeiras e o Figueirense. Então aquela situação era bem mais difícil, ainda mais pelo fato de a Série C estar sendo bem equilibrada nos últimos anos.






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