Robinson e Fábio Faria teriam recebido R$ 10 milhões da JBS para privatizar Caern

Publicação: 2017-05-19 14:46:00 | Comentários: 0
A+ A-
O governador Robinson Faria (PSD-RN) e seu filho, o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) foram citados nas delações da JBS acusado de receber R$ 10 milhões em propina em troca da privatização da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Nos acertos com o grupo JBS, o então candidato a deputado federal Fábio Faria e o candidato a governador Robinson Faria, também teriam se comprometido para que o grupo "indicasse um secretário estadual" em caso de vitória eleitoral do PSD. As informações estão em vídeo na delação do executivo da holding que controla a JBS, Ricardo Saud.
Abertura de capital da Caern está em fase de estudos
Além das declarações sobre os acertos feitos com o governador Robinson Faria, os empresários da JBS entregaram à Justiça outros tipos de provas, como anotações e planilhas com a relação das doações feitas.

Em uma delas, é possível ver "02/10-Robinson Faria-1", em outra "5 milhões Robinson Faria R. G. do Norte". Nesta mesma anotação também é possível ler "0,5 Fátima Bezerra Senadora". Segundo os investigadores, as anotações se referem as datas e valores repassados pela JBS para os políticos potiguares.
Anotação entregue pela JBS como prova do pagamento de propina para políticos potiguares
Anotação entregue pela JBS como prova do pagamento de propina para políticos potiguares

De acordo com as informações repassadas pelos candidatos das eleições de 2014, Robinson recebeu R$ 8,5 milhões de doações oficiais da JBS/SA em cinco doações: R$ 1 milhão (em 18/07/2014), R$ 1,7 milhão (em 15/09/2017), R$ 1 milhão (02/10/2014), R$ 700 mil (06/10/2014), R$ 1 milhão (em 18/07/2014), R$ 2 milhões (em 07/11/2014) e R$ 1,1 milhão (em 25/11/2014). Já o deputado Fábio Faria declarou o recebimento de R$ 1,1 milhão em três doações da JBS/SA: R$ 500 mil (em 18/07/2014), R$ 300 mil (em 15/09/2014) e mais R$ 300 mil (em 06/10/2014).

A senadora Fátima Bezerra declarou, ao TSE, ter recebido o total de R$ 1.165.000 de doações da JBS/SA Frigorífico Abate de Bovinos: R$ 500 mil (em 18/07/2014), R$ 190 mil (em 10/09/2014) e R$ 475 mil (em 15/09/2014).

Além de Robinson, entre os chefes de Executivos Estaduais também foram citados o governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB-MS), o de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT-MG), o de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD-SC). Os ex-governadores Cid Gomes (PDT-CE), Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Silval Barbosa (PMDB-MT) e André Puccinelli (PMDB-MS) também aparecem nas delações.

O empresário Joesley Batista, da JBS, disse à Procuradoria-Geral da República (PGR) que seu grupo empresarial pagou, "nos últimos anos", R$ 400 milhões em propina a políticos e servidores públicos. A lista, segundo ele, inclui senadores, deputados e presidentes da República.

Veja trecho em que Ricardo Saud fala sobre Robinson e Fábio Faria:

O delator contou que o levantamento dos valores foi feito por meio de uma investigação interna em seu grupo empresarial, que ele próprio determinou, antevendo que seria chamado a dar explicações ao Ministério Público Federal (MPF). A JBS é alvo de ao menos cinco operações policiais que avaliam fraudes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e corrupção.

O empresário contou que seu grupo empresarial está envolvido em crimes há "10, 15 anos". O montante de doações legais a políticos, segundo ele estimou, é bem menor que o que foi o distribuído "por fora": R$ 100 milhões.

Atualizada às 16h14

continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários